“Limpar casas de banho”. Pedro Barroso recorda internamento para tratar vício de droga

Pedro Barroso entrevistou a mãe para o programa de Júlia Pinheiro, da SIC, e falou sobre os cinco meses em que esteve internado num centro de reabilitação.

12 Mai 2022 | 11:50
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Pedro Barroso recordou o período em que esteve internado num centro de reabilitação, para tratar uma dependência de drogas, e falou da importância que esses meses tiveram na sua vida. As palavras do ator, que foi pai recentemente, surgiram na sequência de uma entrevista que este fez à mãe, Ana Gonçalves, e que foi transmitida no programa de Júlia Pinheiro, na SIC, desta quarta-feira, 11 de maio.

O ponto de viragem na vida de Pedro Barroso, de 36 anos, surgiu quando a avó morreu. “Há uma altura conturbada da minha vida, em que a avó Amélia parte e eu preciso de fazer uma paragem na minha vida. E essa paragem foi feita com a ajuda de muitas pessoas”, começou por dizer. “Foi uma altura em que eu podia ser apontado com um dos melhores atores da minha geração… Eu tinha pensado em desistir, desistir de tudo. É quando a avó Amélia parte que eu percebo que não queria sentir nada e esse é um período muito conturbado, em que eu, com muita ajuda, faço uma paragem e entro em tratamento”, afirmou.

“Hoje em dia, olho para trás e vejo que foi um dos mais bonitos e um dos mais importantes, e recordo com muito carinho todo este período de tratamento, todos os momentos que lá vivi”, disse, acrescentando ainda: “Dentro do processo de tratamento, senti-me muito feliz, porque acho que nunca tinha tido a oportunidade de me entender, de falar abertamente sobre o que eu sentia. O teu papel foi muito importante para mim [dirigindo-se à mãe]… Fazer sentir-me normal, que é possível superar, caminhar de uma outra forma”.

Pedro Barroso estava a gravar “A Herdeira”

Na altura em que entrou em tratamento, Pedro Barroso estava a gravar a novela “A Herdeira”, da TVI, na qual dava vida ao cigano Roni. “Quando me deram 21 dias para eu lá estar, a minha opção foi querer ficar. Eu podia sair quando quisesse, ninguém te obriga, mas eu quis ficar cinco meses. Eu quis ficar e fiquei muito feliz”, contou. “Era altamente exigente estar em tratamento e sair todos os dias para gravar, com a intensidade do projeto que era, um projeto vencedor. Eu gravava muitas horas por dia. Mas eu não me vou esquecer aquele grupo que me ajudou a superar e que me fez sentir igual”.

Era muitas vezes sair do centro de manhã, [depois de] limpar casas de banho, limpar o refeitório, e ir para as gravações, com os atores, mas era dali que eu saía e me sentia sempre muito normal, muito ‘é por aqui que eu quero ir’. Fez-me sentir mais humano, que é uma das coisas que eu sinto falta, mas que aqui, neste cantinho mágico [a aldeia onde Pedro Barroso vive agora], voltei a ter, que é humanizar-me. Os abraços, a sinceridade, a ausência de cagança. É uma das coisas que eu gosto aqui. Aqui sou muito feliz, sou mais humano”.

Mãe de Pedro Barroso: “Tinha vergonha se fosses ladrão”

A mãe de Pedro Barroso também falou sobre esta fase difícil da vida do filho. “É um momento que é difícil, para todos os pais, para a família, mas eu às vezes imaginava que tinha ficado sem braços. Não tens braços para ajudar, para puxar… Há um lado meu que se parte, há um lado de impotência, de não querer pensar. Mas ao mesmo tempo há um lado melhor que é acreditar na vida e desistir raramente é opção para o que quer que seja. Fiquei triste por ti”, disse Ana Gonçalves, sublinhando que nunca sentiu vergonha do filho.

Eu não conheço ninguém que não tenha batido de frente no mundo uma vez na vida, que não tenha chorado, mas nunca aceitei que tu desistisses (…) O resto posso te dizer assim não tive vergonha. Tinha vergonha se fosses imbecil, ladrão ou criminoso (…). Já perdi pessoas que me foram queridas, mas, quanto a ti, não quis aceitar que desistisses do que quer que fosse. Sinto-me muito grata por teres tido essa força interior de seguir em frente”.

Texto: Patrícia Correia Branco; Fotos: Reprodução redes socais

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