Marco Costa sobre o pai: «Tenho a mágoa de não poder partilhar com ele o que eu tenho»

Marco Costa falou numa entrevista intimista com Fátima Lopes sobre a separação dos pais, a profissão que aprendeu com o progenitor e o desejo de ser pai.

15 Fev 2020 | 17:20
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Marco Costa esteve à conversa com Fátima Lopes no programa Conta-me Como És emitido este sábado, 15 de fevereiro, onde recordou a infância, falou da perda do progenitor e da participação na Casa dos Segredos.

«Brinquei muito na rua. Fazíamos muitos disparates, jogávamos às escondidas… Tive uma excelente infância», começa por revelar o pasteleiro, que afirma que já em pequeno pensava em ganhar dinheiro. «Lembro-me de ser pequeno e convencer a minha irmã, Soraia, que tínhamos de ganhar dinheiro. Apanhávamos flores e íamos bater à porta dos vizinhos. Uma vez, a minha mãe obrigou-me a ir devolver o dinheiro todo», diz.

Marco Costa aproveita ainda para confidenciar à amiga que só cresceu com esta irmã. «Cresci só com a Soraia. Tenho outras irmãs mais velhas, a Sónia e a Beatriz, de outras mães», conta.

 

«Tinha seis anos quando os meus pais se separaram»

É também no seguimento desta conversa que Marco Costa recorda a separação dos pais que teve lugar na altura em que este tinha seis anos. «Tinha seis anos quando os meus pais se separaram.Tenho memórias deles em separado. O meu pai teve uma altura menos boa na vida dele, e mesmo quando estavam juntos, já faziam vidas separadas. Eu fiquei com a minha mãe e com a minha irmã», afirma.

Quando a separação aconteceu, a mãe do pasteleiro teve que lutar para conseguir dar a melhor vida possível aos filhos. Marco fala desses momentos com orgulho na progenitora que diz ser uma «mãe guerreira».

«A minha mãe era cabeleireira, trabalhava numa fábrica de sanduiches, teve vários empregos. Quando ouço falar em mãe guerreira, é ela. Não me podia dar uns ténis de marca, mas não andava descalço. Não podia ir jantar fora, mas comia em casa. Não é preciso mais para ser feliz. A vida é como é. Aprendi a valorizar as coisas. Claro que eu hoje em dia já posso comprar um bom relógio. Mas se não tiver, sou feliz à mesma», diz.

«O meu primeiro carro foi um Fiat Uno, que custou 100 euros. Este carro levava-me ao mesmo sitio que o meu carro de hoje me leva. Aprendi a ser feliz com outras coisas», acrescenta ainda.

 

«Aos aos 15 deixei a escola e fui trabalhar»

Marco Costa começou a trabalhar quando tinha apenas 12 anos, mas não vê esta fase da sua vida como uma coisa negativa, muito pelo contrário. «Comecei a trabalhar com 12 anos, ajudava na fábrica com o meu pai à noite e estudava de dia. Depois, aos 15 anos, deixei a escola e fui trabalhar como ajudante de pasteleiro, para uma pastelaria em Odivelas. O meu pai trabalhava lá. Ainda bem que comecei a trabalhar cedo», começa por referir.

«Ainda entrei para o 10º ano, mas ou estudava ou ganhava dinheiro. E tirar dinheiro onde ele faz falta… não podemos ser todos doutores. Mas no que fizermos, temos de ser bons. Fui tirar um curso de pastelaria. Foi o melhor que eu fiz», confessa.

 

«Gostava de poder agradecer ao meu pai»

Uma das fases mais complicadas chegou quando o pasteleiro completou a maioridade, altura em que o progenitor morreu. É precisamente desta altura que o marido de Vanessa Martins fala com alguma mágoa, principalmente por não conseguir partilhar, atualmente, as suas conquistas com o pai.

