EXCLUSIVO! Ator diz que «qualidade de vida de Tozé Martinho se foi degradando»

Tozé Martinho partiu cedo demais, diz o também ator Luís Aleluia em declarações à TV 7 Dias. O intérprete lamenta a «fatalidade já previsível» que ceifou a vida do argumentista no passado domingo.

18 Fev 2020 | 9:55
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O percurso na ficção era longo, quer como ator, quer como argumentista. E ninguém lhe tira o mérito pelos sucessos que foi assinando ao longo de décadas, nomeadamente para a TVI, canal para o qual escreveu, entre 2005 e 2006, a novela Dei-te Quase Tudo, a mais vista de sempre na televisão portuguesa. Tozé Martinho morreu, no passado domingo, aos 72 anos, não resistindo a uma paragem cardiorrespiratória. As complicações já se vinham arrastando, contudo, de há dois anos para cá.

Em declarações à TV 7 Dias, o também ator Luís Aleluia recorda que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) que atingiu Tozé Martinho, há dois anos, «foi um pouquinho o início de toda esta fatalidade, já previsível».

«Ele não recuperou do AVC. A qualidade de vida foi-se degradando… Encontrei-o há não muito tempo e pronto… Ia-se degradando. Não conseguiu dar a volta à situação, infelizmente», lamenta Luís Aleluia, para quem a notícia da morte do ator e argumentista lhe causou «uma tristeza muito grande». Afinal, «ele era novo demais para morrer». «Vou ficar com saudades do Tozé», reforça à nossa revista.

Apesar do desalento pela partida precoce de Tozé Martinho, Luís Aleluia refere que «foi muito gratificante» trabalhar diretamente com o ator, com quem, imagine-se, se estreou no pequeno ecrã com «um pequeno papel». «Foi com ele que comecei. A primeira vez que fiz televisão foi em Os Homens da Segurança, com o Rogério Paulo, o Nicolau Breyner e o Henrique Santana», recorda o ator, referindo-se à série que a RTP1 transmitiu quando corria o ano de 1988. Há 32 anos, portanto.

«Depois, ainda tivemos outros projetos. O Sétimo Direito, com a Cláudia Cadima, o Henrique Santana, o Carlos Quintas e a Rita Ribeiro, marcou-me muito. Foi muito bom.» A série, também de 1988, era produzida pelos estúdios Atlântida, de que Tozé Martinho era fundador.

No final, e passados tantos anos, só ficam as boas recordações. «Foi sempre um homem muito cortês, muito educado, que sempre nos tratou bem. Além de que se perde um bom argumentista e um homem de televisão, que lutava pela indústria do audiovisual, sobretudo pela nossa independência. Nós importávamos muitas telenovelas, porque ao princípio não tínhamos essas qualidades que, felizmente, temos hoje», avalia, louvando ainda a «continuidade de se fazer e de se insistir» que sempre encontrou em Tozé Martinho.

 

Afastado da televisão há oito anos

 

Com uma longa carreira em teatro e televisão, Tozé Martinho estava afastado do pequeno ecrã desde 2012, quando assinou a história da novela da TVI Louco Amor, de cujo elenco também fez parte. Naquele canal, foi ainda o autor das novelas como Todo o Tempo do MundoOlhos de ÁguaA Outra e Sentimentos.

Em comunicado, a estação de Queluz de Baixo recordou Tozé Martinho como um homem «pioneiro da indústria das novelas portuguesas», cuja «longa carreira inspirou os guionistas nacionais», «abrindo portas para uma atividade que hoje mobiliza centenas de pessoas».

«Ator, além de autor, tornou-se numa figura familiar que deixa saudades a todos com quem se cruzou durante décadas», salientou ainda a TVI, não sem antes recordar uma das frases mais marcantes do argumentista: «A história de uma novela conta-se numa caixa de fósforos». Terminou endereçando à família de Tozé Martinho «sentidas condolências». O autor, recorde-se, deixa dois filhos.

O corpo de Tozé Martinho está a ser velado desde as 14 horas de segunda-feira, na Igreja da Ressurreição. O funeral está marcado para esta terça-feira, no Cemitério Municipal da Guia, também em Cascais.

 

Percorra a galeria para ver as imagens do velório!

 

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Texto: Dúlio Silva; Fotografias: Arquivo Impala

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