Sandra Felgueiras arrasa tese de Gonçalo Amaral sobre caso Maddie: «Falhas irreparáveis»

Jornalista da RTP fala sobre o caso da menina inglesa desaparecida na Praia da Luz e sobre opinião do ex-inspetor da PJ, que sempre acusou os pais de Maddie.

05 Jul 2020 | 9:00
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Sandra Felgueiras, que acompanhou o caso Maddie desde o primeiro minuto, escreveu uma publicação na sua página de Facebook sobre o caso, que voltou agora a ser notícia, devido ao aparecimento de um novo suspeito e também às entrevistas que Gonçalo Amaral tem dado sobre o caso.

«A todos os que vibram com o caso Madeleine e se preocupam com os desaparecimentos misteriosos de crianças em Portugal, e não menos importantes, como os de Rui Pedro e, quem sabe, o de Joana», começou por escrever.

No texto, a jornalista afima que «a tese de Gonçalo Amaral sobre o caso Madeleine tinha falhas irreparáveis» e que, por isso, considera, «não foi sequer transformada em acusação pública». Felgueiras refere-se à tese de que os culpados pelo desaparecimento de Maddie seriam os pais da menina inglesa.

«Mas depois veio a pressão pública. Os livros. As teses. Vender a história. E a vontade de crucificar os pais impeliu muita gente a querer acreditar numa tese, mesmo quando as incongruências eram demasiadas e condenavam o caso ao absoluto fracasso», escreve.

A jornalista refere ainda que entrevistou os McCann várias vezes e que foi ela quem lhes perguntou «como justificavam o cheiro a cadáver no apartamento e no carro e o sangue detetado pelos cães ingleses». «Li todos os ficheiros. Todos os relatos. E durante todos estes anos ouvi os maiores disparates sobre o que vi acontecer com os meus próprios olhos. Vi, incrédula, como é fácil proliferarem mentiras apenas em ordem de justificar a tese de um inspetor afastado por ter dito em público o que nunca conseguiu provar na justiça. Mas em público, só podemos falar o que podemos provar. E isto é válido para todos”, escreve ainda.

«Esqueçam os treinadores de bancada. Os bitaites de quem nada sabe. Leiam. Vejam. Mas de mente aberta.»

Bruckner «não é o suspeito perfeito»

A jornalista da RTP diz que, em 13 anos, nunca viu um suspeito como Christian Bruckner, «com tantos indícios que o colocassem no lugar do crime, à hora do crime, com um passado que nos permite adivinhar, mas não provar, o que pode ter feito».

Ainda assim, considera que o alemão «não é o suspeito perfeito». «É um pedófilo e andou 22 anos entre nós. Nos mesmos anos em que desapareceram Rui Pedro, Joana e Madeleine. Bruckner não é um pedófilo porque há queixas. É um pedófilo condenado e extraditado para cumprir pena na Alemanha. Terá cometido este crime? Estará associado a outros? Não sabemos. Ainda não sabemos. Mas é nossa obrigação descobrir», escreve.

Sandra Felgueiras pede ainda, a quem a lê, para que se livrem de preconceitos neste caso. «A todos os que preferem acreditar naquilo que sempre acreditaram sem saber porquê, ou simplesmente porque não gostaram dos McCann e os culpam por terem deixado os filhos sozinhos, peço-vos: livrem-se dos preconceitos.

A culpa dos McCann

«Os McCann são culpados, sim. Viverão sempre com a culpa da negligência. Mas mais não podemos dizer. Não com as provas que temos. E agora, meus caros, já não se trata apenas de Madeleine. Trata-se da segurança dos nossos filhos. E de sabermos quem anda no meio de nós! Esta nova pista pode ajudar-nos a descobrir muitas verdades inconvenientes que andam escondidas há décadas no nosso aparente Portugal seguro», pode ler-se.

Recorde-se que Maddie McCann desapareceu no dia 3 de maio de 2007, na Praia da Luz. A criança, de três anos na altura, nunca mais foi vista.

Brückner está neste momento preso na Alemanha.

 

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Texto: Marta Amorim; Fotos: arquivo Impala e reprodução redes sociais

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