Rafael Ribeiro sobre Pesadelo na Cozinha: «O Ljubomir HUMILHOU-SE a ele mesmo»

Rafael Ribeiro de 25 anos é proprietário do restaurante 2002, em Mangualde, e foi um dos grandes protagonistas no último episódio de Pesadelo na Cozinha. Leia toda a entrevista exclusiva à TV7Dias!

23 Out 2018 | 18:47
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No episódio desta semana de Pesadelo na Cozinha, Ljubomir Stanisic viajou até Mangualde, em Viseu, para ajudar o restaurante 2002. O funcionamento deste estabelecimento levou o chefe ao limite, chegando mesmo a provocar choros, gritos e muitas asneiras.

Nascido no berço de uma família de negociantes, Rafael Ribeiro herdou o negócio inaugurado pelo avô, em 1976. Começou por ser apenas um supermercado com snack bar, onde serviam petiscos, mas rapidamente ganhou nome e tornou-se numa das primeiras e mais famosas casas de Mangualde.

Foi há dois anos, após a morte do avô, que Rafael ficou com um dilema entre as mãos: deixar o legado da família ser vendido e cair no esquecimento ou encarar o desafio e tomar conta do negócio.

Recorde também: Pesadelo na Cozinha: Ljubomir leva equipa de restaurante 2002 AO LIMITE!

Na altura com 22 anos, o jovem empresário decidiu ir em frente e tornou-se no proprietário do último restaurante visitado pelo programa de Ljubomir.

A Tv7dias esteve à conversa com Rafael, que contou toda a experiência do Pesadelo na Cozinha.

De quem partiu a decisão da inscrição no famoso programa da TVI?

Rafael: Foi o meu pai que me inscreveu. Como fiquei com muitas dívidas,e, apesar de já ter saldado a maior parte, continuo a ter porque não acabei de as pagar, sabia que era preciso fazer obras. Não podia estar a pagar dívidas, despesas e obras. Depois tive um grande problema há uns meses atrás, parece que foi tudo ao mesmo tempo! Foi a história do fogão ter bloqueado, tínhamos os bicos quase todos a funcionar e, de repente, deixaram de dar. Quando demos conta, nem bicos tínhamos.

Estavam à espera do programa para fazerem as obras?

R: Sabíamos que o programa vinha aí e que vinham fazer as obras e escusámos de comprar os materiais. Maior parte das coisas que estavam desorganizadas, foi à espera que eles viessem para as organizar por mim.

No programa refere que herdou muitas dívidas do seu avô…

R: Sim, as dividas começaram há muitos anos e o meu avô nem deu conta. Quando reparámos já estava…foi muito repentino!

Como é que o restaurante foi parar às suas mãos?

R: Eu estava em Londres quando recebi a notícia de que o meu avô adoeceu, acabando por morrer. Passado uns dois meses, disseram-me que iam vender o restaurante. Na altura o meu pai falou comigo e eu disse: «não acredito». Era preciso ter coragem para o fazer. Eu cresci ali, lembro-me que era miúdo e corria naqueles corredores. Custa-me, por mais que aquilo seja um negócio que não esteja a ser rentável, ver outra pessoa ali daqui a uns anos.

 

«É uma questão de nome»

E não teve receio de gerir um negócio tão grande apenas com 22 anos de idade?

R: Não! Estava ansioso e desejoso. Era um risco, mas nós só vivemos a vida uma vez e temos de arriscar, fazer o que queremos e nos apetece. Amanhã vamos dizer ‘ontem foi tarde’. Vou vivendo as coisas, um dia de cada vez. Não tive medo porque, se alguma vez, de alguma forma, isto der errado, tenho sempre alguma coisa por trás.

Ou seja, não ficou com o restaurante apenas por uma questão monetária…

R: Não é a minha vida. Quero lutar por aquilo e quero que dê certo, por uma questão de sentimento. Quero que fique na família…é uma questão de nome. Não é por dinheiro, se fosse por isso não estaria ali de certeza absoluta.

 

«Fiz tudo sozinho»

Como era o estabelecimento antes da sua gerência?

