Lembra-se do BAR DA TV? Ediberto Lima revela TUDO sobre o ESCÂNDALO!

18 anos depois, Ediberto Lima revela todos os bastidores de Bar da TV, o polémico reality show que conseguiu bater o rival Big Brother. «Hoje não faria isto».

23 Mai 2019 | 17:37
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Ediberto Lima explicou, em entrevista a Rui Unas, porque é que abandonou a produção do reality show da SIC Bar da TV e revelou os bastidores do episódio mais polémico do programa apresentado por Jorge Gabriel.

Portugal, maio 2001. A SIC tenta desesperadamente combater o furacão Big Brother, líder de audiências. Ediberto Lima, o pai do Big Show SIC, Buereré e outros fenómenos televisivos, cria o Bar da TV, um reality show onde concorrentes vivem numa casa e, durante a noite, trabalham e gerem um bar nas Docas, em Lisboa. Há sensualidade, strippers, confusão e… Margarida Gomes, uma jovem inocente de Borba.

«O programa não foi cancelado. A minha produção é que saiu do programa. Depois de 25 anos é o tipo de assunto que não vale a pena mexer», começa por dizer Ediberto, quando questionado por Rui Unas sobre o fim do reality show. O produtor brasileiro recorda o polémico episódio em que os pais de Margarida Gomes entraram em direto para levar a filha para casa, depois de terem visto imagens desta, numa festa, a pegar em brinquedos sexuais.

«Eu tinha estreado o programa e, ao mesmo tempo, tinha o Big Brother na TVI. No primeiro dia, o BB rolou em cima do meu programa. No segundo dia, novamente as minhas audiências foram mais baixas. Estava na produção à uma da manhã, super preocupado a pensar ‘o que é que eu vou fazer para ir buscar audiências?’.», começa por contar Ediberto Lima.

Veja a entrevista 

E eis que o produtor recebe uma chamada que muda o curso do formato. «Era uma produtora minha, a Cristina Santos. Ela diz ‘Ediberto, tenho uma má notícia para lhe dar. Recebi um telefonema dos pais da menina de Borba e eles vão aí amanhã tirar a menina do programa’. E eu respondi: ‘foi a melhor notícia que você me deu!’.», recorda. O produtor pediu para que os pais da concorrente chegassem na noite do dia seguinte mas estes estavam no estúdio do programa ao meio-dia. O que lhe deu tempo para os entreter e preparar aquele se tornaria tema de conversa nas semanas e meses que se seguiram.

«Eu disse-lhes: ‘estive a analisar as imagens e realmente os senhores têm toda a razão’». Depois, Ediberto Lima arranjou manobras de diversão para entreter os pais da concorrente. «Quando o programa começou eu disse ‘vamos entrar para tirar a menina?’». Rui Unas questiona o produtor sobre se os pais sabiam que iam estar em direto para todo o país.

«Não sabiam!», revela Ediberto Lima, entre gargalhadas, recordando que Emídio Rangel, então diretor geral da SIC, lhe disse para entrar em direto juntamente com os pais de Margarida. O resultado? A SIC bateu o Big Brother nessa emissão. «Valeu o sacrifício. É tão simples quanto isso. E eles acabaram por não tirar a menina porque não havia motivos para isso. Nós, que estamos nos bastidores de televisão, muitas vezes somos obrigados a trabalhar a nossa imaginação em busca das audiências», confessou o pai da televisão em movimento.

Recorde O Bar da TV

Rui Unas afirma que Ediberto Lima trabalhava numa lógica de não olhar a meios para atingir os fins «que são as audiências». «Eu posso garantir que nunca fiz e jamais farei um programa que não possa assistir ao lado das minhas filhas», afirma o produtor reconhecendo, contudo que, se fosse hoje, não faria o mesmo. «Hoje tenho outra visão da vida. Observo as mesmas coisas de outra maneira», admite.

 

SIC multada em 2005 por «atentado à dignidade humana»

 

O célebre episódio em que a visita dos pais de Margarida Gomes foi transmitida em direto na SIC aconteceu a 15 de maio de 2001 e gerou uma discussão pública sem precedentes quanto à violação dos direitos de imagem e do bom nome dos concorrentes dos reality shows. O caso chegou até ao Parlamento e chegou mesmo a ser comparado com experiências feitas por nazis.

António Capucho, então líder parlamentar do PSD, verbalizou as críticas mais violentas: «Fez-me lembrar outros tempos de certas experiências feitas pelos nazis a propósito de situações extremas entre pais e filhos.», disse na altura o político.

O caso foi analisado pela extinta Alta Autoridade para a Comunicação Social, entidade que regulava os media na altura e, quatro anos depois, a SIC foi condenada a uma multa de 150 mil euros.

Esta condenação foi baseada na infração do artigo 21 da antiga Lei da Televisão (atual artigo 24), que proíbe a transmissão de conteúdos que atentem contra a «dignidade da pessoa humana, os direitos fundamentais e a livre formação da personalidade das crianças e adolescentes».

 

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Texto: Raquel Costa | Fotos: Arquivo Impala

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