Quem é Mariana Bragada, que LUTA POR UM LUGAR NA EUROVISÃO graças ao pai?

Mariana Bragada luta por um lugar na Eurovisão, mas não pensa nessa conquista. Quem é, afinal, a compositora e intérprete de Mar Doce, que concorre ao Festival da Canção graças ao pai?

02 Mar 2019 | 17:00
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Faltam menos de 24 horas para os portugueses descobrirem quem os representa na edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção, em maio, em Telavive, Israel. Mariana Bragada é uma das opções, concorrendo na final do Festival da Canção ao lado de Matay, Conan Osíris, Calema, Ana Cláudia, NBC, Surma e Madrepaz.

Em entrevista à TV 7 Dias, a jovem, natural de Bragança, revela que não pensa na vitória do concurso organizado pela RTP, cuja participação entendia como algo «longínquo» de si. Valeu-lhe o pai, que a convenceu a participar no programa Masterclass, promovido pela Antena 1.

 

 

Na conferência de imprensa após a segunda semifinal, dizia-se «sem expectativas» para a final e que o seu apuramento tinha sido «uma grande surpresa» para si. Agora, as expectativas já aumentaram?
Eu sinto sempre que as expectativas são em relação à minha prestação, ou seja, as minhas expectativas são dar o meu melhor, continuar a trazer esta mensagem e passar a emoção da música. O resto é o que vier.

Não pensa na vitória?
[Hesita] Não sou muito de me fixar em algo ou em criar expectativas para algo. Vou dar o meu melhor. E, depois, não depende só de mim, depende do público e do júri. Se ressoar, ótimo, se não, já estou feliz por participar.

Ou seja, a vitória é uma consequência mas não é o que a move.
Exato. Para mim a partilha da música e a oportunidade de cá estar vêm primeiro. A passagem da semifinal para a final vem depois.

 

«Foi o meu pai que sugeriu que eu participasse no programa Masterclass»

 

Foi a partilha da música que a levou a participar no programa Masterclass, da Antena 1?
Por acaso, foi o meu pai que sugeriu que eu participasse. Ele tinha ouvido na rádio que havia músicos emergentes que poderiam mandar músicas para a Masterclass e que, se eles gostassem, teria a oportunidade de ir gravar a Lisboa pela Antena 1. Decidi aproveitar e tive a oportunidade de gravar duas músicas originais minhas, com o projeto Meta. Só mais tarde é que soube que davam oportunidade a um dos participantes de ir ao Festival da Canção.

Portanto, quando se inscreveu neste concurso, nem sequer imaginava que poderia participar no Festival da Canção?
[risos] Não, não, não fazia ideia.

E, quando recebeu o telefonema a convidarem-na para o Festival, como reagiu?
Apanhou-me desprevenida, claro, mas fiquei grata e feliz por acreditarem em mim e no meu potencial para poder participar. Foi um choque. Depois, refleti e decidi aceitar.

 

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Um desses temas era o Mar Doce?
Não, não. O Mar Doce é inédito, nunca tinha sido editado.

Só depois de ter aceitado o convite é que criou Mar Doce?
Mar Doce estava em processo de criação, mas não era algo que estava orientado para o Festival da Canção, era uma música que eu estava simplesmente a criar. Quando surgiu a oportunidade, decidi agarrar com mais força a canção.

O que canta quando dá voz a Mar Doce?
Para mim, a mensagem é mesmo a de amor-próprio, de aceitação, de honrar onde estamos e quem somos com a nossa essência. Mesmo com todas as mudanças e todos os ciclos da vida, mantemo-nos fiéis. Essa é a mensagem principal.

 

«Sempre pensei que participar no festival fosse demasiado longínquo»

 

Participar no Festival da Canção era um sonho?
[Pausa] Sempre pensei que fosse demasiado longínquo… [risos]

Porquê?
Não sei… Comecei o meu percurso musical mais a sério há cerca de um ano e meio, dois, ou seja, o meu objetivo continua a ser gravar o disco. Passo a passo. Logo, não era algo em que tinha pensado especificamente. Mas, também, achei que, se a oportunidade surgiu, deveria aproveitar esta corrente de novas coisas.

Já está em Portimão [a final do Festival da Canção decorre, sábado à noite, na Portimão Arena e é apresentada por Filomena Cautela e Vasco Palmeirim]. Há algum nervosismo?
Não… [risos] Os primeiros ensaios são mais leves. Só à medida que se aproxima é que o nervosismo se torna mais intenso.

 

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Mas como se sente?
Sinto-me muito, muito apoiada. Mesmo. Sinto que tenho um grande grupo de pessoas a apoiar-me, tanto na cidade onde nasci, Bragança, como no Porto, para onde fui viver. Estou mesmo feliz por ter esta oportunidade, por poder partilhar uma música que compus e por poder interpretá-la à minha maneira. Estou muito grata por estar aqui.

Como é que o apoio de que fala foi chegando até si?
O que me disseram mais foi o facto de se sentirem conectados com a música, com a sua simplicidade e com a sua honestidade. Essa conexão, essa empatia com a música, é do que mais me têm falado.

Está preparada para a possibilidade de representar Portugal na Eurovisão?
Bem… Para mim, tem sido sempre um passo de cada vez. Claro que há essa hipótese, mas tenho de me focar no agora. Se surgir, vou estar preparada, claro.

 

«Salvador Sobral na Eurovisão? Simples, mas honesto»

 

Olha para os seus concorrentes como concorrentes?
Não, para mim, não. O ambiente, tanto com a equipa de produção como com os outros compositores e intérpretes, tem sido bastante bom. Também é importante apoiarmos o trabalho de cada um, independentemente da composição.

Além do seu tema, tem algum preferido?
[Hesitação.]

Faço-lhe a pergunta de outra forma. Ficou contente com os resultados das semifinais?
Sim… Em termos do júri, acho que escolheram bem. Pelo menos na segunda semifinal acho que foi bastante justo.

 

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Era uma espectadora assídua do Festival da Canção?
Sinceramente, esta aproximação só surgiu mais há cerca de dois, três anos. Tenho dois amigos que gostam muito do Festival da Canção e da Eurovisão e fui-me aproximando lentamente. Foi a partir daí que fiquei mais próxima.

Está a falar da edição em que participou Salvador Sobral?
Sim, sim.

E, enquanto portuguesa, como viu a vitória dele na Eurovisão, em 2017?
Ele trouxe algo novo. Simples, mas honesto. Fez todo o sentido. Mereceu.

 

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Texto: Dúlio Silva | Fotografias: arquivo Impala e Divulgação RTP

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