O bom filho à casa torna: os espantosos 360 graus televisivos de Ricardo Araújo Pereira

Ricardo Araújo Pereira regressa à SIC, 17 anos depois da estreia na estação. O humorista de 45 anos junta-se ao restrito lote de estrelas que já passaram pelos 3 canais generalistas.

03 Jan 2020 | 15:15
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Gente Que Não Sabe Estar foi o derradeiro adeus de Ricardo Araújo Pereira à TVI. A SIC, pela mão de Daniel Oliveira, faz, 16 meses depois de roubar Cristina Ferreira, um novo xeque-mate à TVI, arrecadando uma das mais preciosas jóias da coroa.

O humorista de 45 anos fecha um ciclo em Queluz de Baixo e não vai sozinho.  Ricardo Araújo Pereira muda-se para Paço de Arcos, levando consigo os três elementos do Governo Sombra. Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Carlos Vaz Marques, comentadores e moderador do programa que nasceu na rádio TSF em 2008, também migram para a SIC, depois de quase 8 anos na TVI24.

 

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A verdadeira preocupação de Manuela Ferreira Leite. Vídeo completo no link da bio. #gqnse @tvi24 @tvioficial

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O programa ganha assim uma nova vida… e maior protagonismo. Governo Sombra, que arranca já dia 10 de janeiro, passa a ser emitido na SIC generalista, com repetição depois na SIC Notícias na manhã seguinte.

Um fenómeno chamado Gato Fedorento

 

Ricardo Araújo Pereira regressa à família SIC 17 anos depois da estreia de Gato Fedorento, ainda na SIC Radical. O humorista junta-se assim a um restrito naipe de figuras televisivas que já passaram pelos três canais generalistas e nos quais se incluem Herman José, Teresa Guilherme e Manuela Moura Guedes. Um feito raro que alcança aos 45 anos e sem ter tido, nos últimos anos, um programa fixo.

Depois de ter feito da parte da equipa de guionistas das Produções Fictícias, no final da década de 1990, e de ter escrito para os programas de Herman José, Ricardo Araújo Pereira, juntamente com Miguel Góis, José Diogo Quintela e Tiago Dores, funda os Gato Fedorento. Em 2003, pela mão de Francisco Penim, o coletivo estreava-se na SIC Radical, dando assim o pontapé de saída para a era 2.0 do humor televisivo português.

Fonseca, Meireles e Barbosa, as séries emitidas na SIC Radical foram sucedidas pela primeira mudança, agora para a televisão estaral. A quarta temporada dos Gato, Lopes da Silva, seria já emitida na RTP1, bem como o talk show Diz que é Uma Espécie de Magazine.

Em 2008, os Gato regressavam à casa mãe, agora no canal generalista. Pela mão do então diretor de programas, Nuno Santos, o coletivo fez o programa de humor Zé Carlos e ainda Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios, formato que, pela primeira vez na televisão generalista, colocou políticos em formatos de entretenimento. O formato, a estilo do norte-americano Daily Show, fez ‘cobertura’ das legislativas de 2009 e das autárquicas do mesmo ano.

Entre 2011 e 2013, o coletivo tornou-se a imagem oficial da MEO (atual Altice), tendo-se dedicado ao formato Fora da Box, patrocinado pela empresa de telecomunicações. Em dezembro desse ano, os Gato Fedorento protagonizavam um formato intitulado A Solução que, na altura, foi acolhido com críticas adversas.

 

A estreia na TVI

 

Os fãs dos Gato teriam de esperar mais 3 anos até ao novo regresso, para mais uma edição de Esmiúça os Sufrágios, agora sob o nome Isso é Tudo Muito Bonito Mas, dedicado às eleições legislativas de 2015. Este seria o último programa dos Gato Fedorento, embora já sem Tiago Dores.

A estreia de Ricardo Araújo Pereira a solo dá-se precisamente no canal que, agora, o deixa partir. Em 2014, começa por ter o programa semanal Melhor do Que Falecer e, depois, uma crónica diária no Jornal das 8. Gente Que Não Sabe Estar, talk show dedicado às legislativas de 2019, marca o adeus de RAP a Queluz de Baixo.

Licenciado em Comunicação pela Universidade Católica, Ricardo Araújo Pereira fez a sua estreia, ainda como jornalista estagiário, na TVI. Cronista, autor de vários livros, benquista ferrenho, casado com Maria José Areias e pai de duas meninas, o humorista é um acérrimo defensor da sua privacidade. Não tem presença nas redes sociais e nunca surgiu em público com a família.

Numa altura em que a Media Capital está prestes a ser adquirida pelo grupo Cofina, uma dúvida fica por responder: irá o humorista continuar nas Manhãs da Comercial, rádio que pertence ao mesmo grupo da TVI?

 

texto: Raquel Costa | Fotos: Arquivo Impala e SIC

 

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