Pedro Lima (1971 – 2020): da moda à TV, um ator olímpico amado por todos

Portugal despede-se este sábado de Pedro Lima. O ator, que foi atleta olímpico e manequim, planeava casar-se em 2021, ano em que celebraria 50 anos. O corpo foi encontrado numa praia em Cascais.

20 Jun 2020 | 14:10
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Pedro Lima morreu este sábado, 20 de junho. As causas da morte estão ainda por apurar. O ator de 49 anos tinha regressado há três semanas ao trabalho, mais precisamente às gravações da novela da TVI Amar Demais.

Pedro Lima planeava casar-se com Anna Westerlund em 2021. O casal tem quatro filhos em comum: Ema, de 15 anos, Mia, de 13, Max de 10 e Clara de 3 anos e meio. O ator é ainda pai de João Francisco, de 20 anos, fruto do casamento com Patrícia Piloto.

Em Espírito Indomável, que a TVI voltou a exibir, Pedro Lima deu vida a uma das personagens mais icónicas da sua carreira televisiva, Tristão Moreno.

Relembramos o percurso pessoal e profissional do ator na biografia publicada na TV 7 Dias nº 1360, em abril de 2013. 

 

Interrompeu um curso de Engenharia Mecânica e a prática de desporto para se dedicar à moda, onde fazia desfiles. Foi modelo da Central Models. Acabaria por trocar as passerelles pelos estúdios de televisão, onde apresentou o programa Magacine, da RTP2, em 1996, então com 25 anos. Assumindo‑se como um cinéfilo, Pedro guarda boas recordações desse espaço, que era dedicado à sétima arte.

No ano seguinte estreou‑se como ator na telenovela A Grande Aposta, na RTP1, onde fazia o papel de Pedro Romero, domador de leões. Foi Ricardo Carriço quem o levou para o meio artístico. O ator garante que não são amigos próximos, de frequentarem a casa um do outro, mas acrescenta que já se têm encontrado. E relembra que a sua estreia não foi uma dor de cabeça, uma vez que, desde cedo, habituou‑se a ter disciplina, adquirida com a prática do desporto: «Quando um jovem se habitua desde os oito anos a estar em situações de grande stress, aprende a lidar com essas situações de tensão. No entanto, no início ficava sempre um pouco nervoso, hoje já não», admite.

O porte atlético e a beleza foram o “passaporte” de Pedro para ter recebido muitos papéis de galã e ser um dos homens mais assediados dentro e fora do ecrã: «Pode parecer falsa modéstia, mas não tenho consciência disso. Devo ser distraído ou, provavelmente, desenvolvi mecanismos de defesa que me levaram a abstrair‑me do assédio. A maior parte das vezes, quando olho para alguém, já essa pessoa está a olhar para mim e habituei‑me
a olhar em frente. Passo até por arrogante, mal-educado, mas penso que é uma defesa.»

A trajetória profissional de Pedro Lima foi seguindo e fez trabalhos como: Terra Mãe, Os Lobos e Major Alvega (1998), onde dava vida a papéis de bom rapaz. Seguiram‑se muitos outros trabalhos, como A Hora da Liberdade, Não És Homem, Não És Nada, Jornalistas e Todo o Tempo do Mundo, em 1999; Ajuste de Contas, 2000; Olhos de Água, 2001; Anjo Selvagem e O Último Beijo, 2002; Coração Malandro Olá Pai, 2003; Queridas Feras Feras,
2004; Ninguém como Tu, 2005; Fala‑me de Amor, 2006; Ilha dos Amores, 2007; A Outra e o episódio Crime e Botox da série da TVI Casos da Vida; Sentimentos, 2009; Espírito Indomável, 2010; e a minissérie O Dom, 2011.

Mais recentemente esteve em Doce Tentação (2012) e Destinos Cruzados, a novela em que encarna o papel
de Eduardo, homem sem escrúpulos que se envolve com a namorada e a mãe dela Na altura em que se estreou
na televisão, Pedro Lima reconhecia existir algum preconceito em relação aos atores oriundos da moda e anunciou que a sua ambição era ser ator. E o seu desejo cumpriu‑se.

