Pedro Carvalho em EXCLUSIVO: «Estou MUITO REALIZADO no Brasil»

Depois da Record, o ator foi chamado para a Globo e, após o sucesso em O Outro Lado do Paraíso, foi convidado a entrar em A Dona do Pedaço.

19 Mai 2019 | 14:50
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TV 7 Dias – O trabalho que desenvolveu na novela O Outro Lado do Paraíso impressionou a Globo… e com isto, ganhou o «passaporte» para A Dona do Pedaço. Sente que apreciam o seu trabalho?

Pedro Carvalho – É a minha terceira novela no Brasil e sinto a aposta que a Globo está a fazer em mim. O personagem Amaro que fiz na novela anterior, O Outro Lado do Paraíso, foi de facto muito importante para mim, teve um impacto muito grande e conquistou um carinho muito especial do público que eu nunca imaginei que fosse possível. Fui contactado logo de seguida para integrar o elenco da novela A Dona do Pedaço com uma personagem ainda mais desafiadora.

Em Portugal, fez inúmeras novelas e não só. O que o levou a fazer as malas e a partir para o Brasil?

Fazer uma carreira internacional sempre foi uma intenção minha, não sabia quando seria e acabou acontecendo de uma forma muito natural… para o Brasil. Tinha terminado a telenovela O Beijo do Escorpião na TVI, num papel extremamente exigente, quando fui contactado através de uma agente do Brasil, que hoje em dia é a minha agente cá, dizendo que tinham estado atentos ao meu trabalho e que estariam interessados que eu fosse o protagonista da novela das 19 horas, Escrava Mãe, na TV Record. Decidi arriscar e foi uma aposta certeira. A partir daí o meu trabalho tem gerado outros trabalhos e convites.

Sente-se realizado no Brasil?

Estou muito realizado no Brasil, nos trabalhos que tenho feito aqui, isso não quer dizer que não o seja também em Portugal. Quero continuar a trabalhar no meu País, onde já fiz muitas telenovelas, teatro e cinema. No ano passado, assim que terminei a telenovela O Outro Lado do Paraíso, fui convidado para fazer a série Terra Nova escrita pelo Artur Ribeiro e realizada pelo Joaquim Leitão. O projeto pareceu-me muito aliciante, aceitei e voltei a Portugal para gravar.

Neste novo trabalho, vai ser o Abel. Deixou crescer o bigode e que outras transformações vêm por aí?

Esta personagem, o Abel, vai permitir-me explorar outro caminho de interpretação que eu gosto muito e nem sempre tenho tido oportunidade, a comédia. Para além disso estarei inserido num núcleo de atores incríveis, como a Juliana Paes, o Ary Fontoura, Marcos Nanini, Caio Castro, Betty Faria, entre outros.

Então vai enveredar pela comicidade?

O Abel vai provocar muitas gargalhadas. Até eu, quando estou a ler os episódios e as cenas dele, dou por mim a rir sozinho. Chega a ser tão engraçado de tão ingénuo e simples que é, vai provocar situações bastante engraçadas na trama. Para além disso, vai fazer parte de uma das «bombas» da trama, com muita polémica, mas que ainda não posso revelar.

Este personagem, tal como já disse, será o maior desafio que lhe lançaram até hoje?

Primeiro de tudo porque o núcleo cómico nesta trama tem uma presença muito forte e porque estou rodeado de atores que são verdadeiras lendas. Para além dos meses de preparação que tivemos com os preparadores de interpretação, com a Paloma Riani, tivemos também muita preparação de corpo com o preparador Vinícius, que no caso do meu papel especificamente foi muito importante por ser um personagem que tem uma forma muito específica de se comunicar, por ser tudo menos formal, e tive uma preparação muito intensiva de confeitaria. Neste momento já sei fazer muitas receitas de doces e bolos.

Então pode ser um risco?

É um personagem que está a obrigar-me a sair da minha zona de conforto porque vou poder explorar uma vertente que nem sempre tenho tido oportunidade de o fazer, principalmente em televisão: comédia. Isso agrada-me. É um verdadeiro desafio!

Será um desafio maior do que contracenar com uma anã, tal como sucedeu no seu projeto anterior?

Contracenar com uma anã não foi o desafio. O desafio foi o perfil do personagem, a trama em que estava envolvido, a mudança radical a meio da história que deixou o Amaro cego, a trajetória do personagem. Teve um grande impacto aqui a polémica por causa do par romântico. Neste projeto o desafio é maior ainda pela importância e força que o núcleo cómico tem na história, que é muito. E pelo perfil do personagem que é bastante engraçado e ingénuo e que vai estar envolvido num tema que será uma das polémicas mais fortes da trama.

Contracenar com nomes como Juliana Paes, Betty Faria, Fernanda Montenegro, Marco Nanini, entre outros, transmite-lhe uma sensação de admiração ou mais de nervosismo?

É um prazer, aprendizado e admiração constantes, isso sim. Dividir cena com atores tão competentes, tão exímios e com tantas provas dadas nos seus percursos profissionais aumenta ainda mais a responsabilidade de dedicação e empenho. Tento aproveitar tudo em cena. Isso não deixa espaço para nervosismo. Quando estamos em cena é um jogo, todos jogamos o mesmo.

Que diferenças encontra na nossa ficção e na ficção brasileira?

Em Portugal não ficamos atrás no que respeita a fazer ficção, testemunho disso são os Emmys que também ganhámos, por exemplo. É claro que o Brasil leva um avanço nos anos em que se fazem novelas e séries e cá o investimento em cada projeto é muito maior, assim como o mercado e retorno é muito maior também. Difere nesse sentido, mas justifica-se, pois estamos a falar de um País que tem mais de 230 milhões de habitantes.

Já fez amigos desse lado do Atlântico? Se sim, quem, por exemplo?

Sim já. Desde 2015 que ando nesta ponte aérea Portugal-Brasil, já criei laços aqui. Tenho amigos que não são da área artística e outros que são.

O que faz quando não está a gravar?

Vou à praia, aproveito para fazer desporto ao ar livre, correr no calçadão, ir a concertos, ir ao cinema, teatro, viajar pelo Brasil, desenhar, ver exposições…

Pretende continuar no Brasil até quando?

Pelo menos, até terminarem as gravações. Assim que estas terminarem logo se vê o que irei fazer, mas pretendo ir visitar a minha família e amigos aí, claro.

 

Texto: Mafalda Dantas | Fotografias: Impala e reprodução redes sociais

 

(entrevista originalmente publicada na edição nº 1678 da TV 7 Dias)

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