Soldado Milhões: O MAIOR HERÓI português de sempre.

Estivemos em Valongo, perto de Murça, localidade de onde é oriundo Aníbal Milhais o militar português que recebeu a mais alta condecoração nacional de sempre e cuja história está agora imortalizada.

07 Nov 2018 | 17:28
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No ano em que se comemora o centenário do Armistício da Grande Guerra Mundial (No passado dia 11 de Novembro), a RTP exibe uma minissérie de três episódios intitulada Soldado Milhões (estreou a 3 e prossegue dias 10 e 17 de novembro, às 21h00).

Uma produção inicialmente apresentada como uma longa-metragem, com o mesmo nome, e que estreou a 12 de abril deste ano, coincidindo com o centenário da Batalha de La Lys; uma localidade na Flandres, que foi palco de um dos mais sangrentos e encarniçados combates da I Grande Guerra Mundial, que teve a participação de um contingente de mais de cem mil soldados portugueses que iam combater um inimigo que desconheciam, isto sem estarem minimamente preparados para o impiedoso conflito de trincheiras que grassava na Europa central.

No meio desta mole militar iria destacar-se o humilde praça, Aníbal Augusto Milhais, um humilde agricultor oriundo de Murça que, em pleno combate, sozinho, apenas com a sua “Luisinha” (nome com que batizou a sua metralhadora Lewis) iria travar várias tentativas de invasão dos alemães, num ato de pura bravura que permitiria que os seus companheiros conseguissem escapar.

O seu feito chegaria ao conhecimento do Major Ferreira do Amaral (António Pedro Cerdeira) e profere as palavras que ficariam para a história associadas ao herói: «É Milhais, mas vale milhões”.

Mais tarde o Estado iria atribuir-lhe a mais alta condecoração militar portuguesa de sempre, a Ordem de Torre e Espada, do Valor Lealdade e Mérito, e iria usá-lo através da máquina da propaganda da ditadura vigente e a sua imagem levada a todos os pontos de Portugal.

 

«Era uma pessoa simples e humilde»

 

É sob este prisma, num argumento de João Botequilha, que os cineastas Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa, decidiram recriar a sua história, apesar de algumas partes serem ficcionadas. Para dar corpo ao elenco foram chamados João Arrais (Milhais em jovem) e Miguel Borges (que encarnará a figura num pós-guerra), que dão corpo a este herói, a que se juntam igualmente outros nomes maiores, tais como Ivo Canelas, António Pedro Cerdeira, Lúcia Moniz, Tiago Teotónio Pereira, Isaac Graça, Graciano Dias entre muitos outros.

O herói em jovem é interpretado pelo ator João Arrais, que nos contou como foi a experiência e como a longa-metragem foi recebida e o que poderemos esperar da minissérie: «O filme teve uma boa aceitação, mas estar como uma minissérie vai chegar ainda a mais pessoas e dar a conhecer este personagem único que ainda poucos se lembravam dele e perpetuar a sua memória. Estar aqui com os familiares do soldado Milhais e ouvir as suas histórias foi incrível. E como esta minissérie é mais longa, dará igualmente para explorar mais e melhor mais situações e até novas personagens».

 

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Depois do filme estreou hoje a série de TV Soldado Milhões. Acompanhem na RTP 1. #soldadomilhoes #rtp1 #ukbarfilmes #firstworldwar #grandeguerra

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Já para o veterano Miguel Borges, que interpreta Aníbal Milhais, mas na década de 40 do século passado, foi uma experiência mais pessoal, confessa-nos. «Eu fui uma das poucas pessoas do elenco que estive aqui durante uma semana e tive o privilégio de falar com a família, que me mostrou fotos, documentos e me relataram como ele era na realidade. Isso serviu para construir melhor a minha personagem. Era uma pessoa simples e humilde e que, no meu personagem aparece um pouco traumatizado pela guerra».

Esta produção será ainda complementada, pela RTP, com uma série de apontamentos sobre a I Grande Guerra Mundial e uma dezena de mini-documentários, intitulados de «Vida nas trincheiras», realizada por Cláudia Alves, que serão exibidos na RTP3.

 

«O meu avô aprendeu»

O herói de Murça teve dez filhos e ainda possuí um incontável número de netos e bisnetos. Mas uma das pessoas que tenta passar com orgulho o legado do avô é Deolinda Milhões, que nos recorda que o avô «foi alguém que, tal como outros, foi obrigado a ir lutar para uma guerra, cuja realidade desconhecia completamente, deixando aqui muitas mulheres sós e que foram também heroínas à sua maneira. Lembro-me dele como, apesar de ver outros que muitos anos mais tarde vieram da Guerra do Ultramar afetados psicologicamente, como uma pessoa serena, humilde, trabalhador e esforçado, que construiu uma grande família (dez filhos) e se rodeava sempre destes. O meu avô aprendeu interiorizou e passou o seu conhecimento», analisa Deolinda.

Homenagem dos realizadores

 

Sobre este projeto, os realizadores Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa contam-nos que, «comparativamente com a longa-metragem, os espectadores irão ver mais uma hora de história do Soldado Milhões, mas é mais do que isso, pois a minissérie tem uma construção diferente. Foi pensado como uma série, com um lado biográfico e incidental vincado e dará mais tempo para conhecer o personagem e aquilo que ele passou, mas, claro que existem algumas partes mais ficcionadas. Contudo é não só uma homenagem ao Soldado Milhões, mas a todos aqueles que lutaram ao seu lado e aos muitos que perderam a vida num conflito que nem compreendiam.»

 

Texto: Eduardo César Sobral
Fotos: João Manuel Ribeiro e divulgação
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