«Tenho uma mágoa muito grande. Vejo-me a conquistar coisas que gostava de poder agradecer ao meu pai. Quando ele faleceu, eu não tinha nada. Ele não me deixou nada, mas deixou-me tudo. Deixou-me a minha profissão. Eu sou o que sou porque o meu pai me ensinou», diz, acrescentando que «foi chato», mas que, hoje em dia, é um «grande homem». «E tenho a mágoa de não poder partilhar com ele o que eu tenho. Mas estou tranquilo, ele fez um grande trabalho. Os meus pais fizeram um grande trabalho. Eu sei que sou um grande homem».

 

«Havia pessoas que tinham um ego maior do que a casa»

Parte marcante da sua vida foi a participação na segunda edição da Casa dos Segredos. Marco recorda esta experiência como «uma escola».

« A Voz teve um papel muito importante na maneira como as pessoas me viram. Eu não consigo estar com pessoas que se acham mais do que alguém. Para mim, é igual se tu ganhas um milhão. Lá dentro, havia pessoas que tinham um ego maior do que a casa. Só me apetecia partir aquilo tudo. Ninguém é melhor do que eu. A voz falava muito comigo. A minha postura mudou. Para mim, a casa foi mais uma escola muito importante para a pessoa que eu sou hoje», confidencia.

 

«Sonho muito ser pai. Acordado é quando eu sonho mais»

É de conhecimento público que Marco Costa e Vanessa Martins há muito que querem aumentar a família, algo que, por razões de saúde, ainda não aconteceu. Sobre este desejo, o pasteleiro diz que «a vida só faz sentido se deixarmos o nosso legado».

«Sou muito de proteger, de cuidar, eu sei o que é estar sozinho. Um tratar bem pode mudar a vida de uma pessoa», começa por dizer. «Sonho muito ser pai. Acordado é quando eu sonho mais. Quando vejo uma barriga, um bebé pequeno…Quero lá saber se seja um menino ou uma menina, eu quero é que venha com saúde. Quero muito ser pai. A vida só faz sentido se deixares o teu legado. Quero transmitir, passar aquilo que em passaram. Ou ainda mais, melhor e com mais condições. Acho que não há nada melhor na vida. Eu já viajei, já fiz um pouco de tudo, mas ser pai ainda não fui. E é o que eu mais quero», reflete.

 

«É sonhador, é o meu melhor amigo»

Depois de reflexões e revelações profundas, Fátima Lopes quis surpreender Marco Costa com mensagens de entes queridos. Vanessa Martins foi a primeira e falou sobre o dia em que se conheceram e reconheceu muitas parecenças com o marido.

«Já o conhecia da Casa dos Segredos. Acompanhei a temporada dele e anos depois encontrei-o numa discoteca em Lisboa…trocámos algumas palavras e nunca mais nos largámos», conta. «Escolhi-o para ser a pessoa mais importante da minha vida. Somos bastantes parecidos. Temos os mesmos sonhos,.o nosso caminho é feito lado a lado. É sonhador, é o meu melhor amigo. Somos um casal que funciona», confessa, agradecendo ao companheiro por ser «o melhor do mundo».

 

«A Vanessa é responsável por todo o meu sucesso»

Emocionado com as palavras da mulher, o pasteleiro dá-lhe todo o crédito pelo seu sucesso. «A Vanessa é uma mulher furacão. É a grande responsável por todo meu sucesso. Eu tenho o lado trabalhador, mas a Vanessa é a incentivadora. Ela acreditava em mim quando nem eu acreditava. Antes de conhecer a Vanessa, quando saí da Casa, eu era gozado por ser pasteleiro. Quando conheci a Vanessa, trabalhava numa pastelaria, tinha o meu ordenado normal. Vanessa começou a dizer-me que eu não podia ser um pasteleiro qualquer. Tinha de ser o pasteleiro. Então, comecei a fazer bolos em casa. Ela é uma visionária. Sozinho vais mais rápido, mas em conjunto vais mais longe», confessa. «Eu dou-lhe a proteção, que era o que ela não tinha, a família. Nós completamos-nos.Temos uma relação que eu quero que seja para sempre», continua.

Texto: Inês Marques Fernandes com Patrícia Correia Branco; Fotos: Instagram

 

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