“Não sou saco de esperma”: Toda a entrevista exclusiva e explosiva a Andreia Leal

Andreia Leal assume-se acompanhante e revela que o que começou por necessidade tornou-se prazer. A ex-concorrente da “Casa dos Segredos” abre o coração e faz relatos impressionantes da sua vida.

11 Mai 2021 | 22:30
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TV 7 Dias – Entrou na “Casa dos Segredos” em 2010 com o segredo “Fui acompanhante de luxo”. Na altura, teve muito impacto. Se fosse hoje, acredita que teria outro?

Andreia Leal – Não, seria igualzinho. Passei momentos muito complicados quando saí da “Casa”. Nunca fui maltratada ou apontada, mas fui vista como alguém diferente. Faço questão de ir mostrando e fazer a diferença entre a Vivianna Manccinni (nome artístico) e a Andreia.

Algum tempo depois de sair da Casa foi noticiado que já não era acompanhante de luxo…

Não sei porque saíram essas notícias, nunca deixei esta profissão. Eu optei por ser acompanhante. No início, começou por ser uma imposição da minha vida.

Por que razão?

Eu sempre tive uma vida de princesa, sempre tive os meus pais e avós o mais presentes possível, com luxo, com muitas regras e coesa. Fui trabalhar para um banco, casei, tive uma vida dita normal. Entretanto a vida começou a correr mal, as empresas do meu pai foram por água abaixo, eu tive de me despedir do banco. Sempre fui bailarina, fiz pool dance… Comecei a trabalhar com alguns clientes que conhecia através do banco, de quem era gestora de conta. E a partir do momento em que uma mulher aceita deitar- -se por dinheiro… Eu vendo-me como acompanhante a quem precisa de mim. Mas há as que se vendem por uma viagem ao Dubai. Eu faço isto porque gosto, é evidente que também gosto do sexo. Não sou viciada em sexo, mas sim em seres humanos e em estudá-los. Claro que a vertente financeira é muito boa, não vou ser hipócrita. Foi a minha opção de vida. Fui para a Suíça e não parei mais. Eu percebi que tinha brilho e os homens gostam.

 

 

Quando começou a trabalhar cobrava um valor, agora cobrará outro. Continua a ser um negócio rentável?

Na altura cobrava-se muito dinheiro, até porque havia poucas mulheres acompanhantes. Agora há mulheres a 20 e 30 euros. Há clientes que me ligam e que querem uma coisa rápida, mas por muito que seja uma imposição deles, eu não faço coisas rápidas. Eu exagerava e, para uma hora, pedia 800 euros. Agora as coisas mudaram, posso garantir que sou das mulheres mais caras do País e da Europa. O mundo do sexo está banalizado e digo sempre aos meus clientes para não baralharem um saco de esperma com uma acompanhante. Não sou saco de esperma, já evoluí. Na Suíça fui; agora não, sou a Andreia Leal, e se querem, pagam. Não sou barata. Uma hora pode ir até 800 euros; uma noite de 12 horas, 3000; 24 horas, 5500 euros. E é barato para o que valho.

Há muitas pessoas que questionam se paga impostos como uma pessoa comum em idade de trabalho?

Não faço descontos de ser acompanhante, faço de outras coisas que tenho. Na Suíça sim, eu pago impostos, porque somos coletadas como prostitutas. Espero que isso não aconteça em Portugal, porque é uma palhaçada.

Porque diz isso? Não é a favor da legalização da profissão?

Não, porque vai toda a gente querer ser acompanhante. Ser prostituta é um posto, ser acompanhante é preciso estudar, é preciso saber. Não sou a favor de legalizar a profissão. Mas vamos legalizar o quê? É a profissão mais antiga do Mundo. Não faz sentido nenhum. Poucas mulheres se assumem, e posso garantir que não vai aparecer lá ninguém. E eu não apareço. Não é fácil ser acompanhante, há homens que são agressivos.

Já foi agredida?

Já. Aconteceu-me mais quando comecei a trabalhar. Agora as pessoas conhecem-me, não tenho medo de nada, só de perder os meus filhos. Eu estive em Paris com um cliente e entrei numa loja e os seguranças conheceram-me, porque viam a Casa dos Segredos. Há homens agressivos, tanto física como psicologicamente. Uma palavra mais arrojada como o “deita-te…”

Que agressão sofreu?

