“Papá, não quero ser preto”: Filho de jurado de “All Together Now” pôs o pai de rastos

Foi no programa “Goucha”, da TVI, que Matay, jurado de “All Together Now”, da mesma estação, recordou o dia em que filho o confrontou com a frase que o fez “sangrar por todo o lado”.

06 Abr 2021 | 19:30
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Matay, um dos cem jurados do programa “All Together Now”, marcou presença no vespertino da TVI, “Goucha”, nesta segunda-feira, 5 de abril. Em conversa com Manuel Luís Goucha, o cantor recordou as duras palavras do filho que, com apenas cinco anos, confrontou o pai com o facto de não querer “ser preto”, fruto do racismo que sentiu na pele.

“O que é que se sente quando um filho se chega ao pé de um pai e diz: ‘papá, não quero ser preto’?”, começou por inquerir o anfitrião do programa das tardes da estação de Queluz de Baixo, logo nos primeiros instantes da entrevista. Após respirar fundo, Matay respondeu: “É duro”, salientando que foi um desabafo feito pelo filho recentemente.

“É duro, mas ao mesmo tempo tentamos não dar ênfase àquela situação, porque não se espera que uma criança de cinco anos conheça essa diferença”, explanou o músico, de 34 anos, admitindo ainda que as palavras do seu rebento o deixaram destroçado. “Sangrei por todo o lado. Parece que o corpo rebenta”, disse.

Somos pretos e com orgulho”

Apesar do duro desabafo em que se viu confrontado, Matay fez os possíveis para “desconstruir” o preconceito do filho em relação à cor da pele. “Tentei mostrar-lhe que não há nada de errado. Não há mal nenhum em tu teres a cor igual à do papá. Nós somos pretos e com orgulho”, rememorou. “Aquilo que eu pretendo fazer com o meu filho primeiro é deixá-lo descontraído sobre este assunto e depois dar-lhe formação para ele conseguir responder a estas situações”, advogou ainda Matay que aos seis anos de idade sentiu, também ele, o que é ser alvo de racismo. “Repara, a história repete-se”, salientou Goucha.

No decorrer da entrevista, o intérprete do tema “Não Chores Mais” salientou uma das frases que mais o marcou no que diz respeito ao preconceito: “Matay é nome de preto, preto das barracas”. As palavras foram proferidas por colegas de escola, perante o olhar da professora que reagiu com um sorriso.

“Estava a ser humilhado e pior do que isso, era tudo normal”,  recordou. “Isto é duro e ainda hoje é duro. E hoje é o meu filho a passar por isto”, afirmou, referindo ainda que apesar de alguns avanços positivos, Portugal ainda é um País racista.

Texto: Alexandre Oliveira Vaz; Fotos: Redes Sociais
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