Prisa avança com «todas as ações disponíveis» para obrigar Cofina a comprar dona da TVI

A empresa espanhola que tutela a Media Capital, dona da TVI, anunciou que «vai iniciar todas as ações disponíveis contra a Cofina» por considerar que esta não cumpriu o acordo de compra e venda.

11 Mar 2020 | 15:30
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Já é conhecido um novo episódio na longa novela do agora negócio falhado da compra da empresa que tutela a TVI pela Cofina, detentor de meios como o Correio da Manhã e a CMTV.

Num comunicado assinado pela Prisa e enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pela Media Capital, a empresa espanhola acusa a outra parte de «uma quebra do acordo de aquisição de ações», assinado entre os dois grupos em setembro e alterado em dezembro, desvalorizando em 55 milhões de euros da Vertix, que controla 94,69% da Media Capital.

Isto porque, fundamenta a Prisa, aquele que é o maior conglomerado espanhol de empresas de comunicação social só teve conhecimento, através «da informação privilegiada divulgada pela Cofina no seu site e no site da CMVM, que a Cofina, sem aviso prévio à Prisa, abandonou voluntariamente o aumento de capital» da empresa, a fim de adquirir a dona da TVI.

Por isso, continua, «a companhia vai iniciar a partir desta data todas as ações disponíveis contra a Cofina no prosseguimento do acordo de compra e venda». Quer isto dizer que, por considerar que a empresa liderada por Paulo Fernandes não cumpriu o previamente acordado, a Prisa tudo fará para forçar os donos do Correio da Manhã a comprar a empresa que tutela a TVI.

«De acordo com declarações da Cofina no acordo de compra e comunicadas ao mercado, a Cofina tinha assegurado os compromissos necessários para financiar a transação, quer por parte de instituições de crédito, quer por parte dos seus significativos acionistas, no montante necessário para cobrir o aumento de capital», explicita a Prisa na mesma missiva.

 

Negócio foi por água abaixo

 

Esta foi a reação da Prisa ao comunicado enviado pela Cofina à CMVM na madrugada desta quarta-feira. Nele, os proprietários de meios como a Correio da Manhã e a CMTV comunicam que desistiram da compra da Media Capital por «não ter sido verificada a condição de subscrição integral do aumento de capital», consequência da «deterioração das condições de mercado». A oferta ficou, por isso, «sem efeito».

A operação de oferta pública que permitiria o aumento de capital da Cofina no montante de 85 milhões de euros, para a concretização do negócio, terminava esta terça-feira. Assim, os acionistas entenderam «não estarem reunidas condições para o lançamento de uma oferta particular para as ações sobrantes, cuja possibilidade se encontrava prevista no prospeto da oferta pública de subscrição».

 

Texto: Dúlio Silva; Fotografias: Arquivo Impala

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