Rosa Bela assume vergonha ao falar sobre surdez dos progenitores

Rosa Bela abriu o coração para, numa conversa intimista com Júlia Pinheiro, falar sobre a surdez dos pais, de como cresceu no silêncio, da avó e da diferença de idades entre ela e o Carlos Areia.

09 Dez 2020 | 19:50
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Rosa Bela, namorada do ator Carlos Areia, esteve na tarde desta quarta-feira, 9 de dezembro, à conversa com Júlia Pinheiro e não escondeu a emoção ao falar de alguns assuntos sensíveis: Surdez dos pais e a morte da avó.

“O meu pai [tem surdez] profunda. A minha mãe não. Deve ser surda 70 a 80%. A minha mãe tem problemas cognitivos. Sofreu uma meningite ainda em criança. Afetou-lhe uma parte do cérebro e a partir daí espoletou… Eu costumo dizer que é uma criança grande porque tem alguns comportamentos infantis”, começa por contar.

Júlia Pinheiro quis saber como foi crescer no mundo do silêncio? “É muito triste. Quando começo a perceber [que os pais são surdos], eu já devia ter uns três, quatro anos e lembro-me de estarmos os três em casa e existir o silêncio”, explica, revelando que aprendeu a língua gestual para poder comunicar com os pais.

“Não tive aulas. Só mais tarde é que decidi que devia aperfeiçoar. Foi natural. Como também cresci com a minha avó, ela tentou compensar ao máximo tudo o que eu necessitava. Atenção, carinho, cuidado, explicação. Era com ela com quem eu falava”, recorda.

 

“Parecia que era um bicho”

Rosa Bela explica que não sabe se a surdez é genética e que cresceu a sentir falta de carinho. “Eles eram carinhosos, mas à maneira deles, um bocadinho frios, distantes. Eles têm os dois um mundo muito próprio. A convivência em casa era como se cada um vivesse a sua vida”, diz.

A namorada de Carlos Areira explica ainda que se questionou porque tal lhe aconteceu a ela. “Até certa altura eu questionava. Eu não tinha ninguém dos meus amigos, caso próximo, que isto acontecesse. Então questionava-me: ‘porquê eu, porquê a mim? Tive vergonha. A uma certa altura sim”, assume, explicando que sentia os olhares das pessoas.

“Parecia que ele era um bicho ou que era uma coisa de outro mundo. E para uma miúda de cinco, seis anos, que não conhecia nada do mundo não foi fácil. Vivia numa aldeia. Eu não conhecia mais nada para além daquilo. Muitas vezes eu dizia ao meu pai: ‘não fales só para as pessoas não olharem’. E chegava a casa e chorava'”, diz.

Rosa Bela não tinha quem lhe explicasse o que se passava. E foi quando Júlia lhe perguntou se a avó não o fazia, que a jovem desabou a chorar. “A minha avó faz-me falta. Morreu há pouco tempo. A minha avó fez de tudo. O possível e o impossível para atenuar as faltas que pudessem existir. As coisas foram ficando mais claras quando eu decidi que tinha que recorrer a ela [a avó] porque não tinha mais ninguém. Fui tentando compreender ou fingir que compreendia. Mas pelo menos sentia que tinha ali alguém. A minha avó foi a minha tábua de salvação, apesar de ter os meus tios”, interrompe para depois acrescentar:

“São pessoas que tratavam da parte burocrática da família. Eram os nosso tutores, só. Tinha que crescer, não tinha outra hipótese. Tinha uma pressão gigante [com as lides domésticas]. A minha tia muitas vezes impunha, pressionava. E eu era só uma criança. Os meus amigos brincavam a um sábado de manhã e eu ia limpar janelas. ‘Os teus pais são assim mas tu tens de ser alguém. Tens que cumprir, tens que fazer…'”, diziam os tios.

 

Rosa Bela sonhava ser atriz

A jovem sonhava muito e era uma forma de a ajudar a viver o dia a dia.”Queria ser atriz, queria ser alguém. Custava-me quando me diziam ‘não vai ser ninguém. Os teus pais não te vão ajudar. Ser atriz é só para famílias ricas’. Às vezes acreditava. Custava-me. Mas custava ainda mais saber que a minha avó também ouvia”, diz.

Rosa Bela apenas falava dos seus sonhos com a avó. “Com os meus pais nunca falei muito dos meus sonhos, dos namorados. As conversas normais que as crianças têm com os pais, eu não tive. Tinha com a minha avó. Mas foram uns bons pais há maneira deles. Nunca me faltou nada. Fizeram o melhor que podiam e estou eternamente grata. A vida deles familiar, em criança, também não foi fácil”, assegura.

 

História de amor de Rosa Bela e Carlos Areia

50 anos de idade separam Rosa Bela de Carlos Areia. Ele tem 76 e ela 26. O amor nasceu há doze anos e desde então que não se largam. Mas afinal como tudo começou? “Começa só um interesse profissional. Ele dava aulas e eu pensei: olha que bom, vou tentar inscrever-me.  Um belo dia ele manda-me uma mensagem e depois de repente… olha vamo-nos encontrar”, partilha.

A atriz explica que começaram por uma amizade até que de repente perceberam que gostavam um do outro. Rosa Bela mentiu na idade que tinha para proteger o amor dos dois. Disse que tinha 21 anos, quando na verdade tinha 16. “Menti com medo de perder a única pessoa que olhou para mim, por aquilo que eu era. Ele deu-me importância, senti-me valorizada pela primeira vez”, assume, explicando que o namoro foi uma desilusão para a família.

“A maior desilusão talvez. Expus a minha avó, expus os meus pais. O Carlos foi lá, conversou com a minha família, com a imprensa. Ele estava a ser acusado de coisas graves. Ele estava a ser acusado de pedofilia quando não aconteceu nada”, recorda.

Texto: Ana Lúcia Sousa; Fotos: DR

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