«Morri logo». Atriz de Na Corda Bamba chorou quando soube que tinha de cortar o cabelo

Foi num cenário cheio de brilho e magia que Margarida Serrano, a pequena atriz de Na Corda Bamba, da TVI, nos revelou como vive a época mais especial do ano.

24 Dez 2019 | 12:10
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TV 7 Dias – Chegaste à representação pelas mãos do Diogo Morgado, que te escolheu num casting para A Teia. Ele vai ser sempre especial para ti?

Margarida Serrano – Sim, foi ele que descobriu a Margarida atriz. A primeira vez em que me viu disse-me: ‘Eu escolhi-te a ti, vamos embarcar nesta aventura’, e foi isso mesmo que aconteceu, a nossa relação era mesmo de pai e filha. Foi ótimo trabalhar com o Diogo, ele foi especial quer como ator quer como pessoa.

Voltaram a estar juntos?

Sim, encontrámo-nos ainda há pouco tempo. Ele convidou-me para entrar no filme que está a realizar, Irregular. Foi uma experiência fantástica. Na história faço de filha do ator Pedro Teixeira, outro pai de quem gostei muito (risos).

Como foi esse reencontro?

Foi muito bom estar de novo com o Diogo. Eu considero-o como um segundo pai. Matámos saudades! Mas eu sigo o Diogo Morgado no Instagram, ele segue-me a mim [disse, visivelmente orgulhosa] e isso faz-me sentir sempre perto dele, ponho muitos likes nas suas fotos.

Dava-te conselhos?

Muitos. Ele estava sempre preocupado se eu estava bem. Um dos momentos mais marcantes para mim foi quando fomos à Escócia gravar uma cena! Eu estava cheia de medo, porque tinha de andar de barco num lago, e aí o Diogo disse-me: ‘Agora tens de ser a personagem, tu és a Inês. Esquece a Margarida e foca-te na Inês’. Ainda hoje me foco nessas palavras.”

Agora és a Rita em Na Corda Bamba. Atuas ao lado de atores experientes, como a Dalila Carmo e o Pêpê Rapazote, que fazem de teus pais. Como é a relação com eles?

É incrível. Na representação tenho a sorte de ter sempre pais com uma experiência muito boa. É mesmo um privilégio estar a trabalhar com eles.

E com a Júlia Palha e o Rodrigo Trindade, os teus irmãos na história?

Igualmente fantástica. Estamos a matar saudades, já tínhamos trabalhado em A Teia. Apesar de não pertencermos ao mesmo núcleo, cruzávamo-nos bastantes vezes.

 

«Foi a Dalila Carmo que me disse que tinha de cortar o cabelo»

 

Na novela és a irmã mais nova, mas na vida real és a mais velha. O que preferes?

Gosto mais de ser a irmã mais velha, para poder mandar [disse em tom de brincadeira]. Eu e o meu irmão Francisco somos muito próximos, temos apenas um ano e meio de diferença. Depois veio a Madalena, mas damo-nos os três bem, não há ciúmes entre nós.

O que fazem nos intervalos das gravações?

Ando por várias salas, na de maquilhagem, na de realização, onde vejo algumas cenas, e às vezes aproveito para fazer os
trabalhos de casa. Também brinco, converso com alguns atores, no fundo é um bom momento de convívio entre todos.

Tiveste de cortar o cabelo. Foi fácil?

Soube que tinha de o fazer no primeiro dia de gravações, foi a Dalila Carmo que me disse, quando gravámos a primeira cena. Morri logo naquele momento, nunca me tinha visto de cabelo curto.

Como te sentiste?

Fiquei triste, chorei. Mas já me habituei, agora é deixar crescer… e o meu cabelo cresce rápido.

O que tens de mais parecido com a Rita?

Somos ambas teimosas, com mau feitio, mas muito divertidas. Quando estou com mau feitio sou impossível.

Com quem achas que a Rita deve ficar?

Eu acho que deve ficar com os pais e com os avós. Com os primeiros porque apesar de terem cometido um crime são os pais que a criaram, que ela conhece, e com os segundos porque eles são a família biológica.

Que castigo davas à Lúcia?

