Maria Emília Correia lamenta esquecimento: «A coisa pior que existe é ficar em casa»

A atriz que dá vida a Conceição na novela da TVI Na Corda Bamba admite que tinha saudades de voltar a ter trabalho na ficção e critica a falta de consideração de «quem decide».

06 Out 2019 | 11:50
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Maria Emília Correia voltou à televisão na pele da carismática governanta Conceição, em Na Corda Bamba, novela da TVI. A atriz falou com a TV 7 Dias e admitiu estar feliz por voltar ao trabalho. «Já há alguns meses largos que eu não fazia televisão. Tinha muitas saudades, muitas mesmo», desabafa a artista, que não se coíbe de lançar algumas farpas aos responsáveis pelo seu afastamento do pequeno ecrã.

«Esta é uma casa onde eu me sinto muito bem e eu já trabalho aqui há muitos e muitos anos. Intermitentemente! O que é lamentável! É uma desatenção muito grande, às vezes, de quem decide», atira Maria Emília Correia, cabisbaixa. A atriz faz questão de salientar que espera conseguir trabalhar «por muitos mais» anos.

«Parar é morrer e eu não quero morrer já! Espero que consiga trabalhar mais uns anitos, apesar de já
não ser uma jovem», admite, explicando que continua a trabalhar com «o mesmo afinco» com que começou. «Uma pessoa tem de se ultrapassar a si mesma, sempre, quando está a trabalhar. Quase nem dorme. Porque realmente é assim que se consegue fazer alguma coisa o mais próximo da perfeição possível. E só assim é que me sinto feliz», confessa, com um sorriso, frisando:

«Trabalhar é dignitário! Torna a pessoa diferente. Não trabalhar é o pior de tudo. Porque a pessoa se deprime, se desacredita em si, não tem meio de subsistência. É uma questão de ânimo. A coisa pior que existe é ficar em casa, como muitas vezes eu fico, e fiquei a tratar dos gatos… A cuidar dos meus quatro gatitos, de quem gosto muito, atenção.»

Ainda assim, a atriz garante que é a representar que se sente feliz. «É um lugar onde me sinto muito à vontade, muito bem. É a minha segunda casa. E tenho colegas com quem me relaciono já há muitos anos, o que facilita todo o trabalho», realça, explicando que, agora, o ritmo de trabalho «não é, nem pode ser», o mesmo.

«Não gravo de manhã até à noite, o meu papel também não tem assim tanta incidência. Mas isso também é bom porque os anos vão passando e as pessoas têm de descansar e também ter tempo para trabalhar os seus papéis em casa», diz.

«A intermitência desta profissão é tramada»

 

«A ideia de que é só decorar é errada. Há muito trabalho, os gestos, as atitudes, os comportamentos. O trabalho fundamental do ator é em casa e não no estúdio», explica Maria Emília. A instabilidade inerente
a esta profissão é algo com que Maria Emília tem de lidar. No entanto, a artista garante que tenta olhar para isso de uma forma positiva. «A intermitência desta profissão é tramada. Mas, pronto, no meu caso, aproveito o tempo em que não estou a trabalhar para me reciclar. Para ver filmes, peças de teatro, mesmo em DVD. Leio muito e estou sempre a tentar atualizar-me e aprender», assume.

«Porque, às vezes, o que acontece com alguns atores é que têm uma receita e depois aplicam-na a tudo
o que fazem, e isso não é bom. O que o público quer é ser surpreendido e, nesse sentido, temos de estar
sempre a trabalhar e a dar mais e diferente», avança, afirmando que foi desta maneira que construiu a “sua” Conceição. «É uma personagem deliciosa. Trata de uma casa aristocrática, onde vive uma família
enorme, com muitos conflitos e com um grande segredo, o qual obviamente ela conhece, mas não revela», adianta a atriz, revelando alguns pormenores da trama.

«É completamente leal. Só que há uma personagem, dentro dessa família, que de repente acha que
ela não é tão fiel quanto isso e vai despedi-la. Ela fica ofendidíssima. Não pelo despedimento, mas por ser considerada uma pessoa que não é séria. E, depois disso acontecer, o conflito vai mudar», assegura, entusiasmada com o projeto.

 

Texto: Maria Inês Gomes | Fotos: Marco Fonseca

(texto originalmente publicado na TV 7 Dias nº 1698)

 

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