Às portas da morte! «Senhor Doutor» volta à TVI após grave acidente que o deixou em coma

João Espírito Santo falou sobre o grave acidente que sofreu há mais de dois meses. A mulher chegou a ouvir que o marido era «um excelente dador de órgãos» e um filho perguntou-lhe se estava vivo.

02 Jan 2020 | 21:30
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Colabora há vários anos no programa A Tarde é Sua, contribuindo para o melhoramento da saúde oral de vários espectadores da TVI. Afastado da antena há mais de dois meses, João Espírito Santo voltou esta quinta-feira ao vespertino apresentado por Fátima Lopes. E para revelar que esteve entre a vida e a morte, na sequência de um grave acidente de viação, que o deixou em coma 13 dias.

O «Senhor Doutor», como é conhecido pelo público, «ia para uma missa do sétimo dia» quando o pior aconteceu… de forma «muito rápida». «Bati no carro da frente e capotei, mas acho que me bateram por trás. Estava consciente, mas fiquei encarcerado. Estava completamente incapacitado. Lembro-me de dizer: ‘Eu mexo as pernas. Por favor, não me cortem as pernas», recorda o médico dentista.

As memórias daquele dia são traumáticas. «Lembro-me de ouvir alguém dizer ‘ele está morto’», conta, referindo que «tentava reagir mas não conseguia».

João Espírito Santo acabou por ser encaminhado para o Hospital de São João, no Porto, onde ficou internado na Unidade de Cuidados Intensivos. O futuro não se adivinhava risonho. «Foi um milagre eu ter sobrevivido. O prognóstico era muito mau», reconhece. «Estava muita coisa comprometida. Eles não sabiam se o acidente me tinha afetado a coluna ou se tinha problemas cognitivos, algum traumatismo», acrescenta o «Senhor Doutor».

 

«Um excelente dador de órgãos»

 

O pesadelo foi tal que chegaram a afirmar à mulher do médico dentista, Mariana Seabra, que o marido era «um excelente dador de órgãos». É à cara-metade, de resto, que Espírito Santo se desdobra em elogios, considerando-a a «heroína» do acidente. «A energia dela foi para lá do normal. Lembro-me de que, quando acordei, ela me disse: ‘Estou preparada para um divórcio, para tudo o que tu quiseres, menos para ser viúva’. E eu disse: ‘Ótimo, porque eu estou cá. Não sei como, nem como vou ficar, mas ótimo’.»

Ainda antes de acordar do coma, o «Senhor Doutor» do A Tarde É Sua assume que teve «reações» durante esse período. E exemplifica: «Lembro-me de ver o meu pai a chorar à minha direita. Lembro-me de ouvir a Mariana a dizer aos médicos que eu lhe mandava beijinhos, porque, quando ela falava comigo e pedia para eu reagir, eu fazia esse gesto com a boca. Até houve um médico que, em tom de brincadeira, disse: ‘Se ele, em coma, te manda beijinhos, é porque gosta mesmo de ti.»

«Sem parte de uma orelha e sem partes de pele na cabeça», João Espírito Santo foi submetido a «várias cirurgias», nomeadamente à mão direita, até sair do coma. «Quando acordei, estava com vontade de viver», frisa, para depois acrescentar, aliviado: «A minha mão já está reconstruída. O risco era eu ficar sem mobilidade e sem mobilidade.» Reconstruída foi também «a parte occipital da cabeça»As marcas deixadas pelo acidente são visíveis. 

 

«O meu filho perguntou-me: ‘Pai, estás vivo?’»

 

O dia em que o médico dentista acordou do coma coincidiu com o oitavo aniversário do filho João – além deste, o casal é pai de Leonor, de dez anos, e de Bernardo, de cinco. «Fiquei revoltado. Queria sair do hospital. Disse que me queria ir embora. O meu pai disse que podia falar com o meu filho por telemóvel mas que não podia chorar», recorda.

Do outro lado, o «Senhor Doutor» ouviu uma questão assustadora. «O meu filho perguntou-me: ‘Pai, estás vivo?’». Não só estava como, naquele momento, lhe deu uma garantia: «Prometi-lhe que, quando voltasse, lhe cantava os parabéns. Comecei a chorar e ele também foi para o quarto a chorar.»

 

 

Essa foi uma das três vezes em que João Espírito Santo se lembra de chorar na unidade hospitalar. Em conversa com Fátima Lopes, recorda outra: «[Chorei] quando percebi que estava mal, que podia ser um peso para a minha família. Lembro-me de rezar e dizer a Deus “Estou nas tuas mãos’.»

A processo de recuperação seguiu o decurso normal. «Desentubei-me pela necessidade de querer viver. Desentubei-me no aniversário do meu filho», sublinha. «Por mais drogas que me dessem, eu não apagava. Não queria dormir, só queria viver.»

 

«A estrada pode ser um caixão», reconhece Senhor Doutor

 

Agarrado à fé e ciente de que «a estrada pode ser um caixão», João Espírito Santo já prometeu que, em breve, vai a pé a Fátima. Para já, conclui o processo de fisioterapia, mas nem por isso deixa de ir à clínica em que trabalha. Agradecendo as variadas demonstrações de carinho que recebeu, o «Senhor Doutor» assume que também houve desilusões. «Nesta fase também conheci pessoas sem caráter. Recebi e-mails de pessoas a pedir aumentos salariais porque, como eu estava em coma, iam ter de trabalhar mais. Isto foi tudo bom, ajudou-me a ‘limpar’ algumas pessoas. Percebi que tinha pessoas ao meu lado que não interessavam.»

Hoje, dá mais «valor à vida». E já voltou às estradas. «Tentei tomar banho sozinho no dia em que fiz 40 anos. Quis voltar a conduzir, quis perceber se era capaz. Voltei a Lisboa há coisa de 15 dias e vim o caminho a reparar nas pessoas a conduzir, nos excessos de velocidade, nas ultrapassagens… Coisas em que não se repara no dia-a-dia. Hoje em dia, olho para a estrada de outra forma, com mais respeito.»

 

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Texto: Dúlio Silva com Mafalda Mourão; Fotografias: reprodução redes sociais

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