«Não penso na morte». Ruy de Carvalho REVELA SEGREDO para chegar aos 92 anos

O consagrado ator celebrou, esta sexta-feira, 92 anos, 77 dos quais como ator, com um jantar com familiares e amigos. «Vivamos a vida. Eu sei viver a vida. Sou um homem feliz», diz à TV 7 Dias.

02 Mar 2019 | 15:45
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Ruy de Carvalho festejou em grande o seu 92.º aniversário. O consagrado ator uniu familiares e amigos num jantar, no Páteo de Cascais, que começou com uma surpresa para o protagonista do dia: um momento musical a cargo de um grupo de cante alentejano.

Entre os convidados estiveram, entre outros, o encenador Carlos Avillez, o apresentador José Figueiras e o político Isaltino Morais. O aniversariante esteve sempre amparado pela filha, Paula, o genro, Paulo, e o neto Henrique, também ele ator. «Ter um pai com 92 anos faz-me esquecer que tenho 60, o que é bom», brincou a filha, acrescentando que o irmão, João de Carvalho, não esteve presente na festa porque está em Hong Kong, China, onde vive um dos seus filhos.

Minutos depois, Ruy de Carvalho confessava-se «muito feliz» aos jornalistas: «Espero que cheguem todos à minha idade com a minha saúde e a não pensar numa coisa que é certa, que é a morte. É-nos dada uma coisa maravilhosa, que se chama vida. Portanto, vivamos a vida. Não pensemos na morte, não vale a pena.»

«Àqueles que, coitadinhos, não podem deixar de pensar na morte ou nas suas doenças que os vão quebrando, há os outros que estão vivos e que lhes podem dar o prazer de dar uma vida melhor», continuou.

Este é o «segredo» para a longevidade de Ruy de Carvalho. Este e o trabalho. Aliás, o ator, cujo último projeto televisivo em que participou foi a série da TVI Inspetor Max, em 2017, prepara-se para se estrear na ficção da SIC, na próxima novela do canal, com o nome provisório de Lua de Sal. A narrativa, revelou o artista, «vai passar-se em vários sítios do país: Nazaré, Caldas da Rainha, aquela zona onde houve incêndios» em 2017. Sobre a personagem, pouco desvenda, acrescentando apenas que as gravações começarão «em abril».

«Estou sempre pronto para as longas horas de trabalho, não sei é se aguento. Vamos lá ver», brincou.

 

«Não nascemos iguais?»

 

O dia de aniversário, celebrado esta sexta-feira, 1 de março, começou bem cedo. «Levantei-me às seis da manhã para ir para a SIC. [risos] Fui fazer um programa na SIC [Alô Portugal], que gostei muito de fazer. Depois fui descansar um bocadinho para casa. Comi umas iscas, que me souberam muito bem. Por acaso não fui eu que as cozinhei, foi a senhora que vai a minha casa», partilhou Ruy de Carvalho.

Mas desengane-se quem pensa que o ator não cozinha. Não só cozinha como garante ser «bom» cozinheiro. «Vivo sozinho… Tenho de cozinhar. A minha mãe ensinou-me a cozinhar. Não são só as meninas que têm de cozinhar, os homens também têm. Não gosto é de fazer a cama, mas paciência. Faço, porque não gosto de me deitar numa cama que não esteja feita. Portanto, sou obrigado a fazê-la. Tenho de lavar a loiça. Faço essas coisas todas… Não nascemos iguais?», atirou.

 

«Portugueses têm de começar a pensar que têm um grande país»

 

No fim de «um dia muito feliz», Ruy de Carvalho só tem a agradecer o carinho que os portugueses nutrem por ele. «Foi um dia com a minha família, que não é só família, família. É a família dos portugueses. Pertenço a uma família chamada Portugal. Somos todos da mesma família. Os que não são também gostam de cá estar. E agora gostam de comer cá e de descobrir que somos um grande país. E nós ainda não descobrimos isso», considera.

E completa: «Os portugueses têm de começar a pensar que têm um grande país. Pequenino, mas um grande país. E lindo! É um país que muda de beleza de 15 em 15 quilómetros. Muda de arquitetura, muda de maneira de falar, muda de comida, muda de muita coisa. Temos um país muito rico.»

Rica foi e continua a ser a vida de Ruy de Carvalho, que já contabiliza 77 anos de carreira como ator. Ainda haverá algo que lhe falte fazer? A resposta é dada na primeira pessoa: «Gostava muito de ir à Austrália. Agora, faço normalmente o que escolhem para eu fazer. Eu sei viver a vida. Gosto da vida. Sou um homem feliz nesse aspeto.»

 

Texto: Ana Lúcia Sousa e Dúlio Silva | Fotografias: Paula Alveno

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