Mal-Amanhados: Luís Filipe Borges concretiza sonho com mais de 20 anos!

Mal Amanhados – Os Novos Corsários das Ilhas, marca o regresso de Luís Filipe Borges à televisão. O documentário estreia-se hoje na RTP Açores e é uma carta de amor ao arquipélago de onde é natural.

16 Abr 2020 | 18:50
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Luís Filipe Borges regressa esta quinta-feira, 16 de abril, à televisão. O humorista, apresentador e guionista estreia Mal Amanhados – Os Novos Corsários das Ilhas, um documentário onde, ao longo de 10 episódios, são retratadas as 9 ilhas do arquipélago onde nasceu.

O projeto, que começou a ser elaborado há quase três anos, nasceu há duas décadas, fruto de conversas entre Luís Filipe Borges e Nuno Costa Santos. Juntou-se-lhes Alexandre Borges, irmão do humorista e o resultado, como o próprio diz, é uma carta de amor ao arquipélago.

 

Este programa é uma declaração de amor à sua terra natal.

Sim, é isso mesmo. Começou por ser uma fantasia que tenho há meia vida. Isto vem dos 21 anos, quando conheci na Faculdade de Direito o Nuno Costa Santos, que se veio a tornar um grande amigo. Na altura começámos a fantasiar com isto sem sequer sabermos que a nossa vida haveria de passar pelo audiovisual.

Na manhã dos meus 40 anos acordei literalmente obcecado, a pensar ‘isto não acontece se uma pessoa não se chegar à frente’. Comecei a trabalhar em pôr isto de pé. Foram 15 meses de pré-produção, fazer muitas viagens, bater a muitas portas, candidatar-me a apoios, receber nãos, em alguns casos indiferença e, felizmente, muitos sins.. A rodagem, que estava a acontecer há exatamente um ano, teve 47 dias. Os 10 episódios são um em cada ilha e o 10º episódio é uma viagem supersónica por todo o arquipélago.

Em cada ilha, eu e o Nuno temos uma missão que é, basicamente, um pretexto para conhecer as pessoas que lá vivem e que nos tentam transmitir o espírito de cada um destes territórios ilhéus. Uma curiosidade: isto é feito com material técnico muito bom. Para conseguir esse material escrevi uma longa metragem para um produtor, o Hugo Albuquerque. Ele tem material fantástico e, quando chegou a altura de falarmos de dinheiro, eu disse-lhe ‘não quero nada. Eu vou filmar assim e assado, nestas datas assim e preciso daquele material’. Apertámos as mãos e foi assim.

Trabalha com o seu irmão nesta série.

Sou suspeito mas o meu irmão é um belíssimo argumentista. Curiosamente é raríssimo trabalharmos juntos. Acho que já não fazíamos qualquer coisa assim pelo menos há 10 anos. Como excelente argumentista e açoriano, fazia todo o sentido. Os guiões são escritos por mim, por ele e pelo Nuno Costa Santos. O roteiro foi-se alterando com magníficas surpresas que foram acontecendo pelo caminho. Eu não tinha previsto, por exemplo, ter música e acabou por acontecer termos um momento musical em todas as ilhas. No episódio de São Miguel filmámos em plena Lagoa das Furnas filmámos uma atuação da Sara Cruz que, passados 8 ou 9 meses, é eleita maior jovem talento nacional.

O autor da banda sonora geral é o Cristóvam que é só o rapaz que fez o Andrà Tutto Bene, que já deu duas voltas ao mundo. Houve umas coincidências cósmicas fantásticas.

Houve algum momento especial que lhe tenha ficado na memória?

Tantas! No episódio de São Miguel, eu e o Nuno estamos a falar de qual vai ser a nossa missão ali e recordamos a paixão que tínhamos pelo Pauleta, quando éramos mais novos e o Pauleta era um craque e o facto até de, um dia, quase termos andado à porrada com um continental, em Lisboa, que criticava o Pauleta porque não estava a marcar golos na Seleção.

Definimos como sonho dar uns toques com o nosso ídolo. Graças a um dos apoios que consegui no projeto, a Delta Cafés, da qual o Pauleta é embaixador, eles dizem-nos que ele vai estar na ilha exatamente nos dias em que estávamos lá a filmar. O final do episódio somos nós, tristíssimos, numa encosta, e, de repente, o Pauleta aparece do nada e diz ‘como é pessoal, vamos dar uns toques?’. E o episódio acaba connosco a jogar à bola no campo da fundação do Pauleta.

