Manuela Couto fala sem tabus da morte, das paixões e de como “trava” o envelhecimento

Numa conversa intimista, Manuela Couto abre o coração e confessa que o divórcio ao fim de 30 anos de casamento foi difícil mas está disponível para voltar a amar. Mas não só!

20 Jun 2024 | 14:00
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É um rosto bem conhecido do público e atualmente o público está a vê-la como Luísa, na novela Senhora do Mar. “A Luísa tem sido uma revelação ao longo destes meses. Nós já estamos a gravar as cenas finais e está a ser fantástico, estou muito contente. É muito surpreendente mesmo o rumo que ela leva. O maior desafio desta personagem foi manter uma certa… uma aparente normalidade sendo que ela não é a pessoa que parece e depois vamos perceber porquê e como. Não é aquela mulher de fé que se acreditava. Ela é de fé, mas para além da fé tem outros problemas”, conta, adiantando ainda: “Ela não é malvada. A Luísa é doente, é uma pessoa muito perturbada. Eu no início já sabia que ela tinha estas camadas e que ia cometer algumas coisas nada bonitas.” Uma das caraterísticas da sua personagem é ser uma mãe protetora e a atriz identifica-se com esse lado. “Sim, sou uma mãe protetora e nisso identifico-me com ela e era capaz de matar para salvar os meus filhos sem dúvida. Mas, sim, sou protetora, eu gosto de tomar conta, mas não ando em cima deles. Gosto muito que eles tenham a vida deles, que sejam livres, independentes e que estejam felizes. Mas, sim, faço sopa para eles, faço comida e faço tudo aquilo que eles precisam.”

“Sou muito emotiva”

A paixão pela representação começou aos dez anos e desde então nunca mais parou. Contudo, não teve o apoio da família. “Foi uma chatice. Antigamente era diferente, não é? No início dos anos 80, uma menina com 18 anos, excelente aluna, ir para o teatro, na altura era equivalente, sei lá, era uma coisa muito malvista. Muito, muito malvista. Era uma vida boémia. Era horrível. Desisti da faculdade e para mim era inevitável ser atriz. Os meus pais no início ainda foram ver uns espetáculos em Setúbal, mas foram aceitando e percebendo que eu não me tinha perdido e não andava na má vida. Mas é compreensível, estava na faculdade e os meus pais queriam que eu tivesse uma vida estável”, partilha, acrescentando ainda: “A minha mãe morreu há quatro anos e o meu pai há sete, mas não manifestavam muito o orgulho. Eram pessoas muito discretas e muito secas ao nível das emoções. Eu não sou nada assim. Sou uma mulher emotiva. Sou muito emotiva e digo o que tenho a dizer e manifesto muito as minhas emoções, até porque é a natureza do meu trabalho, da minha profissão. Os meus pais, não. Não era só uma questão geracional, era mesmo uma questão de feitio, eram pessoas muito austeras.” E a infância não foi fácil. “Foi cheia de regras, às quais eu estava sempre a falhar e a levar tareia. Mas pronto, tinha que ser, não dava para cumprir com aquilo tudo. Era demasiado. E, quando chegou a altura de perceber aos 18 anos fui com aquilo para a frente. E era complicado, quer dizer, no início dos anos 80, o que é que havia? Eu estava em Setúbal, nem sequer vivia em Lisboa. Havia uma companhia de teatro em Setúbal, onde eu fui pedir emprego, depois fui para o conservatório, fiz os quatro anos de curso e depois o João Mota levou-me, literalmente, para a Comuna, onde estive 15 anos.”

O avançar da idade

Aos 60 anos, Manuela Couto afiança que não sente o peso da idade, mas há dias mais difíceis que outros. “Lido umas alturas melhores do que outras, mas por acaso os 60 não foi assim o mais impactante, nem os 50. Há dias e há alturas que é mais complicado. Mas senti mais a chegada dos 30. Lembro-me que para mim foi uma fase assim um bocadinho difícil. Agora a energia já não é a mesma, tenho medo de ir a correr e aleijar-me, por exemplo. Mas é bom ter 60 anos, primeiro porque significa que não morremos jovens e estamos cá com saúde e a trabalhar. A idade é uma aprendizagem.” Para se sentir melhor, a atriz não dispensa alguns procedimentos estéticos. “Faço de seis em seis meses com o Dr. Vítor Figueiredo e estou muito feliz com os resultados. Os tratamentos não são muito invasivos, porque atuam no atenuar das rugas, no aspeto da pele. Servem para recuperar o oval do rosto sem cirurgia. Ele dá injeções com produtos diversos. Já fiz também até com o plasma, que eles retiram um bocado de sangue. Estou muito contente com o resultado e sinto-me bem.”

Leia a entrevista completa na edição da TV 7 Dias já em banca.

 

TV 7 Dias

Texto: Neuza Silva (neuza.silva@impala.pt)
Fotos: Tito Calado e Divulgação SIC
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