“Sempre fui muito atrevida”: Jurada de “MasterChef” conta tudo e fala em “sofrimento”

De volta à antena em “MasterChef Portugal”, Marlene Vieira fala sobre os obstáculos que travou ao longo da sua carreira. Através do programa da RTP1, pretende servir de inspiração às mulheres.

27 Nov 2021 | 16:03
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Depois de, durante duas temporadas, ter sido uma das professoras no programa de culinária da RTP1 “Chefs’ Academy”, a chef Marlene Vieira, que se celebrizou pelas suas aulas de doces, está de volta à antena do canal estatal para ditar as leis em “MasterChef Portugal”.

No entanto, foi pelo empoderamento feminino que voltou a desafiar a sua timidez e a “enfrentar” a televisão. “Como sei, e senti na pele, que as mulheres muitas vezes não têm palco, senti essa responsabilidade: dar visão a quem acredita no meu trabalho e, já que há outras que não têm essa oportunidade, eu não posso dizer que prefiro ficar na minha zona de conforto”, explica.

E, num mundo que aparenta ser de homens, Marlene Vieira, que pretende servir de inspiração, afirma que é necessário algum “atrevimento” para se ser notado neste ramo. “Sempre fui muito atrevida e foi assim que consegui ir construindo a minha carreira. Houve sofrimento pelo meio, mas nada se conquista sem algum sofrimento”, atira a jurada de “MasterChef Portugal”, reforçando que para se evidenciar deparou-se com diversos obstáculos.

“A verdade é que grande parte das mulheres que estão a chefiar restaurantes em Portugal estão a chefiar porque têm o seu próprio negócio. É o meu caso, e o de grande parte, porque se assim não fosse dificilmente estaríamos a chefiar alguma coisa. Portanto, até isto nós tivemos de construir, e foi isso que fiz também porque tive de investir em mim, não tive ninguém que investisse em mim”, afirma.

A jurada de “MasterChef Portugal” explica, depois, algumas das adversidades pelas quais as cozinheiras passam: “Tem a ver com a nossa sociedade em geral, de oprimir a vontade de fazer as coisas à sua maneira. A certa altura há coisas mais importantes, como a maternidade, a família, as tradições, e os chefs de alta cozinha não estão tão ligados às tradições, estão mais ligados às técnicas de alta cozinha, e ainda é muito importante para as mulheres manterem as tradições. Estão muito ligados à família, à terra onde viveram, e tudo isso acaba por ser um travão. Há um momento em que se apercebem que têm de fazer escolhas.”

E que cedências fez? “Fui mãe tarde, com 35 anos. Queria ser mãe, mas antes disso queria ter uma carreira. Mas tirando isso eu acho que nunca abdiquei de muita coisa. A família era muito importante, mas também era muito importante para mim viver de uma forma em que me sentisse bem no Mundo. Então, tive de construir esse caminho”, remata a jurada de “MasterChef Portugal”.

 

Texto: Telma Santos (telma.santos@impala.pt): Fotos: Nuno Moreira

 

(artigo originalmente publicado na edição nº 1810 da TV 7 Dias)

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