Fui violada por 8 homens na Suíça logo no início. Eu trabalhei a noite toda como stripper. Estava lá um turco que queria que eu fosse com ele, eu neguei e, entretanto, saí. Ia cheia de dinheiro, porque na altura ganhava-se fortunas – escondia o dinheiro nas cuecas. Desci um túnel e, quando eu subo, vi-o a chamar-me. Recusei e não sei mais nada, não sei o que me deram, só sei que acordei num jardim. Agora, com o confinamento, isto está a tomar proporções complicadas. Lisboa está perigosíssima. Eu tenho receio de atender à noite. Tenho vários grupos de WhatsApp e vejo pessoas a serem espancadas, há coisas muito graves a acontecer.

 

Andreia Leal, ex-concorrente da "Casa dos Segredos"
Andreia Leal, ex-concorrente da “Casa dos Segredos”

 

Continuou a atender clientes, mesmo em pandemia e confinamento?

Estive 72 dias parada no primeiro confinamento, e aguentei-me sem ajudas da Segurança Social, dos pais, de ninguém… Depois tive COVID-19 e os meus filhos também. Voltei a trabalhar em novembro. Como fiquei com imunidade, optei por trabalhar, tenho filhos para criar…

Como é que se atendem clientes em tempos de COVID-19?

Eles não vêm de máscara. Eu deixei de atender em apartamentos. Desde que começou o confinamento, eu prefiro fazer deslocações. E a razão é muito simples: eu atendo 20 clientes por dia. Por mais que eu desinfete e seja limpa, não consigo fazer como um hotel.

Atende 20 clientes por dia?

Vinte, 30, depende se tiver muita sorte. Depende da cidade, da publicidade que se faz à volta da chegada… do país. Se eu agora for à Suíça, onde não vou há dois anos, atendo 30 homens por dia a 300 francos (270 euros) por 20 minutos. A Suíça é uma máquina de trabalho.

A pandemia também afetou o mundo da prostituição?

Sim, causou diferença de postura e de aceitação do que eu cobro. Enquanto eu pedia 250 euros a um cliente para vir ter comigo, por exemplo, com a pandemia tenho percebido que há mulheres a 20 e a 30 euros. Mas eu recuso. Quem tem dinheiro, continua a ter e paga. A classe média desapareceu. Eu não baixei os preços, subi.

 

Andreia Leal, ex-concorrente da "Casa dos Segredos"
Andreia Leal, ex-concorrente da “Casa dos Segredos”

 

Quem mais a procura?

Quando era mais nova, era procurada por homens mais velhos; agora, que sou mais madura, são os mais novos que me procuram. As pessoas mais velhas não me querem porque tenho tatuagens, porque já não tenho cara de miúda. Mas procuram-me dos 20 aos 70 anos.

É procurada por figuras públicas, políticos, jogadores?

Tudo, depende.

Também recebe homens casados?

Claro. Os casados são uns solitários, precisam de ânimo. Nós somos a salvação de 70 por cento dos casamentos. O cliente sai de ao pé de mim com brilho.

Uma das pessoas com quem esteve, e que foi público, foi Pinto da Costa.

Eu estive apaixonada por ele. Ele não era meu cliente e nunca foi. Ele era, é, uma pessoa incrível. Conheci-o e apaixonei-me por ele, as minhas paixões são rápidas, as dele também. Estivemos juntos um ano, não éramos amantes, porque ele não tinha ninguém. Tínhamos uma relação.

Como se conheceram?

Eu vivi num hotel de cinco estrelas muitos meses e conheci-o lá através de uma amiga. Ela marcou um date surpresa com ele, eu ia a sair do elevador quando bati com os olhos nele. Mas já tínhamos falado imenso por mensagens, sem eu saber que era ele. Eu gosto muito de homens mais velhos, agora estou na fase dos mais novos. Ele é maravilhoso e tenho muito boas recordações dele.

 

Andreia Leal, ex-concorrente da "Casa dos Segredos"
Andreia Leal, ex-concorrente da “Casa dos Segredos”

 

É fácil apaixonar-se por clientes?

É, mas não é essa a minha função. Eu não destruo casamentos, eu salvo. Se eu vejo que há esse risco, eu prefiro filtrar. Mas é fácil, porque muitas vezes estamos mais vulneráveis e precisamos de colo.

Onde fica a vida amorosa da Andreia?

Não sei. Boa pergunta. Não fica, não me apetece, tenho medo. Eu, no fundo, tenho o marido perfeito, tenho o melhor de cada homem. O mau feitio fica em casa deles… Penso envelhecer ao lado dos meus filhos, netos e cães.

Pensa reformar-se?

