«Aperto no peito». Pais de João Félix temem pelo filho!

João Félix está a ser apresentado, neste momento, como a nova contratação do Atlético de Madrid. Saiba tudo sobre o craque de apenas 19 anos, cujos pais não escondem a preocupação.

18 Jun 2019 | 23:20
-A +A

João Félix, de apenas 19 anos, foi aposta constante de Bruno Lage no Benfica, surpreendendo de imediato com o seu talento e capacidade de marcar golos. Fatores que chamaram a atenção do Atlético de Madrid, que desembolsou 126 milhões de euros para contratar o jogador e que o está a apresentar, neste momento, à imprensa.

Os olhos do mundo do futebol estão, de facto, todos em cima de João Félix, à espera da sua próxima maravilha. E é precisamente isto que assusta os pais do jovem! Os professores de Educação Física, Carla e Carlos, estão orgulhosos dos feitos do filho, mas não se deixam deslumbrar e sabem que quando se espera muito de alguém, nenhuma falha lhes é perdoada!

E é isso que temem, garante-nos Cátia Lopes, amiga, confidente da mãe e vizinha da família há 12 anos, na sua terra natal, em Viseu.

«Eles ficam um pouco assustados, eu também ficaria, porque lá está, ele tem 19 anos, é um miúdo, um menino ainda e acho que, às vezes, as pessoas não têm noção disso, não têm noção que ele é um miúdo. Este mediatismo todo também não é assim tão saudável, a sorte é que ele também não se deixa levar por esta pressão, mas e se ele se deixasse? Tudo o que tem a ver com ele agora é notícia e assusta-os. Não é assim tão saudável!», explica Cátia.

A confidente da mãe do homem do momento acrescenta ainda: «Põem-no tão em cima que ele poderá só estar um bocadinho abaixo e já vão dizer que ele já não está ali. Não é por ele ter um jogo em que renda um bocadinho menos que já deixou de ser um excelente jogador, porque ele continua a ser um excelente jogador, mas a atenção está tão focada nele que, às vezes, basta uma coisinha e já é o suficiente para falarem. E isso não é fácil de gerir e para os pais principalmente que querem o melhor para os filhos e que estão sempre preocupados. Não é fácil, é andar sempre com o ‘coração nas mãos’», confidenciou esta professora à TV 7 Dias, à porta de sua casa, em Viseu, que é paredes-meias com a dos pais do craque, que não acederam a falar por se quererem resguardar, assim como ao filho.

«Tem muito a ver com a maneira deles serem, são pessoas reservadas, que gostam de estar no sítio deles», justifica a mesma. E, para além disto, há sempre o receio de dizerem algo que possa ser mal-interpretado. É que para Carla e Carlos não é fácil lerem e ouvirem certos comentários sobre o jogador. “Claro que os magoa, não é fácil. Às vezes, digo que não queria estar na pele dela. Realmente, é fantástico e uma pessoa fica orgulhosa, mas que é um constante aperto no peito é”, confessa.

O acompanhamento dos pais

 

João Félix tem um talento inato, mas todos os que acompanham o percurso do craque asseguram que grande parte do seu sucesso se deve à educação, dedicação e acompanhamento dos pais, que fizeram de tudo para que o filho seguisse o seu sonho.

O avançado tinha apenas nove anos quando foi recrutado para as camadas jovens do FC Porto e durante sete anos, até ir para o Benfica, Carla e Carlos faziam o percurso de Viseu à Invicta, cerca de 260 quilómetros, pelo menos cinco dias por semana.

«Iam, vinham ao fim do dia, chegavam tardíssimo e era a rotina deles. Realmente, era um cansaço muito, muito extremo. Trabalhar longe e chegar ao fim do dia, ainda ir para o Porto e voltar às onze e tal da noite, não é fácil e não é qualquer pessoa que faz esse sacrifício. É abdicar de ter tempos livres, é abdicar de tudo em prol dos filhos e não é fácil», sublinha Cátia, lembrando que quando João foi para o clube da Luz, Hugo Félix, o irmão quatro anos mais novo, que hoje também alinha pelo mesmo clube lisboeta, nos iniciados, ficou no FC Porto, pelo que, durante um ano, os pais tiveram de andar de Norte a Sul para conseguirem estar com os dois.

Mas foi este esforço dos professores de Educação Física, que continuam a fazer questão de estar presentes, e os valores que lhe transmitiram, que fizeram a diferença. «E eu acho que ele tem tudo para ser um excelente jogador e, acima de tudo, tem uma coisa que é muito bom, tem uns pais presentes. E, lá está, a cabecinha dele continua no sítio e isso é fundamental, porque não é fácil com 19 anos ele estar a ter este protagonismo e mediatismo todo, mas ele continua a ser o miúdo humilde que sempre foi e acho que isso é que e fantástico e deve-se em grande parte à educação que ele teve, ao apoio dos pais», explica.