R: Quando eu vim para cá, o 2002 era um supermercado. Toda a sala e parte exterior foi criação minha, mudei o sistema elétrico, coloquei as bancadas, pintei as paredes, mudei a fachada, chão..fiz tudo sozinho! Até cheguei a ir duas vezes parar ao hospital. Entraram-me duas farpas no olho quando estava a fazer os bancos com paletes para a esplanada…

Acha que não deram valor a esse esforço no episódio?

R: Sim. não deram muito valor a isso e mexe um bocado comigo, porque sei o que me esforcei. O que mais mexeu comigo e que me deixou mais revoltado, apesar de nunca ter demonstrado essa revolta durante as gravações, foi eu ter feito o que fiz, lutado o que lutei.

 

«Fizeram com que eu chegasse atrasado para dar a ideia de ser algo habitual»

Uma das principais críticas feitas no Pesadelo foi justamente a falta de pontualidade. É algo que acontece frequentemente?

R: Não. Aproveitaram os últimos dois, três meses (que foi a altura do verão e em que eu, realmente, chegava mais tarde). Até aí estava sempre de manhã. No verão é verdade que me desleixei um bocado, já não tinha pausa há muito tempo…mas, ao mesmo tempo, eu trabalho até tarde, enquanto elas saem às cinco horas..eu fico até mais tarde. Não me lembro de ter falhados naqueles dias de gravações. Talvez tenha ido às compras e elas me tenham ligado. Fizeram com que eu chegasse atrasado para dar a ideia de ser algo habitual.

Sentiu que Ljubomir não gostou nada de si?

R: Nem dei conta que ele estava a gozar comigo o tempo todo. Não faço ideia se ele gostou ou não de mim. Ele é uma pessoa que olha para ti e tanto pode ser maldosa, como pode ser bondosa. Consegue mudar instantaneamente, tipo bipolaridade.

 

«Picou-me para eu o chamar de filha da p*ta várias vezes»

Ao longo do episódio foram várias as provocações do chefe, mas o Rafael aguentou tudo sem responder. Como conseguiu aguentar?

R: Eu tenho educação, não lhe respondi vez alguma. Ele pediu-me e picou-me para eu o chamar de filha da p*ta várias vezes. Não sou mal educado, sou sempre assim. Quanto mais difícil é a situação, mais forte eu sou. Estava só a olhar para ele a pensar «este gajo é maluco«…não fazia sentido! Vozes de burro não chegam ao céu e ele estava a falar comigo de uma forma que eu acho que não merecia.

Também o acusou de ser «puto mimado». Porque acha que lhe chamava isso?

R: Eu ia trabalhar com roupas de marca, deve ter sido por aí que pegou. Por ir todo arranjadinho.

«O meu pai também morreu com cancro. P*ta que o pariu»

Qual foi o momento mais horrível?

R: Quando ele veio com a colher ‘do cancro’ da cozinha. Foi até à sala falar comigo, pousa-a em cima da mesa e começou com aquela conversa de estar a vender cancro no meu estabelecimento. Confesso que fiquei um pouco emocionado, uma vez que o meu avô morreu de cancro e até lhe contei que, de certa forma, isso me tocou. Foi aí que ele me disse: «O teu avô morreu com cancro? O meu pai também morreu com cancro. P*ta que o pariu, já foi, estou cá eu, c*rlho». Achei uma coisa horrível. Não passam a maior parte das coisas que eu vi e passei ali.

Considera que houve um tratamento diferente entre si e as suas funcionárias?

R: É aquilo que eu já disse e que é a minha opinião. Acho que em todos os episódios os homens são sempre mal tratados.

«O Ljubomir humilhou-se a ele mesmo»

Acha que o mandaram dedicar-se às limpezas para lhe dar uma lição?

R: Em todas as alturas eu quis satisfazer o chefe. Queria que ficasse satisfeito com o meu trabalho…algo que nunca aconteceu! Não tive problemas em fazer limpezas, até me diverti com isso.

Sentiu-se humilhado?
R: Ele humilhou-se a ele mesmo. Não sinto que o facto de me ter mandado limpar seja mau. É trabalho e não é sinal de humilhação.

