Laura Dutra fala sobre cena de violação em Nazaré: «O meu objetivo era ajudar alguém»

A atriz que faz de Ana em Nazaré, da SIC, esteve no Alta Definição e falou da cena que mais a marcou. Falou também da família e das suas preocupações com o planeta.

06 Set 2020 | 22:20
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Laura Dutra, uma das grandes revelações da novela Nazaré, da SIC, deu-se a conhecer este sábado, 5 de setembro, no programa Alta Definição. Em entrevista a Daniel Oliveira, a jovem atriz, de 22 anos, confessa que não tem dúvidas que quer representar «até ao fim da vida».

Laura deu os primeiros passos na representação com teatro infantil e a fazer publicidade e, depois de vários castings em televisão, acabou por ter oportunidade na novela Rainha das Flores. Desde aí, nunca mais saiu de cena.

«Sempre [quis fazer isto]. A arte sempre esteve muito presente na minha família. Quer do lado materno, como no lado paterno. Eu comecei nos anúncios publicitários quando era muito miúda e foi aí que comecei a perceber que era isto que queria. Do mundo audiovisual. Depois, mais tarde, com 12 anos, inscrevi-me num curso de teatro. Ajudava nos bastidores. Limpava o chão, ajudava as atrizes a trocarem de roupa, fiz de árvore uma vez a peça inteira e isso ajudou-me muito. Depois de perceber o meu esforço e trabalho, convidou-me [o diretor] para fazer uma peça e foi aí que começou», desvenda.

Atualmente, é no papel de Ana, na novela da SIC Nazaré, que Laura Dutra dá nas vistas. Um papel de grande destaque, até porque a personagem acaba por ser vítima de uma violação. «A primeira coisa que pensei foi: ‘não posso abordar isto de forma subtil. Eu tenho que chocar. Isto é real porque estas coisas acontecem diariamente e ter o poder de conseguir representar este trauma e este processo todo foi muito importante para mim enquanto pessoa e enquanto atriz».

«A nossa profissão não é apenas entreter»

Com uma história tão forte na novela da SIC, Laura espera ajudar alguém com o seu trabalho: «O meu objetivo principal era ajudar alguém que já passou pelo mesmo, ou por algo parecido, a falar. Acho super importante não guardar isso para nós e a Ana conseguiu falar com a mãe», revela para depois confidenciar: «A nossa profissão não é apenas entreter ou fazer companhia. É também comunicar e informar. É ter uma voz. Quanto mais real fosse, melhor ia ser entendida».

Com 22 anos, Laura garante: «É isto. De certeza». No entanto, não se deixa iludir. «Tenho muita coisa para aprender, para melhorar. Eu vejo as minhas cenas e sinto que há sempre alguma coisa que posso melhorar. Gosto muito de criticas, principalmente construtivas», continua.

«É muito bom saber que as pessoas gostam realmente do teu trabalho e está a ser um processo muito bonito, porque acho que estou a crescer. Tenho tido muita ajuda de vários atores, realizadores e da equipa técnica. Têm me dado um grande apoio e motivação e estou realmente a sentir que é isto e que estou a fazer o certo», diz, acrescentando: «Quero muito fazer projetos enquanto profissional e enquanto pessoa que eles [os pais] digam: ‘esta é a minha filha’», confidencia.

A união com os pais

Laura não esconde o orgulho que sente pelos pais e garante que não existem assuntos tabu em casa. «Sempre me incentivaram. São muito liberais e o facto de sermos só os quatro [o pai, a mãe, o irmão e ela] criou uma base de união muito forte. Nunca houve um assunto tabu em casa, fosse sexo, drogas, religião… E sempre foi muito fácil dizer aos meus pais o que queria fazer, porque eles confiavam e iam respeitar todas as minhas decisões. Sinto que os meus pais são muito meus amigos. Não há nada que eu não consiga perguntar. Se tiver alguma opinião que eu queira que eles saibam, alguma decisão que eu quero fazer, vai sempre passar pela opinião deles. Sempre», conta.

Laura revela também que, embora os pais sejam brasileiros, nunca teve problemas em falar correctamente o português. Até porque sempre teve contacto, desde pequena, com a língua. Ainda assim, admite ter saudades do avó (que está Brasil) e que sente falta do lado feminino, uma vez que não chegou a conhecer as avós.

«O meu avó materno tem 86 anos e eu via-o de quatro em quatro anos. Tive a sorte de ter os meus avós adotivos que taparam um bocado esse lado emocional. Por exemplo, as minhas avós morreram as duas muito cedo. A minha mãe perdeu a mãe dela com dez anos e o meu avô nunca superou. Ou seja o meu avô viveu de luto até hoje e queria ficar no Brasil. Sempre foi muito solitário, porque dizia que ia morrer ao lado da mulher. Não consegui ter uma relação familiar, principalmente com o lado feminino e sinto falta disso. De as ter conhecido».

«Sou um bocadinho antiquada para o século onde vivo»

Laura revela ser uma jovem completamente fora da caixa e que, ao contrário do que acontece normalmente, tenta manter-se afastada do mundo digital. «Procuro, o mais possível, sair do mundo digital. Sou um bocadinho antiquada para o século que onde vivo. Eu sinto isso. Esta explosão tecnológica é muito perigosa e está a contaminar as pessoas. Sinto que hoje é mais importante tirares uma fotografia do teu jantar e colocares na tua rede social do que realmente aproveitar e usufruir desse jantar. Acho que as pessoas estão a perder a sua identidade, a sua verdade, a sua simplicidade e eu tento afastar-me ao máximo disso».

Assim sendo, usa alguns métodos para se afastar desse mundo: «Viajo muito e faço a costa alentejana com os meus amigos. Vou acampar e normalmente levo aquele telemóvel que só dá para chamadas e mensagens exactamente para me desconectar».

«As mentalidades têm de mudar»

Ligada à natureza, Laura conta que tem apenas uma preocupação sobre o futuro. Preocupa-a, não só o mundo digital, como também as situações climáticas. «Se tivesse uma pergunta seria: ‘Como estará a situação mundial daqui a 20 anos?’. Não a minha situação. Preocupa-me mais o mundo neste momento do que a minha. As situações climáticas, a falta de preocupação com o meio ambiente. Sempre fui muito ligada à natureza. Fui escuteira durante dez anos. Se vir lixo na praia, eu vou apanhar porque eu sei que vai para os oceanos e algum animal vai ter contacto. As mentalidades têm de mudar, porque o mundo não é nosso. Fazemos parte do mundo».

 

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Texto: Márcia Alves; Fotos: DR

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