Núria Madruga em grande entrevista: “É importante não desistir”

Afastada há quatro anos das novelas, Núria Madruga interpreta o papel da professora Camila em “Quer o Destino” e diz que em 22 anos de carreira já aprendeu a lidar com a instabilidade da profissão.

26 Out 2020 | 8:10
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Numa entrevista exclusiva à TV 7 Dias, a atriz Núria Madruga fala do regresso à representação e o quanto é difícil nunca saber o dia de amanhã. Mãe de três filhos, Sebastião e Salvador, de nove anos, e Lourenço, quase com três anos, Núria Madruga considera que ser mãe é o papel mais desafiante da sua vida.

Preocupada com o regresso dos filhos à escola e a insegurança que se vive por causa da COVID-19, a atriz assume que teme por eles, assim como pelos pais, que sente saudades de beijar e abraçar.

 

TV 7 Dias – Como foi interpretar a professora Camila?

Núria Madruga – Foi muito giro. A personagem tem algumas situações caricatas que acabam por lhe dar alguma comicidade.

É mais difícil entrar no ritmo quando a história já vai na reta final?

Principalmente perto do final, quando já estão todos com as personagens superseguras e com um ritmo de gravações mais acelerado. Mas fui muito bem recebida e adaptei-me facilmente com a ajuda de todos.

Já tinha saudades de fazer novela?

Sim, estive muitos anos seguidos a fazer novelas sem parar, por isso, quando há uma pausa, mesmo que seja pensada e por vezes necessária, sentimos sempre algum vazio. Gosto e preciso sempre de voltar ao palco, mas depois há sempre a saudade deste ritmo mais intenso de novela. Perfeito era conciliar sempre o teatro com a televisão e cinema.

Como foi gravar com tantas medidas de segurança?

Foi estranho, mas depois habituamo-nos. Mas foi difícil entrar num estúdio onde conheço a maioria das pessoas e de quem já tinha imensas saudades e não poder dar um abraço.

Pode comprometer a “entrega” à representação?

Fazemos um esforço para que isso não aconteça. As personagens também vivem de toque e proximidade, por isso é adaptar-nos à nova realidade, mas sem comprometer o produto final.

A sua personagem vive um romance com Carlos. Foi difícil fazer as cenas de beijos e manter a segurança?

Os atores são constantemente testados e tudo é feito com a maior segurança.

Já retomou a peça de teatro que estava a fazer antes da pandemia?

Ainda não, tivemos muitas datas canceladas e adiadas. Infelizmente, a cultura em Portugal não está a ser devidamente apoiada e há muitos teatros deste País que não lhes compensa abrir uma sala com lotação reduzida. Temos algumas datas novamente marcadas e espero que se concretizem. “Ding Dong” é uma comédia superdivertida, sinto que as pessoas precisam muito de voltar a ir ao teatro e passar bons momentos.

A comédia é um registo que se sente à vontade?

Cada vez me sinto mais à vontade e é um registo que quero explorar ainda mais. Principalmente no teatro estamos constantemente a descobrir novas formas de trabalhar a personagem e é muito interessante ter o feedback do público, há sempre situações que surgem e se descobrem no momento.

Fazer as pessoas rir não é tão fácil como parece. Tem algum ritual antes de entrar em cena?

Preciso sempre daquela hora antes para preparação e concentração. Depois todos juntos damos sempre a mão antes do pano subir. No meu camarim não podem faltar alguns objetos pessoais, principalmente a foto dos meus filhos e marido.

O que está a ser mais difícil para si nesta fase de pandemia?

Não poder abraçar e beijar os meus pais como sempre fiz. Tenho estado com eles, mas sempre com máscara ou com distância para os proteger.

Como mãe, qual é o seu maior receio?

Principalmente tudo o que diz respeito à saúde. São todas estas dúvidas que nos transportam facilmente para o medo, e isso tem sido a parte pior de gerir, principalmente agora que a escola começou e já não dependem só de nós.

Entrou na chamada “fase dos 40”, sente-se uma mulher diferente?

Para já, sinto-me igual. Acho que se deu sempre demasiada importância aos 40, como se fosse a passagem definitiva ao mundo dos adultos sem bilhete de regresso. Mas a verdade é que eu, em muitas coisas, continuo a sentir-me uma miúda e ainda não sinto esse peso que querem dar aos quarenta.

Sendo uma atriz bonita, deve receber muitas mensagens nas redes sociais e que algumas delas não falem apenas sobre o seu trabalho. Como lida com o assédio?

Quando não me sinto confortável e ultrapassam o limite, simplesmente ignoro.

Ser mãe é o maior papel da sua vida?

O maior, o mais importante e o mais desafiante.

Sendo mãe de três meninos, não gostava de ter uma menina?

Adoro ser mãe de rapazes.

Sente que uma atriz que tem filhos acaba por ficar “de fora” de algumas escolhas na representação?

Espero que não e quero muito provar que é possível continuarmos a ser boas profissionais depois de termos filhos.

Como atriz, lida bem com a “incerteza” do dia de amanhã?

Depois de 22 anos de profissão já me conformei com essa realidade. Claro que custa muito nunca sabermos o dia de amanhã e em algumas fases da nossa vida deixa-nos muito inseguros. É importante não desistir, porque vão sempre acontecer altos e baixos na nossa vida profissional.

 

Texto: Neuza Silva (neuza.silva@impala.pt); Fotografias: Arquivo Impala e reprodução redes sociais

 

(entrevista originalmente publicada na edição nº 1753 da TV 7 Dias)

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