Autor de Na Corda Bamba arrasa decisões da TVI: «Daniel Oliveira é que está certo»

Rui Vilhena é incisivo nas palavras que usa para justificar as fracas audiências de Na Corda Bamba, embora sublinhe que não está a passar a culpa a alguém. E desfaz-se em elogios a Daniel Oliveira…

17 Out 2019 | 17:10
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Um mês depois da estreia de Na Corda Bamba, há algo inegável: a principal aposta da ficção da TVI não está a colher os frutos desejados e não está a conseguir impor-se à novela da SIC Nazaré. Rui Vilhena, o autor da trama, fala agora sobre as baixas audiências que a sua história tem registado e lamenta que este produto tenha chegado ao público numa fase de turbulência na estrutura diretiva do canal.

Instado a reagir aos números, o argumentista justifica-se: «O que se está a passar é que há um senhor na concorrência que se chama Daniel Oliveira, que é muito eficaz e que faz o seu trabalho de casa. A TVI está a passar por uma turbulência e não é segredo para ninguém. Em Na Corda Bamba não há problema, é mais o problema com o que o que se está a passar com o canal. É um produto que tem tudo para ser um sucesso e, se não é, alguma coisa não está a correr bem…» Mas «não estou a passar a culpa a alguém», apressa-se a dizer Rui Vilhena, de 58 anos, em entrevista ao Diário de Notícias.

O autor de Na Corda Bamba diz que «há um conjunto de fatores» a influenciar as fracas audiências da novela. E evoca um deles, recuando ao ano de 2005: «Quando fiz Ninguém Como Tu […] havia uma estratégia do José Eduardo Moniz [o Diretor-Geral da TVI da altura e atual Consultor de Ficção e Entretenimento da Media Capital] para inverter a perda [para a SIC]: a novela começava logo a seguir ao Jornal Nacional e cinco minutos antes da concorrência, não havia publicidade. E o que se passa com Na Corda Bamba desde o dia em que se estreou: a 15 de setembro? Ela começa 15 minutos depois de a concorrência já ter estreado, com publicidade entre o jornal e a novela.»

 

«Não está a haver estratégia»

 

Rui Vilhena defende ainda que, «naquela época, foi feita uma estratégia» para bater a concorrência e que «agora não está a haver» nenhuma, o que só facilitou o trabalho ao Diretor-Geral de Entretenimento da Impresa. «O Daniel fez o seu trabalho de casa muito bem, ele sabia a novela que ia enfrentar, preparou-se e ele é que está certo», elogia.

«Gosto muito dele, conheço-o há muitos anos. A trajetória do Daniel é muito importante para todos nós – independentemente de ser RTP, SIC ou TVI – porque é uma inspiração em todos nós. A vida dele dava um telefilme. Ele esteve à porta do canal ainda adolescente a pedir trabalho, chegou lá, virou aquilo. Como não admirar uma história como o da Oprah [Winfrey], do [Barack] Obama, ou como não admirar a história do Daniel», acrescenta.

Apesar dos louvores à SIC e ao seu gestor, o brasileiro garante que os mesmos não são sinais de incompatibilidade com Felipa Garnel, indigitada Diretora de Programas da TVI, no verão, na sequência da saída de Bruno Santos. «Se eu soubesse que a novela cairia numa transição de Direção de Programas, como aconteceu já comigo na TVI, eu teria esperado», admite agora, realçando que Na Corda Bamba «é um produto que tem tudo para ser um sucesso» e que, «se não é, alguma coisa que não está a correr bem».

E revela, em tom de crítica: «Enviei emails antes de a novela se estrear sobre o marketing da produção que, como se sabe, começou uma semana antes de arrancar. Dois meses antes, a D. Palmira do café já sabia o que era Nazaré. A minha novela ficou sem título 200 mil anos. Isto é um erro. Eu olho hoje para a SIC e vejo que a estratégia que usam é a da Globo.»

 

«Nada na TVI hoje resulta»

 

Sublinhando que a TVI lhe proporcionou «as ferramentas para fazer um excelente trabalho», nomeadamente uma equipa técnica vinda da Globo e «um elenco de luxo», encabeçado por Dalila Carmo, Pêpê Rapazote, Margarida Vila-Nova e Maria João Bastos, Rui Vilhena deixa claro que tem em mãos «uma boa história».

«O que não resulta?», questiona o autor. «Nada na TVI hoje resulta. Não é porque a novela não resulta, ela está no pacote. Mas, se se está a perder, é preciso ser mais agressivo», aconselha em jeito de resposta.

 

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Texto: Dúlio Silva | Fotografias: Impala

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