A Madame Butterfly, a acompanhante mais antiga do Mundo, tem 89 anos e ainda cobra 18 mil libras (21 mil euros), por isso, se calhar, vou continuar.

Tem três filhos, Benedita (27 anos), Salvador (19) e Maria (9)…

Tenho quatro. A Mariana, que desde sempre é a melhor amiga da Benedita, vive comigo e é como se fosse minha filha.

Como foi contar aos seus filhos que é acompanhante?

Não contei, cresceram com isso. Eu não disse “sentem-se aqui para dizer que sou prostituta”. Quando me perguntavam onde ia à noite, eu dizia que ia trabalhar, eles percebem. Quando se age com naturalidade, as coisas não são tão difíceis de aceitar. A má notícia para os meus filhos não é eu ser acompanhante, era não estar tão presente.

E os seus pais, como reagem?

O meu pai, até hoje, não aceita. A minha mãe já aceitou e é a primeira a defender-me. Falo com o meu pai, mas não falamos sobre o assunto, ele vive no Brasil.

E se os seus filhos quisessem ser acompanhantes?

Nem a brincar quero ouvir isso. Às vezes há pessoas que mandam mensagens para as miúdas a perguntar se elas são acompanhantes também. E eu fico cega.

Os seus vizinhos não dizem nada, não cochicham?

Não, adoram-me. Sou ótima vizinha.

Teve problemas em tribunal com os pais da Maria e do Santiago…

O da Maria não foi por ser acompanhante. Não quero falar sobre isso, mas foi tudo por causa de uma mentira [N.R.: Dário, o pai da criança, alegava que Maria tinha assistido a cenas de sexo em casa de Andreia], e o poder paternal é meu. Quanto ao Salvador, sim, foi porque tinha a vida a mil. Custou-me muito na altura. Mas hoje olho e vejo que, de facto, o Salvador precisava do pai. O Pedro é um excelente pai, a minha sogra é professora. A Benedita autoformou-se. O Salvador é rapaz, precisava de estar mais com o pai e eles fizeram um trabalho incrível.

 

Andreia Leal, ex-concorrente da "Casa dos Segredos"
Andreia Leal, ex-concorrente da “Casa dos Segredos”

 

Voltava a entrar num reality show?

Não sei. Se tivesse alguém com quem me desse bem… A minha vida já não tem nada para descobrir.

Perdeu ou ganhou mais com a entrada na “Casa dos Segredos”?

Perdi. O País não estava preparado para a Andreia. Os meus clientes em Portugal tiveram medo que eu dissesse quem eram… Passei uma fase péssima, vivia de presenças porque os meus clientes desapareceram. Demorou muito tempo a passar, agora já não. As figuras públicas vêm ter comigo, sabem que sou de confiança.

É procurada por homens e por mulheres?

Sou, mas há muito poucas lésbicas que procurem acompanhantes. Há muitos casais que procuram, e eu percebo que elas gostam de mulheres.

Já fez filmes pornográficos?

Já, acho giríssimo, mas não me dêem 1000 euros, que assim não vou. Não vou dizer onde foi, mas uma das minhas regras era não passar em Portugal, nem com o domínio “.pt”.

Porque não quis que passasse em Portugal?

Por causa dos meus filhos, isso é que é horrível os meus filhos verem. Uma coisa é andarem na rua e dizerem que é filho da Vivianna Manccinni e eles não ligam, agora um amigo estar a ver a mãe com um homem… não faz sentido.

Quais são os principais medos de uma acompanhante?

Uma acompanhante de luxo não é uma garota de programa, são coisas muito diferentes. O principal medo de uma acompanhante é apaixonar-se por um cliente, não é perdê-lo. Os clientes nunca nos deixam. Tenho clientes de há 10 anos e tenho medo de os perder.

Não tem medo de ver o corpo envelhecer?

Não, porque tenho dinheiro. Se tiver uma pele aqui, eu tiro. Se precisar de corrigir, eu corrijo. Treino muito, tenho uma alimentação equilibrada… Só tenho lábios falsos.

Qual é a posição preferida na cama?

É ir ao banco depositar as notas (risos). Se me perguntarem como Andreia, eu sou uma totó na cama. Se for como a Vivianna, sou uma bomba. Gosto de todas.

A Vivianna tem orgasmos? Consegue ter prazer no trabalho?

Claro. Eu sou o CR7 do sexo.

 

Texto: Ana Lúcia Sousa (ana.lucia.sousa@worldimpalanet.com); Fotos: João Manuel Ribeiro

 

(entrevista originalmente publicada na edição nº 1779 da TV 7 Dias)

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