José Condessa fala abertamente das cenas de sexo com homens

Os últimos tempos têm sido intensos para José Condessa, que viu a sua popularidade disparar com a série Rabo de Peixe. O seu nome e imagem fazem sucesso além-fronteiras.

30 Set 2023 | 7:00
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É um dos homens do momento. Se a nível pessoal José Condessa viu a sua relação com Bárbara Branco chegar ao fim, a nível profissional vive uma excelente fase em todas as áreas. O ator é um dos protagonistas de Cacau, a próxima novela da TVI, e faz um balanço muito positivo das gravações. “Propus-me, desde início, a uma energia solar até para “casar” com a energia da Cacau, que tivesse sempre um lado feliz e que encarasse as coisas com alguma leveza. O que nem sempre é fácil, na própria trama da novela, há sempre alguém que está a sofrer, então encontrar essa leveza ou ver o lado bom das coisas mesmo nos maus momentos é o mais difícil nesta personagem”, revela.

Satisfeito com este projeto, José Condessa, de 26 anos, identifica-se com Tiago, o seu personagem. “Tem coisas muito parecidas comigo. Entregamos muito de nós às personagens. Acredito que nos transformamos, que é uma pessoa que não existe, mas tem sempre um bocadinho de nós, ou pelo menos, da nossa forma de ver o mundo, ou de o imaginarmos. Tem muitas coisas de mim principalmente na ideia da viagem, de mundo, de tentar ser feliz e ser solar, mesmo nos momentos mais difíceis. Sei que há muitas coisas em que diverge de mim, em sentimentos, mas que, apesar de ser um herói romântico, que às vezes são aqueles que menos cores têm, este tem muitas cores, e tem muita dor do passado também. Há muito tempo que não fazia uma personagem assim.”

Apesar de ser um rosto bem conhecido na ficção nacional, foi no cinema que saltou para a ribalta. E a verdade é que José Condessa não tem mãos a medir com o sucesso dos filmes Rabo de Peixe e O Estranha Forma de Vida, como revela o próprio. “Foi tudo muito junto. Estrearam ao mesmo tempo, tem sido um momento especial. Foi tudo feito no ano passado, lembro-me de que houve ali muito tempo em que sabemos que a vida está para outros caminhos e temos outros projetos. A questão era como é que o público vai receber tudo? E tem sido muito bonito mesmo ver a forma como os portugueses acompanham isto.”

Cenas gay

O ator mostra-se orgulhoso da sua participação no filme de Pedro Almodóvar, onde ao amor gay está em destaque e salienta: “Acima de tudo é um grande projeto. Percebo esse impacto que muita gente possa ver nesse sentido. É importante que seja, porque já durante muito tempo se escondeu isso. Isto é sobre um amor gay ponto final. Isso tem que ser enaltecido do principio ao fim e o objetivo do Almodovar foi pegar num universo tradicionalmente com uma masculinidade tóxica, é um western, uma força muito macho no sentido às vezes negativo, ou melhor quase sempre. E torná-lo numa coisa ‘e se duas pessoas se apaixonassem neste universo?’ É possível existir o amor. E este é o objetivo do filme. E foi cumprido a partir do momento em que estreámos em Cannes e vimos a reação das pessoas”, conta, afiançando que encarou as cenas gay com normalidade.

“Foi fácil fazer as cenas. Para mim uma cena de sexo, há uma dificuldade inerente seja com um homem, seja com uma mulher. Aí vejo da mesma forma. Estou a servir um propósito artístico e acho errado quem pensa de uma forma diferente, porque isso partiria do princípio de que eu estando com uma mulher não estou a respeitá-la da mesma forma. Que estou a usar a situação para desfrutar o momento… Não faz sentido. É difícil só porque são só cenas de sexo e acho que cada vez mais tem-se tido mais essa atenção e tem-se tido esse cuidado”, revela, explicando.

“Na Netflix, por exemplo, agora fazendo a ponte com o Rabo de Peixe, há essa obrigatoriedade, há um acompanhamento de cenas, nós aqui na novela já fizemos cenas de sexo também com esse acompanhamento. Uma espécie de coordenador de duplo para cenas de ação, mas aqui para cenas de sexo. E acho que isso é muito importante, somos todos diferentes, os nossos corpos são diferentes e aquilo que acho que é o meu limite, e que é o da outra pessoa, se calhar não é. Se calhar pôr uma mão no ombro se calhar não é tranquilo por algum motivo que eu não tenho que saber qual é. É importante que eu saiba para não deixar constrangido durante uma cena. Normalmente não é coreografado, o que nós dizemos é o meu limite, o teu limite. Se há alguma coisa, paramos. Isso é importantíssimo.”

José Condessa mostra-se muito feliz com a popularidade que alcançou e com a visibilidade que o seu trabalho atingiu. “Estou super feliz acima de tudo com o que as pessoas têm tido. Todos os dias recebo dezenas de mensagens. Rabo de Peixe chegou mesmo a muita gente. Eu falo com pessoas de 80 anos que viram Rabo de Peixe e miúdos de 12, 10, que viram. O Quarta-Feira, o Quarta-Feira. Vai ficar para sempre”, salienta, confessando: “ E se há coisa prazerosa como ator para mim é estar na gíria popular. Perguntam-me se é uma coisa incomodativa? Pelo contrário. As pessoas na rua chamam-me Quarta-feira. Acho isso muito bonito, de repente está na cultura popular. O que mais é que um ator pode pedir do que ser recordado pelo seu trabalho? Isso é ser recordado.”

Com o sucesso veio também o assédio através das redes sociais. “Sim, aumentou o assédio feminino e masculino também. O assédio está no meio de muitas mensagens. Mas acima de tudo chegam mesmo muitas mensagens de carinho. De pessoas que não eram o meu público, que nunca me viram. Há quem me pergunte ‘é o teu primeiro trabalho?’. É estranho, porque já trabalho há alguns anos, mas é normal, porque são a geração dos meus sobrinhos que não vê televisão. Recebo mensagens de todo o estilo. Até de coisas que não percebo. Só respondo às de carinho”, revela.

Além da novela, o ator prepara-se para regressar ao teatro. “Sempre fiz teatro e novela ao mesmo tempo. Gosto muito de fazer teatro, já estava a precisar de estar no palco, preciso mesmo de estar ali e precisei de fazer uma pausa a seguir ao Hamlet. Eu nasci no palco. É no TEC, com a Luísa Cruz”, conta.

Craque da bola

Apesar da grande carga horária das gravações, José Condessa sempre que pode vai até Nisa, no Alentejo para joga futsal. “Sempre que posso fujo para o Alentejo. E agora vai começar a nova época de futsal, que não sei como vou conseguir. Eu adoro jogar. É tentar juntar ao útil ao agradável”, conta. Apesar de “vestir a camisola” e dar tudo em campo, o ator está consciente do perigo das lesões numa fase em que é protagonista de uma novela. “

Eles olham para mim, sabem que eu tenho esse trabalho, eles próprios dizem ‘cuidado, não vás áquela bola’, eles também têm esse cuidado. Alguns adversários têm esse cuidado, outros pelo contrário. É como ‘este gajo está aqui a fazer o quê?’. Essa competição positiva faz-me bem e o exercício faz bem a todos, até para a cabeça”, explica.

Texto: Neuza Silva (neuza.silva@impala.pt)
Fotos: Nuno Moreira
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