Os Açores é, para a maioria dos portugueses, um território desconhecido.

Sim, apesar de, nos últimos seis anos, os Açores foram a região que mais cresceu no setor do turismo. Comparado com o meu tempo de faculdade, há 20 anos… Quando começámos a ter esta fantasia, era muito despoletada por esse desconhecimento. Nós estávamos na Faculdade de Direito de onde, feliz ou infelizmente, saem 60% das pessoas que vêm a ser deputados da Nação.

Nunca mais me esqueço de um colega perguntar, a uma segunda-feira, ‘então, como está a ilha dos Açores?’. O que é duplamente estúpido: ele achava que era uma ilha só e achava também que eu ia a casa ao fim-de-semana (risos)! Até há relativamente pouco tempo, saía-me mais caro ir a minha casa do que ir de avião à maioria das capitais europeias. Hoje em dia já não sinto desconhecimento mas sim grande curiosidade. Mas mesmo para quem lá foi, conhecer o arquipélago todo é muito difícil. Sinto que há muita coisa que este programa pode ensinar e mostrar.

Há coisas históricas que são fascinantes: Angra do Heroísmo, a minha cidade natal, foi duas vezes capital do reino quando caímos sob o domínio filipino. Angra resisiu a duas invasões espanholas. E, mais tarde, no confronto entre absolutistas e liberais, a capital do reino também foi ali. Os primeiros dois presidentes da República eram açorianos. A quantidade de artistas que o arquipélago produz, é fantástica.

Porque é que este programa não passa na RTP1 ou RTP2?

A minha ideia inicial era que o programa começasse na RTP Açores, por dois motivos: pela questão do orgulho, porque há imenso tempo que a RTP Açores não tem um produto de dimensão nacional; o Rui Goulart, que é o atual diretor da RTP Açores, tem sido de um apoio absolutamente entusiástico e até forneceu alguns meios, dentro das condições modestas que a estação tem. O objetivo desde o início sempre foi primeiro RTP Açores, em simultâneo com a RTP Play e, depois RTP1 ou RTP2.

De repente, tiraram o tapete ao mundo. Eu acredito que, provavelmente, vai acabar por ser uma coisa boa para o programa a nível de divulgação. Tenho nas mãos uma coisinha bastante bem feita numa altura em que tudo mudou, as produções foram interrompidas… tenho aqui um produto que passará mais rapidamente a nível nacional do que inicialmente pensado.

Como é que está a gerir a distância da família?

Falo muito com o meu irmão… acho que andamos todos a falar mais com as pessoas de quem gostamos e a carregar os telefones pelo menos duas vezes por dia. Eu era para estar nos Açores nesta altura e não fui. Os nossos pais estão lá e temos amigos em todas as ilhas. Eu fico mais preocupado pelo meu irmão porque, além de ser potencialmente de risco, porque tirou o baço há uns anos e é um bocadinho hipocondríaco, o que também não ajuda (risos).

Só que a agenda da quarentena tem sido absurda! Parece que uma pessoa trabalha mais do que antes! Por um lado, ainda bem. Mesmo que as coisas que a malta está a fazer sejam conteúdos gratuitos, são feitos com um prazer extraordinário, de dar qualquer coisa às pessoas, de nos mantermos vivos e ocupados. Não queria dizer que é uma experiência rica, porque estamos todos a tentar perceber que novo normal é este mas ao menos mantermo-nos ocupados é bom. Faz bem à saúde mental. A minha mulher está – arrisco-me a dizer – feliz. Ela trabalha numa agência de comunicação, entraram em teletrabalho muito rapidamente, ela adora estar em casa. É impressionante a capacidade de adaptação do ser humano. De repente, isto já quase parece normal.

 

Mal-Amanhados estreia-se esta quinta-feira na RTP Açores às  20h45 – hora açoriana, 21h45 – hora continental. O documentário também pode ser visto na plataforma digital RTP Play.

 

Texto: Raquel Costa | Fotos: Divulgação e redes sociais

 

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