Na guerra, não. Clara de Sousa explica por que não quer ser enviada para a Ucrânia

Clara de Sousa explicou a razão por que prefere fazer a cobertura da guerra em estúdio e não no terreno: “As pessoas não podem ir de ânimo leve para este tipo de ‘palcos'”.

21 Mar 2022 | 20:10
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Clara de Sousa não quer ir para a Ucrânia fazer a cobertura da guerra. Quem o disse foi a própria jornalista, à NOVA GENTE, durante a atribuição dos Prémios Cinco Estrelas, em que foi distinguida com o galardão na categoria Jornalismo.

Não gostava. Eu não sou repórter de guerra. E também acho que as pessoas não podem ir de ânimo leve para este tipo de ‘palcos’. As pessoas devem estar onde são mais necessárias. Se eu sou mais necessária no estúdio para ‘distribuir jogo’, obviamente que são os meus colegas que têm mais treino em cenários de guerra que devem ir para lá, porque isto de estar num palco de guerra não é uma coisa simples. As pessoas têm de perceber que, além de arriscado, há regras a cumprir, há treino que é necessário ter, experiência necessária, e devem ir os melhores. Como noutros tempos ia o Paulo Camacho, a Cândida Pinto, que já têm muita experiência”, afirmou.

Para Clara de Sousa, não faz sentido um pivô ir cobrir uma guerra. “Fazer o quê? Fazer aquilo que as outras pessoas fazem, que é meter os seus pivôs a 500 quilómetros de onde as coisas estão a acontecer? Para isso não me parece que valha muito a pena. Acho melhor estarmos cá”, disse, com assertividade.

Clara de Sousa não quis destacar o papel de nenhum jornalista em particular e falou de uma forma generalizada, revelando a sua principal inquietação. “Acima de tudo, eles têm de estar a desempenhar a sua profissão com os poucos meios que têm no terreno, e obviamente que estão limitados. Mas acho que têm de o fazer em segurança e, portanto, eu percebo que para eles também seja difícil e desejo a todos um bom trabalho e que regressem bem. A minha preocupação é essa, sempre”, concluiu.

Texto: Inês Cordeiro; Fotos: Impala

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