Nascido em Luanda, Angola, a 20 de abril de 1971, Pedro Lima está prestes a completar 42 anos. A idade, porém, é algo que não o incomoda: «Acho que ainda é uma idade muito jovem, se considerarmos que a esperança média de vida ronda os 80… tenho tudo para fazer!», admite, afirmando depois: «Tomara eu saber o que sei hoje, quando tinha 20 anos. Com essa idade preocupamo‑nos com coisas que não têm importância e temos períodos de tanta tristeza sem necessidade nenhuma. A maturidade é mesmo o que a idade traz de melhor.»

Pai dedicado à família

Casou-se com Patrícia Piloto, no Dia dos Namorados, a 14 de fevereiro de 1998, de quem se divorciou pouco depois de ter nascido o seu primeiro filho, João Francisco. Em agosto de 2000, o ator era fotografado ao lado de Rita Ferro Rodrigues, com quem viveu um namoro fugaz. Em fevereiro de 2002 juntou-se com a ceramista Anna Westerlund, a sua atual mulher, com quem teve mais três filhos: Ema, de oito anos; Mia, de seis; e Max, de dois.

Ter uma família numerosa sempre foi o sonho de Pedro Lima e da companheira: «Identificamo-nos, de facto, com a ideia da família numerosa; agora sustentar e criar uma família assim é bastante perigoso, sobretudo com as profissões que nós temos…», admite o ator, que diz contar com a ajuda de uma empregada e dos pais de Anna para gerir esta família que, na sua opinião, não é tradicional:

«Não somos casados. Digamos que cultivamos o que há de melhor na cultura sueca, a que a Anna recebeu, e na portuguesa. É dessa mistura que nasce o equilíbrio da nossa família.» O elo familiar é muito importante
para o ator. «É o grande projeto da minha vida, uma das minhas maiores ambições, e felizmente tem estado a concretizar-se. Tenho filhos saudáveis, bons alunos, que se dão todos bem uns com os outros e que são importantíssimos na estabilidade da família e da minha própria vida. São uma inspiração inspiração permanente», assume aquele que gosta de incutir valores como a liberdade, a responsabilidade, a verdade e a solidariedade.

O grande “salto” na sua vida deu-se quando foi pai pela primeira vez: «A partir do segundo filho é uma questão de adaptação logística de vida.» Sente-se um homem realizado e não dispensa um bom programa com os filhos. Há valores que preza, como a justiça e a fidelidade, e assume ser uma pessoa fiel. Diz que é difícil perdoar a traição
de um amigo.

No entanto, se a traição fosse de uma namorada, era mais flexível: «Teria mais facilidade em perdoar, pois existe uma vida em comum e as pessoas têm de ser um pouco mais flexíveis, uma vez que nem sempre as coisas correm bem.»

Passado olímpico

Aos 21 anos, Pedro Lima abandonou a prática da natação, modalidade que lhe trouxe reconhecimento além-fronteiras. Por duas vezes marcou presença nos Jogos. Grande apreciador de deporto, começou a praticar natação aos seis anos. Três anos depois, já ganhava vários títulos nacionais.

Aos 16, lançou-se nas competições europeias. O seu ponto alto foi a participação, em 1988, nos Jogos Olímpicos de Seul, onde representou Angola. «A sensação de participar num acontecimento como este é algo indescritível. Apenas posso dizer que vivi momentos que nunca esquecerei.» Afinal, a natação podia tê-lo levado longe: «Fazia natação de competição em Portugal. Ganhei vários campeonatos nacionais e europeus e já tinha um certo reconhecimento nacional e internacional…»

Depois, também esteve nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e começou a estudar Engenharia e a trabalhar como manequim, o que o impediu de continuar a praticar natação. Acabaria por apaixonar-se pelo surf
– modalidade que o acompanha desde os 12 anos. «Mais do que um desporto é a melhor terapia que conheço. A imensidão do mar, a luta contra as ondas… É a forma mais eficaz para me libertar das energias negativas.»

Sempre que pode, o ator pega na prancha e vai surfar. Pedro Lima garante que, quando está em forma, consegue ficar dentro de água cerca de três horas! Atualmente, o ator continua a fazer desporto para se manter em forma. É vê-lo na prática de modalidades como futebol, escalada ou até mesmo boxe!

 

Texto: Mafalda Dantas; Fotos: Arquivo Impala e Divulgação
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