Quaresma assume-se REVOLTADO com a ausência do pai na infância

Apesar de ter sido uma criança feliz, porque nunca lhe faltou amor, Ricardo Quaresma confessa que era «revoltado» e que sentiu muito a falta do progenitor.

01 Jul 2018 | 16:42
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No dia em que Portugal foi eliminado do Mundial na Rússia, Ricardo Quaresma abriu o coração numa entrevista para o programa da SIC, «Alta Definição», e provou que o futebol não é tudo na vida. O jogador internacional falou sobre a sua infância, as dificuldades que passou e o impacto que a separação dos seus pais teve na sua vida.

Apesar de enfatizar sempre que foi uma «criança feliz», pois nunca lhe faltou amor graças à mãe e ao irmão, Ricardo Quaresma não teve uma infância fácil. Quando tinha apenas quatro anos, o futebolista deixou de ter contacto com o pai, durante cerca de dois anos.

«É complicado [lidar com a ausência de um pai]. Quando vês os outros pais a irem buscar os filhos aos treinos é complicado», desabafou Quaresma a Daniel Oliveira.

O avançado do Besiktas confessou que quando deixou de ter contacto com pai, tornou-se uma criança «revoltada». «Não queres saber os ‘porquês’ [da ausência], queres ter um pai e pronto», confessou.

Contudo, o avançado do Besiktas afirmou que gosta de viver no presente e que, apesar de «nunca se esquecer do passado», está feliz com os pais que tem. Hoje tem uma «relação fantástica» com o progenitor.

O reencontro: «Foi estranho, mas um pai é sempre um pai.»

Ainda sobre o pai, Ricardo Quaresma contou que o progenitor voltou a entrar na sua vida graças a um primo que lhe mostrou uma notícia que falava dos sucessos do jovem atleta. Passados dois anos da separação dos pais, o jogador voltou a ver o pai, juntamente com o irmão.

«Foi estranho. Já não o via há algum tempo, mas um pai é sempre um pai», explicou.

Quaresma revela que, na altura, abraçou e beijou o pai. «Não fazia sentido outra coisa». Garantindo que não julga ninguém, o craque acrescenta que desde que o pai voltou a estar presente nunca mais lhe falhou com nada.

Durante a entrevista intimista, Quaresma ainda mencionou que a sua infância também não foi a melhor devido às situações a que teve exposto no bairro onde vivia, nomeadamente o «Casal Ventoso». No entanto, a vivência no bairro também modelou a sua personalidade, tornando-o numa pessoa forte, com carácter e segura dos seus objetivos.

«Fez-me abrir os olhos. Já vi muita coisa. Vi muita coisa que te puxa para maus caminhos, mas resume-se a teres cabeça ou não. Tens de decidir o que queres da vida», explicou.

Eternamente agradecido à mãe por todo o amor e sacrifício, o jogador garantiu, contudo, que felizmente os seus filhos não vão ter de passar por certas situações que foi sujeito. «Aquilo que eu passei, os meus filhos não vão passar, nem que eu desse a volta ao mundo (…) Não vão precisar de viver dentro de um bairro nem de ver muita coisa que eu vi.»

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