Marco Horácio faz alerta: “Não se pode estrangular o humor”

Para além de Salve-se Quem Puder, na SIC, o humorista está a fazer mais oito programas de Levanta-te e Ri, mas, ameaças de morte e censura, têm afastado humoristas da televisão.

09 Jul 2023 | 9:07
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Com quatro programas gravados e mais oito a caminho, Marco Horácio volta em força com o Levanta-te e ri, desta vez na Opto, a plataforma de streaming da SIC. Mas o humorista revela que a vida de humorista não está fácil e fala numa perseguição à classe, onde não faltam ameaças. Hoje faz-se rir, mas com mais contenção, sobretudo em televisão.

“A mim não me faz muito sentido, porque acho que o humor é uma forma de arte. É como terem dito ao Miguel Ângelo, não use tantos azuis ou tantos vermelhos porque a gente não gosta”, ironiza. Mais a sério diz que “o humor é visto muitas vezes algo ofensivo, e não é. É das maiores armas que nós sempre tivemos para criticar regimes, maus comportamentos e o humor tem esse objetivo, para além de ser divertido, é pôr o dedo na ferida.”

A sua reflexão não é partilhada por muitos, sobretudo ao nível das redes sociais, onde as coisas não estão fáceis. “Se o 25 de abril aconteceu, não se pode estrangular o humor como se está a fazer neste momento nas redes sociais, com ódios, com ameaças de morte aos humoristas, às famílias. É uma coisa que é impensável”, denuncia.

“Se queremos chegar a algumas pessoas temos de nos conter um bocadinho”

Resta-lhe o consolo dos artistas que “não se deixam amordaçar e ainda bem. Como é óbvio, nós para televisão temos de perceber que estamos a trabalhar para um certo público e se nós queremos chegar a algumas pessoas temos de alguma maneira de conter um bocadinho, mas não perder a nossa identidade.” Mas isso não é bem visto por todos os profissionais do riso que se afastam da televisão.

Há muitos humoristas que se recusam a ir à televisão porque não querem abdicar da sua forma de fazer humor e eu respeito isso, porque pode ceder-se ou não”, alerta. No caso dele, aposta na flexibilidade por um bem maior. “Eu gosto sempre de ceder um bocadinho, porque ao ceder eu ganho público, não só para mim como para os outros humoristas”, explica. Ainda assim, não tem dúvidas de que o humor, neste momento, “está a ser visto como uma caça às bruxas como era antigamente”, conclui.

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Texto: Luís Correia (luis.correia@impala.pt); Fotos: Arquivo Impala
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