“Ninguém vai obrigado”: José Rodrigues dos Santos manifesta-se depois de Clara de Sousa

José Rodrigues dos Santos esteve na Ucrânia a cobrir a guerra com a Rússia. O jornalista da RTP1 manifestou uma opinião diferente da de Clara de Sousa sobre o envio de pivôs para cenários de guerra.

26 Mar 2022 | 10:30
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José Rodrigues dos Santos esteve na Ucrânia a cobrir a guerra com a Rússia. O jornalista do “Telejornal” da RTP1 foi um dos vários repórteres portugueses presentes naquele país e agora, em declarações a uma revista semanal, manifestou uma opinião diferente da de Clara de Sousa, da SIC, sobre o envio de pivôs para cenários de guerra.

Afirmando desconhecer as declarações que Clara de Sousa deu à Nova Gente, José Rodrigues dos Santos preferiu falar “em termos gerais” e sobre a sua passagem por Lviv, cidade a oeste da Ucrânia. “Estando a RTP coberta em Kiev, fazia todo o sentido estar em Lviv. Isto por duas razões. A primeira é que Lviv era o epicentro do êxodo massivo de deslocados de guerra, acontecimento de grande gravidade que requeria cobertura imediata. A segunda é que, nos primeiros dias de guerra, supunha-se que, pelas suas características, a invasão russa se destinava a toda a Ucrânia”, explicou à TV Guia.

O jornalista garantiu ainda que nunca frequentou qualquer curso para jornalistas em cenários de guerra e realçou que “ninguém vai obrigado”: “Nenhum repórter pode ser obrigado a cobrir uma guerra no teatro de operações contra a sua vontade”.

 

Clara de Sousa critica envio de pivôs para a Ucrânia

Clara de Sousa confessou, em exclusivo à Nova Gente, durante a atribuição dos Prémios Cinco Estrelas, em que foi distinguida com o galardão na categoria Jornalismo, que, atualmente, não queria ser enviada especial da SIC à Ucrânia ou aos países fronteiriços, ao contrário dos colegas de outros canais.

“Não gostava. Eu não sou repórter de guerra. E também acho que as pessoas não podem ir de ânimo leve para este tipo de ‘palcos’. As pessoas devem estar onde são mais necessárias. Se eu sou mais necessária no estúdio para ‘distribuir jogo’, obviamente que são os meus colegas que têm mais treino em cenários de guerra que devem ir para lá. Porque isto de estar num palco de guerra não é uma coisa simples. As pessoas têm de perceber que, além de arriscado, há regras a cumprir, há treino que é necessário ter, experiência necessária, e devem ir os melhores. Como noutros tempos ia o Paulo Camacho, a Cândida Pinto, que já têm muita experiência”, lembrou.

Para a jornalista da SIC, não faz sentido um pivô ir cobrir uma guerra. “Fazer o quê? Fazer aquilo que as outras pessoas fazem, que é meter os seus pivôs a 500 quilómetros de onde as coisas estão a acontecer? Para isso não me parece que valha muito a pena. Acho melhor estarmos cá”, respondeu, com assertividade.

Clara de Sousa não quis destacar o papel de nenhum jornalista em particular e falou de uma forma generalizada, revelando a sua principal inquietação. “Acima de tudo, eles têm de estar a desempenhar a sua profissão com os poucos meios que têm no terreno, e obviamente que estão limitados. Mas acho que têm de fazer em segurança e, portanto, eu percebo que para eles também seja difícil e desejo a todos um bom trabalho e que regressem bem. A minha preocupação é essa, sempre”, concluiu.

 

Texto: Ana Filipe Silveira e Inês Cordeiro; Fotos: Reprodução Instagram e Impala

 

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