Micaela “desequilibrada” com fim do casamento: “Cheguei a pesar 40 e poucos quilos”

Micaela revelou que o ex-marido lhe dizia coisas que a diminuíam como mulher e que se sentiu “completamente perdida” com o fim do casamento. “Fiquei sem autoestima. Foi terrível”, disse a cantora.

08 Nov 2020 | 9:50
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Micaela emocionou-se à conversa com Daniel Oliveira, transmitida no programa “Alta Definição” deste sábado. A cantora não conteve as lágrimas ao falar do “terrível” divórcio, dos dois filhos, da depressão e do trabalho enquanto empregada de limpeza em Inglaterra.

A intérprete de canções como “Desliga a Televisão” ou “Chupa no Dedo”, que está a comemorar 25 anos de carreira, emocionou-se logo ao sobre a separação do pai do primeiro filho, com quem estava desde os 18. O casamento chegou ao fim passados seis anos.

“Fui mãe solteira só com o Bruno (filho mais velho). É um desafio e é uma prova de vida, na minha fase, porque não foi fácil. Tinha 24 anos. Era uma garota. Quando levas um abanão como eu levei e ficas com um filho nos braços… É duro. Mas a família, o pai, a mãe, a avó, a tia, deram-me a estrutura de que precisava para me voltar a erguer, não ir abaixo e não me esquecer que era pessoa”, começou por contar.

“Ele era muito mais velho. Eu sempre tive tendência para relações com pessoas mais velhas. Acreditas que, por aquela pessoa ter mais idade do que tu, ela te vai dar estabilidade, equilíbrio. De repente, aquilo não existiu e ainda ficaste completamente perdida, desequilibrada… Também financeiramente”, relatou.

 

“Ouvi coisas que me diminuem como mulher”

 

“Tudo falhou. A tua relação, o teu casamento, com um filho, e a tua vida profissional, porque estava tudo interligado. Terrível. Cheguei a pesar 40 e poucos quilos. Não me olhava ao espelho. Fiquei sem autoestima. Foi terrível”, revelou.

E acrescentou: “Sempre me considerei uma mulher lindíssima, de bem com a vida. E, de repente, ouves coisas que te diminuem como mulher, como pessoa, de alguém a quem confiaste a tua vida e a tua vida profissional”.

Foi o filho que a fez lutar e seguir em frente. “Depois tens um filho e, de repente, olhas para ele e dizes ‘Não, calma lá, tu precisas de ser muito mais do que isto. Então ‘bora para a frente’.”

Após a separação, Micaela esteve “dois anos sozinha”. E, nesse tempo, esqueceu-se de si, porque a prioridade era o filho e o trabalho, para arranjar dinheiro para o sustentar. “Nesses dois anos não tinha que ser a mulher. Tinha que ser a mãe, tinha que trabalhar muito e tive mesmo que trabalhar muito, porque tinha muitas coisas às minhas costas”, contou.

 

A depressão e o trabalho como empregada de limpeza

 

Micaela teve de emigrar para Inglaterra, onde trabalhou como empregada de limpeza. “Os meus filhos foram comigo. Viram a mãe a sair de uma situação que era de palco, estrelato e reconhecimento e, de repente, a mãe estava a trabalhar num Marks & Spencer, nem estava a trabalhar num hotel. Mas a mãe estava ali porque tinha de estar, porque a mãe não tem medo de trabalhar.”

“É isto que passo aos meus filhos: é muito importante sermos honestos, trabalharmos, que assim não nos faltar nada. E hoje podemos estar aqui (em cima) e amanha aqui (em baixo), mas com a mesma honestidade, com o mesmo amor e com a mesma entrega. E é nessa altura que ouço o meu filho dizer assim: ‘Mãe, tenho tanto orgulho em ti’”, revelou.

A cantora explicou que foi para Inglaterra porque fez as “escolhas erradas”. “Tive de procurar uma nova agência e é nessa altura que me descaracterizei completamente. Gravei coisas que não têm nada que ver comigo, sujeito-me a uma imagem que não tem nada que ver comigo. Saía do palco com profunda tristeza. Estava a enganar-me e ao meu público. Entrei numa depressão”, contou.

 

“Eu bati no fundo”, revive Micaela

 

Essa altura coincidiu quando “a minha mãe foi para Inglaterra ajudar a minha irmã. Eu bati no fundo. E tinha ali dois filhos, tinha que fazer qualquer coisa rapidamente. Essa agência onde estava falha por problemas financeiros e a minha mãe disse-me para ir ter com ela. Levei os meus filhos, mas os espetáculos não chegavam para as despesas”, lembrou.

Em Inglaterra, “limpei quartos, depois fui trabalhar nas limpezas de um Marks & Spencer (hipermercado). Não me arrependo, não havia nem mágoa, nem dor e fazia concertos ao mesmo tempo”, revelou.

Micaela esteve lá “quase dois anos e meio”, até que conseguiu voltar a fazer, a tempo inteiro, aquilo de que mais gostava: cantar.

 

Texto: Inês Neves; Fotos: D.R.

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