“Nunca despi a camisola”: Hugo de Sousa regressa à ficção da TVI “com outro olhar”

Hugo de Sousa está de volta à Plural, a produtora da ficção da TVI, para ser Diretor Artístico. Vai trabalhar diretamente com Gabriela Sobral e, juntos, vão “olhar para as novelas de outra forma”.

01 Abr 2021 | 20:28
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O realizador Hugo de Sousa está de volta a Portugal. E à Plural, a casa da ficção da TVI, onde iniciou a sua carreira há mais de 20 anos e que deixou há pouco mais de três para mudar-se para o Brasil, onde trabalhou na Globo. Por lá, dirigiu uma novela das 18 horas, “Orgulho e Paixão”, uma produção de época, e outra das 19, “Salve-se Quem Puder”, ainda em exibição.

Hugo de Sousa, de 43 anos, é o novo Diretor Artístico da Plural – uma notícia avançada, em primeira mão, pela TV 7 Dias – e vai trabalhar diretamente com Gabriela Sobral, a Diretora de Conteúdos e Produção da mesma produtora.

O realizador, que já trouxe dois International Emmy Awards para Portugal (com as novelas “Meu Amor” e “Ouro Verde”, ambas da TVI) abriu o coração à VIP e falou sobre este (grande) desafio que tem em mãos.

 

VIP – “O bom filho à casa torna”. Ambicionava este regresso a uma “casa” onde já foi tão feliz?

Hugo de Sousa – Claro que sim, foi a casa onde cresci. A camisola que nunca despi!

Para que se perceba melhor, qual será o seu papel na Plural?

Sou Diretor Artístico dos Conteúdos da Plural. Isso implica ter um olhar artístico em todos os projetos, mas também ser realizador sempre que se justificar. Irei trabalhar ao lado da Gabriela Sobral, que me convidou para juntos fazermos mais e melhores conteúdos.

O facto de voltar a trabalhar com Gabriela Sobral é a repetição de uma fórmula vencedora que tanto já deu ao canal?

Não acredito em fórmulas vencedoras. Acredito, sim, em cumplicidades, linhas de pensamento, entendimentos artísticos e uma grande paixão pelo audiovisual que partilhamos. Acredito que juntos podemos reorganizar a estrutura artística e olhar para as novelas de outra forma.

É o maior desafio da sua carreira até agora?

Não aceitaria este convite se não fosse um enorme desafio.

Que cartas tem na manga e que surpresas podemos esperar?

Nunca fui homem de ter cartas na manga, só de fazer o melhor que sei em todos os projetos que abracei. É lógico que, após três anos e meio a trabalhar no estrangeiro, venho com um outro olhar… Talvez a idade pese também (risos).

Acompanhou de perto a realidade televisiva portuguesa dos últimos anos, mesmo estando a viver e a trabalhar no Rio de Janeiro? Qual a sua perspetiva?

Honestamente, não tive tempo para acompanhar muito. Tentei sempre acompanhar as notícias quando possível. Mas deu para perceber que foram feitos muitos projetos de que há muito precisávamos. Exemplo disso foi o aumento de produção de séries em Portugal e muitas delas de alta qualidade.

Qual o sentimento de regressar a Portugal, depois de uma temporada a brilhar no estrangeiro?

Alegria, motivação e otimismo. Mas confesso que também já tenho muitas saudades do Rio de Janeiro.

Que balanço faz da sua aventura no Brasil? E que memórias traz consigo?

Foram três anos e meio inesquecíveis. Tive a oportunidade de crescer enquanto homem e profissional. Tive o privilégio de trabalhar com grandes profissionais, grandes artistas e de criar novas amizades. Trabalhar na Globo, que é uma das maiores empresas de produção de conteúdos do mundo, é um privilégio e viver à frente da praia era um sonho que eu tinha por realizar (risos).

Ainda estava no Brasil quando surgiu a pandemia da COVID-19. O que sentiu naquele momento e à medida em que a situação foi piorando?

Foi tudo muito estranho! Quando Portugal já estava a “fechar”, no Brasil ainda parecia que era algo que vinha lá longe e parecia exagerado. Mas quando a Globo decide parar todas as novelas por conta da pandemia, aí, sim, percebi que a coisa era grave. Senti-me no dever de voltar o quanto antes para Lisboa, pois a minha família e amigos estavam aqui e eu deveria estar perto deles. Mas nunca me senti de forma alguma inseguro no Brasil, mesmo quando tive de voltar para terminar as gravações em plena pandemia.

Considera que, atualmente, já há “condições” para se continuar a fazer boa televisão?

Sempre houve, logicamente temos que ver onde nos enquadramos. Portugal nunca terá o mesmo dinheiro para fazer conteúdos como países com a dimensão do Brasil. É uma questão de escala.

O que é, para si, fazer boa televisão?

Aquela que é feita com amor, dedicação, de forma íntegra e consciente. Aquela que faz o espectador sonhar, distrair, entreter…. sentir-se feliz.

Gostaria de, no futuro, voltar para o estrangeiro?

Portugal é o meu país, Lisboa é a minha casa e o Rio de Janeiro tornou-se na minha paixão. Sou um homem do mundo… O que quer que isso queira dizer (risos)!

 

Texto: Ivan Silva; Fotos: Gentilmente cedidas por Hugo de Sousa

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