EXCLUSIVO! Emocionada, Maria Botelho Moniz revela ida a Fátima antes de estreia na TVI

Aos 36 anos, foi «a primeira pessoa» em quem Nuno Santos pensou para substituir Goucha no Você na TV!. No dia anterior a ter assumido o desafio, trocou mensagens com Diana Chaves e João Baião.

15 Ago 2020 | 18:50
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Tira os anéis, põe os anéis. Tilinta os dedos nos braços da cadeira. Olha-se ao espelho num momento de introspeção longo e profundo. São 09h21 e Maria Botelho Moniz está a ser penteada. Vestida com a cor da esperança, só volta à realidade quando lhe perguntam se comprou magnésio. A resposta é negativa.

Regressa à sua «bolha», como lhe chama. A apresentadora está a menos de uma hora de «chegar a um sítio onde sempre quis estar». Desta vez, o desafio de fazer day time tem um sabor ainda mais doce: assumir a condução do Você na TV! durante as três semanas de férias de Manuel Luís Goucha.

O programa, como qualquer um da manhã, «é uma montanha russa de emoções» e Maria Botelho Moniz prefere o silêncio antes de descer para o estúdio. Mas «não é por uma questão de nervosismo». «É uma questão de antecipar tudo o que pode correr mal, tentar antecipar os problemas, passar o alinhamento mil vezes na cabeça e ter a certeza de que sei tudo aquilo que quero dizer. Não é tanto o nervosismo, mas a ansiedade e o peso da responsabilidade», confessa à TV 7 Dias, que acompanha em exclusivo a sua estreia a solo nas manhãs da TVI.

Afinal, enfatiza, «estou a substituir o senhor, o mestre, alguém que é tão querido pelo público, que tem mais anos de carreira do que aqueles que eu tenho de vida e que já não precisa de provar nada. E eu ainda preciso de provar muito.»

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As ondas no cabelo estão feitas. A maquilhagem idem aspas e esconde possíveis sinais de cansaço, ou não tivesse ela dormido «um bocadinho menos de quatro horas». Culpa do «voto de confiança» da Direção de Programas e do… Big Brother 2020.

«Tive muita dificuldade em adormecer por um misto de coisas. Primeiro, porque até ao final da gala não sabia quem seriam os meus convidados, porque estavam dependentes de quem fossem o primeiro e o segundo classificados. Passei a gala não só na emoção de estar a ver a final de um projeto do qual fiz parte como à espera de saber que dois dos seis finalistas iria receber. Tinha de estar preparada para entrevistar qualquer um. Depois, estava sempre a pensar: ‘É amanhã, é amanhã, é amanhã.’ Adormeci com o alinhamento na mão. Acontece muitas vezes», ri-se.

Às 06h30 já o despertador tocava e menos de uma hora e meia depois estava em Queluz de Baixo: «Já o meu pai dizia: ‘Chegar a horas é chegar atrasado’. Portanto, antes das 08h00, já cá estava.»

 

«O programa de hoje é para o meu pai»

 

«Vamos embora!», lança, convicta, enquanto se levanta e deixa a sala de caracterização. Desce as escadas que dão acesso ao estúdio onde são feitos os programas diários de entretenimento da TVI. À porta, é micada, como se diz na gíria do espetáculo.

Com o microfone de lapela devidamente colocado, aquela que é também atriz está a postos para entrar em cena. Mas fá-lo com precisão: entra no local com o pé direito. «Sou muito supersticiosa. Herdei isso do meu pai. Tenho algumas superstições. Estes dois anéis são uma delas. Este é o anel de noivado que o meu pai deu à minha mãe e este é o anel que me foi dado pela minha sogra», aponta.

«Sempre foi dito pelo Salvador, o meu namorado, que no dia em que a mãe dele morresse este anel seria para mim. No dia em que ele morreu, ela ofereceu-me o anel. Portanto, depois da morte dos dois, não há nenhum momento marcante na minha carreira em que eu não os tenha presentes numa estreia», confidencia a apresentadora.

Também por isso Maria Botelho Moniz tanto mexeu nos anéis enquanto era caracterizada. «Sobretudo neste, a pensar no meu pai», especifica, indicando para a joia que um dia foi da mãe. «O programa de hoje é para o meu pai. Ontem, fui a Fátima e rezei muito pelo meu pai. Tive o meu momento sozinha. Não peço nunca que façam por mim, mas agradeço. Agradeço a oportunidade, agradeço o que me está a ser dado, agradeço o que me estão a enviar e só peço que iluminem o meu caminho. Depois, o caminho, faço-o sozinha. Comprei lá uma vela, que trouxe para casa e que ainda deve estar acesa. Está junto a uma moldura de uma fotografia minha, em pequenina, ao colo do meu pai», revela a comunicadora, que chorou a repentina morte do progenitor há dois anos.

