Padre Borga confessa sentir vazio nesta fase: «É das pessoas que sinto mais falta»

A TV 7 Dias esteve à conversa com o padre José Luís Borga que conta como está a viver esta fase. O sacerdote não esconde que os tempos que se avizinham serão difíceis mas de muita aprendizagem.

19 Abr 2020 | 9:50
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A par do que se vive no mundo, este ano também a Páscoa teve um sabor diferente. Porém, o padre José Luís Borga mostra-se esperançoso e avança que todas estas provações «devem ser olhadas como uma lição» para o futuro.

Apesar de vivermos tempos atípicos devido à covid-19, o sacerdote assume que está numa posição privilegiada. «A minha vida é igual ao que era antes. Estou recolhido, a respeitar as distâncias. Para nós padres isto não é de todo tão difícil como para aqueles que têm família, postos de trabalho em risco, filhos em casa para educar. O facto de não termos família, nestas coisas dá-nos bastante tranquilidade», afiança o concorrente que se disfarçou de astronauta no programa A Máscara.

«Mas de resto temos preocupações acrescidas de outro género. Enquanto uns se preocupam com a sua família, nós padres preocupamo-nos com muitas famílias. Mas estamos preparados para viver de uma forma mais espiritual estas coisas, o que nos dá alguma esperança», ressalva.

Ainda assim, o eclesiástico não esconde que há um vazio por preencher. «Nunca vivi a Páscoa assim, sem poder ter a minha comunidade por exemplo. Os tempos que vêm a seguir a isto vão ser cruciais. Temos de fazer festas serenas, íntimas, mas cheias de calor humano. É disso que as pessoas estão a precisar. As pessoas estão carentes, sentem falta de serem pessoas e claro que é disso que sinto falta. Não nos vemos, não estamos uns com os outros e isso agora tornou-se muito mais valioso. É das pessoas que sinto mais falta porque Deus toda a gente tem. Deus está em todo o lado, as pessoas é que não estão», confidencia o também artista que está ansioso por voltar a ter “Casa” cheia.

«Com as pessoas que vou falando digo que assim que a gente sair disto, a missa que vou celebrar aqui na Chamusca, não vai ter espaço para tanta gente. Às vezes precisamos de ser privados para darmos valor», atira o pároco.

 

«Nunca fiz tão poucos funerais como agora»

De forma assertiva, o padre José Luís Borga adianta que as pessoas não estavam preparadas para conviver umas com as outras e que agora esses problemas vêm à tona. «Os tempos que se avizinham vão ser de gente a perder o emprego, de gente que não sabe como vai ganhar o pão de cada dia, de não saber como pagam as dívidas que têm, como é que mantêm o lar, enfim…Para não falar que as pessoas não estão habituadas a conviver umas com as outras e depois como estão a ser obrigadas a estar umas com as outras, fica muito mais difícil», atira o sacerdote.

«Mas lá está isto é algo que já devia ter sido treinado! Se tivessem treinado, isto estaria a ser mais fácil. Estou convencido que há mosteiros que nem estão a dar pela ordem de recolhimento, esses estão habituados», afirma. Porém está convicto de que, quando tudo isto passar, será diferente. «As histórias que as famílias vão ter para contar, dos pais que já conseguem conhecer os filhos, saber do seu melhor e do seu pior, os filhos a conhecerem os pais. Estamos há já um mês recolhidos e espero que depois de tudo, fiquemos mais ricos nesta parte», diz, esperançoso.

Embora na sua paróquia não tenha vítimas mortais a lamentar, o pároco da Chamusca admite estar em sofrimento. «Ainda não tive aqui nenhum caso, aliás nunca fiz tão poucos funerais como agora, é uma coincidência. Na minha paróquia só há um caso detetado. Portanto eu sei que estou num cantinho do Céu. Mas há gente que está a passar dores horríveis. Há paróquias em que as famílias não puderam fazer o funeral do seu ente querido. Tudo isso vai deixar feridas abertas que espero que cicatrizem», lamenta.

Texto: Maria Inês Gomes (ines.gomes@impala.pt); Fotos: Arquivo Impala
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