Ela fez muita maldade, mas no fundo é a minha mãe. Não quero ser mazinha, por isso tirava-lhe os filhos uma semana.

Já te reconhecem na rua?

Às vezes, mas não gosto nada que isso aconteça, fico muito envergonhada.

Estudas os textos com quem?

Estudo sozinha, só quando as cenas são maiores ou mais fortes é que peço ajuda à minha mãe.

Tens facilidade em decorar?

Sim, depende das cenas. Algumas tenho de ler duas vezes.

Queres ser atriz?

Ainda não sei muito bem, sou a pessoa mais indecisa do Mundo, mas devo seguir algo relacionado com artes.

É fácil conciliar as rotinas da escola com as gravações?

Sim, tenho a manhã de quinta-feira e muitas tardes livres. Aproveito esse tempo para gravar, se gravar mais numa semana, na seguinte tenho folga.

Que hobbies tens?

Pratico patinagem e tenho aulas de música, toco contrabaixo.

Depois da Rita, que personagem gostavas de interpretar?

Quando fosse mais crescida gostava de ser a maléfica da história, a vilã, e conseguir ser brilhante como a Dalila. Aprende-se muito com ela!

 

«Nunca peço nada, sou mais pela surpresa!»

 

Margarida, tens quantos anos?

Tenho 11, faço 12 a 19 de dezembro.

Fazes anos perto do Natal. Como vives a quadra?

É especial, principalmente porque recebo presentes duplos. Também porque nesta altura posso estar reunida com a minha família e matar saudades de familiares com quem não posso estar o resto do ano.

Que tradições têm?

Comemos bacalhau, peru e doces, rabanadas, bolo-rei… A parte que mais gosto é quando uma tia minha faz biscoitos.

Ajudas a cozinhar?

Sim, quando não estou a gravar. Gosto de ajudar a minha mãe na cozinha, a fazer principalmente os sonhos.

O que mais gostas de comer nesta altura? Atacas muito os doces?

Os sonhos. Não, eu gosto de doces, mas não como muito.

Já fizeste a árvore? Fazem em família?

Já, o meu pai monta a árvore e depois eu e os meus irmãos colocamos os enfeites. A maior discussão lá em casa era saber quem colocava a estrela. Este ano achámos que o justo era fazermos uns papéis com o nosso nome e tirarmos à sorte, pois nenhum se calava! Calhou ao meu irmão Francisco.

Onde costumas passar?

Na casa dos meus avós, maternos ou paternos, ou na minha. Cada ano numa casa diferente.

Já começaste a fazer a lista de presentes?

Não. Este ano não sei mesmo o que quero. Geralmente nunca peço nada, sou mais pela surpresa! Tem mais piada!

Mas gostas de ir às compras?

Sim, vou sempre com a mãe e dou a minha opinião, principalmente nas prendas dos meus irmãos.

 

«Fiquei triste quando soube que o Pai Natal não existia»

 

Tens por hábito espreitar os presentes?

Não. Só mesmo a minha cadela é que anda sempre de volta das prendas.

Acreditaste no Pai Natal até que idade?

Até aos sete anos, na escola os mais velhos diziam-me para não acreditar. Eu fiquei triste quando soube que o Pai Natal não existia.

Tens uma irmã mais pequena. Ajudas a manter a magia do Pai Natal?

Sim. Mas já passámos por situações engraçadas, como um ano, na casa da minha avó, em que a pessoa que se vestiu de Pai Natal tinha unhas de gel, e ela disse logo que não era o Pai Natal. Foi uma risota! Mas ainda acredita, fica toda excitada.

Tens por hábito doar brinquedos?

Eu, os meus irmãos e a minha mãe já entregámos brinquedos numa instituição perto da minha casa. É importante lembrarmo-nos todos os dias, não só agora!

Como seria o Natal ideal para ti?

Que todos os meninos tivessem casa e comida. Acabava com a fome. Eu fico triste por haver crianças que não têm comida.

 

Texto: Sónia Antunes Rodrigues; Fotografias: Nuno Moreira; Agradecimentos: Horto do Campo Grande

 

(entrevista originalmente publicada na edição nº 1708 da TV 7 Dias)

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