Faltam dois minutos para as 10h00 e Maria Botelho Moniz apercebe-se da «importante e surpreendente» visita a estúdio do Diretor-Geral da TVI, Nuno Santos. Os dois trocam «uma cotovelada, que é agora o cumprimento oficial» devido à COVID-19.

Depois, um cumprimento sui generis: «Bato sempre continência aos meus chefes, porque são eles que comandam o barco. É uma maneira de mostrar que estou aqui ao serviço, para o que precisarem, com a maior das disponibilidades e com a maior das vontades.»

Convicto de que a apresentadora «é uma pessoa que faz parte do futuro da TVI», o homem forte do canal foi a estúdio «dar-lhe uma palavra de incentivo». «Este é um dia bom para nós e, claro, um dia importante para ela. A Maria é uma grande comunicadora, algo que já se sabia e que se percebeu nestes três meses duros e muito exigentes do Big Brother. Na altura em que acertámos as férias do Manel, achei que ela seria uma boa solução. Foi a primeira pessoa em quem pensámos», diz-nos.

 

A mensagem de Goucha… e dos rivais

 

Nuno Santos depressa sai de cena. Maria Botelho Moniz abana os braços como sinal de descontração. «Três, dois, um…», grita o assistente de realização. O genérico avança, Rosinha atua e a apresentadora dança. É a dança da vitória e da realização pessoal. «Preciso de provar que sou capaz. De provar aos outros mas, sobretudo, de provar a mim própria», vinca a nova estrela da TVI à TV 7 Dias. «É um desafio muito grande.»

Afinal, aquele é o habitat natural de Manuel Luís Goucha. «No dia em que a TVI anunciou que seria eu a substituí-lo, peguei no telemóvel e liguei-lhe. Disse-lhe sobretudo que iria fazer o que estivesse ao meu alcance para honrar o lugar que ia estar a ocupar e que sentia o peso da responsabilidade, coisa que ele desvalorizou completamente: ‘Deixa lá isso! Qual honra, qual quê! Diverte-te. É teu durante três semanas, portanto, aproveita’. Mas eu não quis deixar de lhe dizer que sei que este lugar é dele, que este programa é dele e que eu farei todos os dias o melhor que puder para, pelo menos, chegar aos calcanhares de quem estou a substituir», afirma, determinada.

«A seguir a ter ligado ao Manel, liguei à Maria [Cerqueira Gomes]. Senti essa necessidade, porque ela é uma peça do programa e apresentou o programa com o Manel», conta Botelho Moniz sobre a amiga, que está atualmente a viver no Porto e a dar a cara pela rubrica Gente com Norte, na qual entrevista personalidades daquela região do País.

Já na sexta-feira anterior, depois de ter dividido a condução do Você na TV! com Goucha, a mensagem do veterano foi reforçada: «Falámos no final do programa e ele desejou-me aquilo que se costuma desejar mas que não fica bonito dizer-se numa entrevista. Disse-me para eu ir com força e para não me preocupar. Disse-me sempre que eu iria fazer isto com uma perna às costas.»

Mas os desejos de boa sorte não se ficaram por aqui. «Recebi muitas mensagens especiais de muitas pessoas dos vários canais. Posso dizer que fiquei surpreendida mas, ao mesmo tempo, são pessoas cujo tipo de gesto já não me surpreende», sorri.

«Recebi mensagens da Tânia Ribas de Oliveira, com quem nunca trabalhei, do João Paulo Sousa, da Diana Chaves, do João Baião… Há pessoas que se cruzam connosco e que ficam connosco. Não importa se estejamos frente-a-frente. Estamos nos corações uns dos outros», salienta.

A relação com o último é a mais forte, ou não fosse ela a repórter do programa Olhó Baião até ao momento em que trocou a SIC pela TVI. Agora, combate-o, já que são ele e Diana Chaves os portadores da chave que abre a casa das manhãs do canal de Paço de Arcos.

Porém, o confronto com o amigo não lhe ocupa o pensamento: «Não penso nisso. Ontem, troquei muitas mensagens de voz com ele e rimo-nos muito. ‘Tu vê lá o que fazes! Olha que eu quero fazer boa figura!’ ‘Não! Vê lá tu o que fazes.’ Portanto, brincámos muito com o facto de estarmos no mesmo horário em canais diferentes. Torcerei sempre pelo João, como sei que o João torcerá sempre por mim. É uma das pessoas mais especiais que conheci ao longo desta caminhada. Não importa a rivalidade.»

São 12h59 e a ficha técnica avança. Sinal de que, por hoje, a missão está cumprida. As luzes apagam-se e é ali mesmo que a equipa se reúne para um balanço da emissão e o alinhamento da próxima. Amanhã… «vai ser ainda melhor».

Texto: Dúlio Silva (dulio.silva@worldimpalanet.com); Fotografias: Marco Fonseca

(reportagem originalmente publicada na edição nº 1743 da TV 7 Dias)

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