Morte deixa atriz de Nazaré em «pânico»: «Sei que pode vir a qualquer momento»

«Ultimamente penso muito. Atormenta-me porque sei que pode vir a qualquer momento», assumiu Márcia Breia na conversa com Daniel Oliveira em que pôs em revista a sua vida.

03 Nov 2019 | 16:50
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Márcia Breia recordou, em conversa com Daniel Oliveira para o programa Alta Definição, os episódios mais marcantes dos seus 75 anos de vida. A atriz, que neste momento participa na novela Nazaré, trama da SIC na qual faz par romântico com Ruy de Carvalho, emocionou-se ao falar dos familiares que já perdeu. A morte é, aliás, o tema que mais a perturba, já que não esconde ter «muito medo» desse dia.

«Cada vez mais a idade dos que partem é mais próxima da minha e ultimamente penso muito nisso. Começo a pensar ‘um dia destes é a minha altura’, mas não me apetecia. Eu não quero ir embora. Tenho uma vontade de viver muito grande, muito grande. Sinto que vou perder coisas que não tenho que perder. O fim é uma incógnita dolorosa. Nunca pensei tanto no fim, não somos preparados para o fim», lamentou, recordando a morte dos pais e da irmã, que a marcaram muito.

«A minha mãe foi a primeira a falecer, morreu em 1971. O meu pai morreu em 1988 e a minha irmã – eu não estava à espera – morreu em 1996. Foi horrível. Eu tenho sempre muita força, mas não estava à espera e o sofrimento fez-me mal. A minha mãe já tinha sofrido muito, eu tinha sofrido muito por vê-la sofrer. Ela já não estava em si e eu ia vê-la e sentia que era absolutamente inútil. Mas tinha medo de não a ir ver… O único dia que não fui ver a minha mãe ela morreu», contou, emocionada.

 

Pai de Márcia Breia tentou suicídio

 

«O meu pai teve um final tempestuoso. Tentou cometer suicídio, porque foi acusado de uma coisa com a qual não tinha nada a ver… Um dia chego ao quarto dele e está uma carta escrita de despedida. Chamei os bombeiros… Mas morreu mesmo de doença, com doença da próstata», revelou.

«Fui avisada que a minha irmã tinha sido internada de urgência. Fui para Paris ter com ela e ela estava realmente muito mal. O último dia em que tinha de me vir embora – porque filmava no dia seguinte – foi um horror, porque sabia que nunca mais a ia voltar a ver», continuou, com os olhos marejados de lágrimas.

Márcia Breia frisou que pensar na morte a deixa «em pânico»: «Ultimamente penso muito. Atormenta-me porque sei que pode vir a qualquer momento».

 

Amor na terceira idade

 

A forma como a sociedade olha para os mais velhos foi outro assunto abordado. Márcia Breia lamentou que a sociedade veja os idosos como «um fardo».  Aos 75 anos, a atriz referiu, contudo, que a idade lhe trouxe «visão crítica» e uma «compreensão grande» para com os outros. «A idade traz olhar sobre tudo».

Sobre Nazaré, a atriz destaca a parceria com Ruy de Carvalho: «Damo-nos muito bem». «Uma coisa interessante na novela é ver um casal da nossa idade que tem amor um pelo outro. Efetivamente, isso é muito bonito».

 

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Texto: Ricardina Batista | Fotografias: Impala

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