Realizador brasileiro vai para a TVI mas CRITICA novelas portuguesas: «Não sabem fazer»

Quatro anos depois de terminar contrato com a Globo, Wolf Maya está a caminho de Portugal para dirigir uma novela da TVI. O convite não o inibiu, porém, de tecer críticas à ficção lusa.

04 Fev 2019 | 16:00
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O realizador brasileiro Wolf Maya vai deixar temporariamente Nova Iorque, Estados Unidos, para onde foi viver depois de o seu contrato com a Globo ter chegado ao fim após 35 anos de ligação, e rumar ao nosso país para dirigir a novela que o argumentista Rui Vilhena já escreve para a TVI.

Prometendo «fazer televisão moderna» em Portugal, Wolf Maya revela, em conversa com a revista Quem, que chegará a Lisboa «em abril». “Faço workshow na TVI dois meses (em maio e junho). Com todos os atores. Falei para eles me mandarem todos os contratados deles. Tem desde a menininha até às senhoras mais velhas. E todo o mundo vai aprender a ler texto. Vão aprender a ser naturais, a jogar o texto fora, a fazer cinema, a perder a empáfia do teatro, da interpretação», antevê.

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O realizador, de 65 anos, irá «dirigir a novela com seis realizadores portugueses», que constituem uma equipa técnica que vai contar com profissionais lusos e brasileiros. À frente das câmaras, e ao contrário do que tem acontecido nas mais recentes tramas da TVI, não haverá qualquer ator vindo do outro lado do Atlântico. «Brasileiros só na minha equipa, cenário, produção. Meu time é brasileiro. Brasil só por trás das cenas. É o país deles. Eu vou lá ficar colocando ator desempregado da Globo para fazer ponta? Não. Eu vou ensiná-los a mandar bem.»

Mas esta não é a única crítica que Maya aponta à ficção nacional. Incisivo, afirma: «Eles (portugueses) não sabem fazer novelas. Eles não têm nada do naturalismo e do realismo que nós temos. Nós pegámos tudo do cinema americano na nossa formação. (…) Eles não querem mais ficar a importar produções brasileiras e estão a levar a base de sustentação da interpretação. (…) Vou ensinar para eles continuarem a fazer sozinhos».

 

Próxima novela da TVI inspirada em Nova Iorque

 

«Ainda sem nome» definido, a próxima ficção criada por Rui Vilhena, que assinou êxitos como Ninguém Como Tu e Tempo de Viver, ambos da TVI, «é muito moderna», promete Wolf Maya. «A história é ótima, drama. Parece uma comédia americana de Nova Iorque.»

A novela, ainda sem data de estreia prevista, marca o retorno do autor brasileiro a Portugal, depois de, em 2011, ter regressado ao Brasil para colaborar com Aguinaldo Silva na escrita da novela da Globo Fina Estampa. Três anos depois, criou a história Boogie Oogie, emitida pelo mesmo canal.

 

Ficção portuguesa distinguida internacionalmente

 

Na última década, a ficção produzida em Portugal já foi distinguida por três vezes com International Emmy Awards. A primeira aconteceu em 2009, quando a novela da TVI Meu Amor recebeu o troféu de Melhor Novela. A proeza repetiu-se no ano seguinte, com Laços de Sangue, da SIC, a ganhar a corrida a três outras tramas, entre elas uma da Globo.

Ouro Verde, do canal de Queluz de Baixo, foi a última novela lusa a ganhar um International Emmy Award. A cerimónia ocorreu em novembro do ano passado, em Nova Iorque, e contou com a presença da protagonista, Joana de Verona, da argumentista Maria João Costa e do consultor de Entretenimento da Media Capital, José Eduardo Moniz, entre outros.

Texto: Dúlio Silva | Fotografias: AG News e arquivo Impala

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