José Pedro Gomes CONFESSA: «já tenho uma experiência da MORTE»

José Pedro Gomes foi o convidado de Fátima Lopes em Conta-me Como És e fez confissões sobre a infância, os problemas de saúde e a «relação especial» com António Feio.

22 Dez 2018 | 16:12
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O convidado deste sábado, 22 de dezembro, de Fátima Lopes no programa Conta-me Como És é José Pedro Gomes.

Um homem de 66 anos, com «mais de quarenta anos dedicados à representação» e com uma vida reflexo de quem já «fintou a morte mais do que uma vez».

O humorista abriu o coração para, numa conversa intimista, revelar algumas inconfidências da sua infância, dos problemas de saúde que o atiraram diversas vezes para uma cama de hospital e da «relação especial» que manteve durante anos com António Feio.

José Pedro Gomes nasceu em Lisboa e viveu a sua infância na casa dos pais na Encarnação. O humorista é o filho mais novo, tendo uma irmã mais velha com 15 anos de diferença de si.

«Eu fui um engano», refere, por considerar que foi um filho não programado. Sobre os pais, José Pedro recorda: «Uma memória que eu tenho é de eles sempre a discutirem. Não se davam lá muito bem.»

Apesar de algumas memórias menos bonitas da infância, o humorista recorda a infância de uma forma feliz. As traquinices e brincadeiras passadas entre amigos na rua garantiram-lhe boas recordações.

 

«Tirei uma quantidade de peneiras e conheci mundos»

 

Foi aos 17 anos que José Pedro começou «a consumir teatro» mas sem grandes perspetivas de futuro. O humorista viu-se obrigado a emigrar para França, onde viveu durante quatro anos, e conhecer realidades diferentes da sua.

«Trabalhei em fábricas. Foi muito importante porque tirei uma quantidade de peneiras e conheci mundos. Eu não conhecia outras maneiras de viver se não a minha: Portugal cinzento. Uma coisa que percebi é que havia países a cores», conta.

 

A amizade com António Feio

 

Sobre as amizades e as relações que foi construindo ao longo da sua vida, José Pedro revela que «queria ser gostado» e que, por isso, acabava por se «rescindir de coisas que sentia», acreditando que será daí o seu «mau feitio».

«Eu gosto de gostar de pessoas. Agora não gosto é de todas. É daí que vem o mau feitio», afirma.

Mas se de sentimentos fortes e sinceros se fala, Fátima Lopes não poderia deixar de questionar o humorista sobre a amizade verdadeira que manteve, durante anos com António Feio.

«Com o António tinha uma relação especial. Se calhar de irmãos. Nós tivemos uma relação muito intensa, durante muitos anos, onde nos fomos encaixando.

Eu era o tipo que reagia mais às coisas. O António era o tipo com mais cabeça», confessa.

Para José Pedro, a descoberta de que o amigo estaria prestes a morrer, vítima de um cancro no pâncreas, foi um choque. O humorista confessa que lidou «um bocado mal» com a situação, assumindo: «É uma coisa injusta essas porcarias. Não gostei nada. Andei ali a bater mal porque é dificil a gente ver uma pessoa a degradar-se.»

Sobre a doença do amigo e a morte, José Pedro refere: «já tenho uma experiência da morte. Eu tenho um humor muito negro. Morrer é uma coisa tão natural como estar vivo.»

 

«Quando eu tive o aneurisma saí de lá maluco»

 

José Pedro sofreu um aneurisma em 2005.

«Quando eu tive o aneurisma saí de lá maluco. Eles diziam, disse a psicóloga: «Não sabemos quem é ele, neste momento, nem sabemos como é que vai ficar», conta.

Pai «ausente»

 

Com a família que construiu sempre presente, José Pedro mostra-se orgulhoso dos que tem consigo. Contudo, existem erros que o passado não apaga.

Sobre a relação com a filha mais velha, Marta de 44 anos, fruto de um casamento anterior do humorista, José Pedro acredita ter sido «um pai porreiro» mas «muito ausente».

«Acho que fui um pai porreiro até à altura em que me separei da mãe. E depois muito ausente. Culpo-me. Ser um pai porreiro não é bom, não é a coisa certa. Ser pai é dizer que não e eu tinha a ideia de que se ela me perguntava se era assim que se devia fazer eu dizia: «há esta maneira de fazer mas também há esta». Isto é desorientador. E ela já me disse isso», revela.

No entanto, a experiência de vida e a maturidade levaram o humorista a perceber o que era realmente ser um bom pai e não cometer os mesmos erros.

Com o filho André, de 23 anos, fruto da relação de mais de 20 anos que mantém com Cláudia Belchior, José Pedro mantém uma relação próxima e de alguma cumplicidade. Partilham a mesma «teimosia».

Texto: Redação WIN – Conteúdos Digitais; Fotos: DR

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