«Tem tudo a ver com este acompanhamento que ele continua a ter e que é fundamental no crescimento dele, mas também na maneira dele ser, um miúdo muito reservado, tímido, não é daqueles espalhafatosos, eufóricos. Sempre foi um miúdo muito calmo, tranquilo e nunca foi de se gabar, de chegar aqui ‘eu sou melhor que vocês todos’, não, sempre foi um miúdo muito humilde», assegura a amiga da família.

 

View this post on Instagram

 

De volta a casa!!?⚪️

A post shared by João Félix (@joaofelix79) on

Tó Zeca, treinador de Os Pestinhas, em Tondela, o clube onde o avançado esteve três anos, dois na parte de recreação e o último na competição, concorda que parte do seu segredo são os pais: «Eu acho que sim porque não é fácil a miudagem ter o acompanhamento que o João teve. Os pais estiveram sempre do lado dele.»

O próprio jogador já assumiu que se não fosse o pai, poderia ter desistido do futebol, na altura em que estava na formação do FC Porto e não era chamado para jogar. «O meu pai convenceu-me, disse-me que nada ia ser fácil, que tudo era conquistado com sacrifício. Ouvi o que ele disse e segui o meu caminho», disse ao magazine da UEFA.

 

Pés bem assentes no chão

 

Apesar da rápida ascensão e de todo o mediatismo, ninguém teme que João Félix se perca, tão-pouco que esqueça a humildade.

«Não tenho esse receio porque o João não mudou, o João continua a ser o mesmo miúdo, com a mesma humildade. Ele tem os pés bem assentes no chão. Os pais são o exemplo disso, eles continuam com o mesmo carro, eles são professores e não faltam às aulas para ir ver os jogos do filho, se conseguirem conciliar muito bem, se não, não vão, ou seja, são um exemplo. Eles também continuam com os pés assentes no chão e é um exemplo para o João», garante Pedro Maneira, o presidente de Os Pestinhas.

Cátia Lopes atesta as palavras e garante que os amigos não se deixaram deslumbrar com o sucesso do filho: «São pessoas muito humildes, reservadas, amigos dos seus amigos e continuam a ser os mesmos de sempre. Não há alteração nenhuma da relação que nós temos, das pessoas que eram.»

Por isto mesmo, assegura que o casal tenta não fazer grandes previsões para o futuro do jogador, que já se diz que será uma grande estrela mundial. «Eles não querem pensar muito nisso porque são pessoas que vivem o dia-a-dia e vivem o hoje, não vivem o amanhã, porque se começarem a pensar muito no futuro é sofrer por antecipação e não há necessidade. É pensar que vai correr tudo bem, ir com calma, acompanharem-no acima de tudo e estarem presentes e o resto o futuro dirá».

Contudo, relativamente à hipótese de João Félix ir jogar num clube estrangeiro, confessa: «A Carla sabe que mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer, até porque o sonho de qualquer jogador é ir para fora, mas eles não pensam muito nisso porque nenhuma mãe quer o filho longe. Já basta em Lisboa, mas aí pode ir vê-lo e vai sempre, agora Espanha, França, Inglaterra, Itália é muito mais complicado.»

Esta amiga confidencia ainda: «Ela é uma mãe-galinha, sabe tudo e vive tudo o que tem a ver com os filhos e vive para eles, basicamente.»

Focado desde sempre

 

Pedro Maneira não se esquece: «Era um miúdo pequenino, com muita habilidade, muita alegria no que fazia, muito concentrado, o que é difícil para aquelas idades. O que ele demonstra hoje, era a mesma coisa, mas em tamanho pequenino», e contando que na altura Os Pestinhas treinavam no antigo Estádio João Cardoso, no campo sintético que agora é o relvado do campo de treinos dos seniores do Tondela, acrescenta:

«A grande diferença dele para a maior parte das crianças, era exatamente a concentração que ele conseguia manter no treino, desde o início até ao fim, focado no que queria, tanto é que ele ainda nem tinha idade para andar na competição e nós puxámo-lo porque achámos que ele já tinha capacidade para jogar no escalão acima.»

Quanto ao que o destacava dos outros, assegura: «Era a simplicidade com que ele fazia as coisas, para ele era fácil jogar, ou seja, enquanto que a maior parte dos miúdos tem de se esforçar, ele não, as coisas saiam-lhe fácil. Eu quando o vejo a jogar hoje, lembro-me do miúdo que esteve connosco aqueles anos. Às vezes, até me arrepio porque as expressões, as coisas que ele faz, faz-me recordar muito daquilo que ele já fazia antes, mas é claro que hoje é a outro nível.»

Tó Zeca corrobora as palavras de Pedro e acrescenta: «A facilidade que ele tinha de passe era qualquer coisa de diferente, ele já naquela altura fazia passes que não lembrava a ninguém. Já fazia coisas que nenhum dos outros fazia.»

 

Textos: Susana Meireles; Fotos: SL Benfica, Susana Meireles e D.R.

PUB