Rui Maria Pêgo revela que ainda é assombrado por traumas do passado: «Ficam na pele»

Rui Maria Pêgo relembra momentos difíceis da adolescência marcada por bullying. O apresentador confessa que ainda hoje sofre com o passado.

31 Out 2020 | 15:15
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Rui Maria Pêgo foi o convidado deste sábado, dia 31 de outubro, no programa Conta-me, da TVI. Em conversa com o “tio” Manuel Luís Goucha no meio de armários, o apresentador falou abertamente sobre a homossexualidade, revelando que agora, depois de se assumir publicamente, sente que “é mais verdadeiro”. “Quem não o faz vive em permanente falta. Vive numa mentira”, começou por dizer.

“A reação dos dois foi mais medo”

Tinha 19 anos quando contou aos pais sobre a sua orientação sexual, num momento difícil em que estava com o coração partido. “Estava muito triste e a minha mãe perguntou-me”. E desde então sentiu um enorme apoio dos pais, Júlia Pinheiro e Rui Pêgo, que, segundo o próprio, já sabiam muito antes dele ter contado. “A minha mãe disse que não havia problema nenhum. Teve o seu período de ajustamento, medo do que me aconteceria (…) A reação dos dois foi mais medo e irritação, por não ter dito mais cedo”.

O pior foi mesmo na escola, regida por valores mais conservadores, católicos e “betos”. “Vivi num contexto que em casa era livre, mas na escola não era”, disse. Apesar de até ser popular, por ser engraçado e filho de figuras públicas, Rui Maria Pêgo confessa que foi vítima de bullying: “sofri muito”. E atualmente ainda tem “marcas” desse passado. “Ainda hoje estou a tirar esses casacos e esses traumas. Ficam na pele. O corpo sabe o que fica la atrás”.

“Morria de medo que se soubesse”

O ator relembra que viveu muitos anos na dúvida, mas que “já achava alguma graça aos rapazes da turma”, apesar de ainda “não saber o que era” e desvalorizar, por considerar ser algo “pontual”. Após as primeiras experiências com homens, Rui Maria Pêgo viveu com medo: “Morria de medo que se soubesse. A adolescência é uma violência.”

Em 2016, após o atentado de Orlando, Rui Maria Pêgo comentou publicamente o assunto através de um texto nas redes sociais, em que aproveitou para “sair do armário” e assumir a sua homossexualidade. Na altura, este assunto fez correr muita tinta, algo que o animador já estava a premeditar, mas que o afetou à mesma. “Foi difícil, mas penso que fiz as coisas bem. É muito estranho sair à rua e toda a gente saber. Esta coisa meia estúpida de que toda a gente sabe e está a falar sobre isso…e não está!”.

“Não tenho uma carreira na televisão por causa da minha mãe”

Rui também confessou ter “medo” de ser despedido do seu posto de trabalho na época, como animador da Rádio Renascença, por ser uma emissora católica e mais conservadora. Porém, nada disso aconteceu e o filho de Júlia Pinheiro mostrou-se “grato” por toda a aceitação.

Licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa, após passar três anos “perdido” em Direito, Rui Maria Pêgo afirmou que não tem pode ser aquilo que ele quiser: animador, ator, apresentador ou mesmo cantor. Sente-se um “privilegiado” por ter nascido na família em que nasceu, no entanto admite que nem tudo é um “mar de rosas” e que ser filho de quem é já o prejudicou. “Atrasou-me na televisão porque não tenho uma carreira na televisão por causa da minha mãe (…) Tenho pena de não fazer mais televisão.”, rematou.

Texto: Inês Borges; Fotos: DR

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