José Alberto Reis recorda início de percurso na música: «Tive uma depressão nervosa»

Apaixonou-se pela música quando ouviu os acordes de uma guitarra na igreja. Com um percurso respeitado, o artista não esconde a dificuldade em ingressar na indústria musical.

12 Jan 2020 | 9:50
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Cantor e compositor, celebrizou-se no final da década de 80 com os temas Amo-te e Setembro. Com 32 anos de carreira, José Alberto Reis soma álbuns e sucessos, mas não esquece o dia em que decidiu trocar a engenharia pelo sonho de vingar na indústria musical. «Eu abracei o sonho. Aquilo que idealizei e visualizei. Sou muito feliz porque deram-me a possibilidade de compor, de atuar e criar as minhas canções», diz reforçando que não podia fazer um balanço mais positivo dos seus 32 anos como músico. «Só posso fazer um balanço repleto de felicidade. Estava a terminar o curso de engenharia de metalomecânica quando assinei contrato com a EMI, na altura uma das maiores etiquetas da música.»

Num universo onde a concorrência é dura, José Alberto Reis, de 58 anos, afirma que ao longo destas três décadas passou por diversas dificuldades. «Não é fácil construir uma carreira e viver dela. Nunca tive outra profissão e não é fácil. Eu tive anos da minha vida que pensei que não iria ter concertos no verão. É uma profissão sazonal. E depois ganhar num espetáculo o que ganhas em meses e há que saber gerir. Há muita gente que se perde e que se deslumbra. Tinha 15 anos quando soube que era da música que queria viver, depois de ouvir os acordes de uma guitarra clássica que soavam de uma igreja. Parecia que já conhecia aquele som de outras vidas», recorda saudosista, prosseguindo: «Tanto andei que o meu pai ofereceu-me umas aulas de guitarra. Depois comecei a tocar na igreja, e a cantar para os velhinhos nos asilos, até que um dia enfiei no correio uma cassete para a Emi – Valentim de Carvalho, na altura já estudava e então recebo uma carta, queriam falar comigo. Mais tarde quiseram assinar contrato. Fiquei dois anos à espera numa luta para gravar e escolher o repertório e em 87 é editado o primeiro single que fez muito sucesso. O Amo-te fez muito sucesso e tocava em todas as rádios, catei muito em televisão e comecei com chave de ouro para um cantor romântico.»

«Não sabia gerir as minhas emoções»

 

Gosta de meditar e encontra neste campo um refúgio para o stress do quotidiano. Atualmente afirma que chega a meditar durante seis horas. No entanto, não foi por acaso que se apaixonou por esta atividade. «Tive uma depressão nervosa aos 20 anos», confidencia, explicando: “Eu não sabia gerir as minhas emoções. Queria ser cantor, sofri de ansiedade, depois tinha a faculdade e não soube equilibrar as emoções. Depois tudo começou a desabar. Só descobri isto quando entrei num curso de gestão emocional a fazer relaxamentos físicos. Estudei e li muito sobre isso. Depois descobri que quando fazia o relaxamento físico eu ficava bem disposto e calmo. Andava tudo zen.»

De acordo com José Alberto Reis foi a incerteza em relação ao futuro que o atirou ao abismo. «Eu estudava engenharia, mas com a guitarra ao lado. Já tinha assinado um contrato, mas não vinham as respostas para gravar e isso provocou-me muita ansiedade. Os 20 anos foram difíceis. Depois da puberdade queria-me encontrar», recordou, revelando como acabou por superar este período negro. «Cheguei a tomar medicamentos depois encontrei uma ferramenta o karaté onde libertava as energias e isso foi bom para mim. Hoje nado, faço piscina e caminhadas e muita meditação.»

A descoberta da escoliose

José Alberto Reis voltou a passar por mais uma prova de fogo. O artista descobriu que sofre de escoliose «atualmente corrigida» com a prática de exercício físico. «Há três anos que não tenho a coluna curva. Se fizer agora uma radiografia a escoliose não existe porque eu corrigi-a com a piscina, nado de costas. Se eu parar daqui a uns anos ela volta a curvar, e tenho que ir ao osteopata. É um problema que afeta muita gente que nem sabe que tem», confidenciou, reforçando como lhe foi diagnosticada esta patologia. «Sempre tive dores desde jovem. Só descobri isso com um osteopata. E foi assim que comecei a corrigir. Há três anos que está direita. Tenho uma vida completamente normal em termos de saúde. Nunca fui operado, tento manter uma alimentação saudável», rematou.

Textos: Telma Santos; Fotos: José Manuel Marques; Produção: Elisabete Guerreiro; Cabelos e Maquilhagem: All About Makeup; Agradecimentos: Ike

 

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