Manuela Moura Guedes lança críticas a jornalistas: «Há que ser submisso e obediente»

Sem mencionar o nome de Ana Leal, que viu uma reportagem adiada na TVI, Manuel Moura Guedes critica submissão da maioria dos jornalistas portugueses e lança farpas a diretores de informação.

27 Mar 2020 | 11:12
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Esta quinta-feira, 26 de março, Ana Leal tornou público que uma investigação sua tinha sido adiada, não tendo ainda data de exibição na TVI. A investigação, sobre falhas no Sistema Nacional de Saúde durante este período crítico, não foi exibida mas a estação de Queluz de Baixo recusa a ideia de «censura».

Manuela Moura Guedes, que já trabalhou com Ana Leal na TVI e com quem mantém uma relação de amizade, veio a público arrasar a submissão do jornalismo português. A ex-jornalista, que foi durante vários anos o rosto do extinto Jornal Nacional da TVI, não poupou críticas, inclusive aos 3 diretores de informação dos canais generalistas.

«Em países civilizados , desenvolvidos só há uma forma de fazer jornalismo. Contar os factos que se apuraram seguindo todas as regras que permitem conhecer a VERDADE sobre eles. Em Portugal não é assim. Há quem faça esse jornalismo ( aves raras em processo acelerado de extinção) mas a tendência altamente valorizada é de quem “entende ” e protege o Sistema. Se há uns senhores que estão no Poder é porque são bons ou então não estavam lá! E ,como mandam , há que ser submisso e obediente não vá a vida correr mal», critica Manuela Moura Guedes.

A jornalista continua, dizendo que as carreiras no mundo do jornalismo são construídas na base dos «contactos». «Esta corrente pujante do jornalismo português dá belas carreiras . Não é preciso fazer-se esforço no jornalismo que questiona e investiga, aliás é mesmo um handicap, investe-se é nos contactos, bons contactos , daqueles que dão frutos. Depois, chegar ao topo é trigo limpo», explica.

Sem mencionar o nome dos diretores de informação dos canais generalistas (António José Teixeira, da RTP, Ricardo Costa, da SIC que, recorde-se, é irmão do primeiro-ministro António Costa e Sérgio Figueiredo, da TVI), Manuela Moura Guedes afirma, no entanto, que há exceções. «Veja-se,por exemplo, os casos de quem está à frente da Informação das 3 estações de televisão. Às vezes nem é preciso alimentar contactos …vem do berço. É claro que há uns que exercem este tipo de jornalismo de uma forma mais inteligente que quem vê ,muitas vezes, pensa tratar-se do outro jornalismo, o da Verdade. Outros são apanhados nas curvas».

Manuela Moura Guedes foi, entre 2018 e 2019, comentadora da SIC. A jornalista, que tinha uma rubrica no Jornal da Noite, A Procuradora, chegou a afirmar que foi afastada do ar devido a «pressões», algo que foi desmentido pela SIC. Na sua missiva, a ex-jornalista da TVI, afirma que a submissão é mais notória em «momentos de crise». «Quando são mais evidentes as fragilidades do Sistema e de quem está no Poder. É nessas alturas que se faz o toque de alerta às tropas para que todos marchem à mesma ordem. Quem não estiver na linha , sai!», conclui.

 

Texto: Raquel Costa | Fotos: Arquivo Impala

 

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