 

«As frigideiras são todas limpas no dia»

Um dos momentos mais falados foi a frigideira suja. O que tem a dizer sobre isso?

R: Aquilo é um restaurante de comidas económicas. Não é, nem deixa de ser, um sítio com qualidade, porque as pessoas vão lá comer e gostam da comida. Se fosse um restaurante onde as pessoas têm tempo para esperar, claro que teria dois ou três grelhadores, e a limpeza seria mais momentânea. Não é que a frigideira estivesse suja há três ou quatro dias. As frigideiras são todas limpas no dia. Não vão ser arrumadas sujas… simplesmente são feitas, por exemplo, dez douradas na mesma frigideira. A gordura vai-se acumulando…é normal!

Mas quando o chefe raspa a frigideira várias pessoas ficaram chocadas…

R: O chefe chegou já depois de terem sido feitas várias douradas, é natural que não estivesse em condições. Quando raspa aquilo as pessoas acham que não lavávamos a frigideira há imenso tempo. Antes de ser arrumada vai a brilhar, é tão simples quanto isso. No programa, disse que nem sabia que aquele preto da frigideira era gordura. Pensava que era anti aderente mas Ljubomir disse que não. Depois vim a confirmar que sim.

 

Menus continuam iguais

Não estão a seguir as recomendações do chefe, tendo em conta que os menus continuam com as ementas antigas e escritas à mão. Qual o motivo?

R: A casa já tem a sua tradição. Os clientes gostam da comida que fazemos, mais caseira, e ele queria um estilo mais gourmet. Não temos uma ementa, vamos variando. Já cheguei a fazer no computador e as pessoas queixavam-se. A tradição é aquela. Mas ainda faço de vez em quando as moelas, os ovos mexidos com cogumelos e farinheira, depende…

Como tem sido o feedback das pessoas?

R: Tenho recebido imensos comentários, as pessoas estão a ser fantásticas. Ajudam-me e apoiam-me. Recebi uma mensagem que me tocou muito que, entre outras coisas, refere que, e passo a citar: «o chefe apanhou-te de ponta logo de início e e tratou-te abaixo de cão. Foste o vilão da história enquanto as empregadas foram as estrelas, quando, na verdade, são um grupo e deveriam ser todos tratados por igual. Ao contrario do que dizem, acho-te uma pessoa humilde».

O que retira de mais positivo nesta experiência?

R: Fico feliz com o que ele conseguiu fazer com as minhas funcionárias. Motivou-as e elas estão melhores, pelo menos nos primeiros dias… agora já estão a voltar ao mesmo outra vez.

 

«Aquilo não foram obras»

Em termos da nova decoração, o que achou?
R: Não gostei e fui sincero. Não era a minha ideia, nem o conceito que eu queria. Não está mau, mas já me habituei. Mas é como quando vais abrir uma prenda e estás a pensar «olha, vai-me oferecer aquilo!» Depois abres e a caixa está vazia.

O que ainda falta fazer?

R: Vou continuar as obras que ele não acabou de fazer. O chão está horrível, assim como o tecto. Aquilo não foram obras, foi pegar no pincel, dar três ou quatro trinchadas e colocar uns candeeiros.

Ljubomir criticou-o por não ter agradecido pelo trabalho feito. Porque não o fez?

R: Eu agradeci, fui cumprimentá-lo…Ele foi embora, parou e voltou a atrás, afirmando que não lhe tinha agradecido. Voltei a dizer que lhe tinha dito obrigado. Não foi do fundo do coração, mas considerei uma boa ajuda. Mas isso não passaram!

Voltava a participar?

R: Sim e não mudaria nada. Acho que as coisas tinham de acontecer assim. Agora o futuro o dirá. Posso dizer que o programa me trouxe me coisas boas. É nestas alturas que se vêem quem são os verdadeiros. Claro que as pessoas que já me queriam deitar abaixo aproveitaram-se disto também.

Saiba mais sobre o restaurante 2002 na revista TV7Dias que está esta semana nas bancas
Fotografias: Site TVI

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