Passado dramático! Sérgio Praia revela que roubou o pai para sobreviver e dormiu na rua

Sérgio Praia abriu o coração para revelar a Manuel Luís Goucha algumas dificuldades dos passado. O ator de Amar Demais roubou dinheiro ao pai para fugir de casa aos 16 anos e dormiu na rua.

10 Set 2020 | 17:10
-A +A

Sérgio Praia foi o convidado de Manuel Luís Goucha do programa Você na TV! desta quinta-feira, 10 de setembro, e fez algumas revelações sobre o passado de sonhos que o fez abandonar a terra natal de Ovar, as dificuldades financeiras que o obrigaram a dormir na rua e ainda o afastamento da família.

O ator, que integra a nova novela da TVI Amar Demais, começou por falar sobre a infância marcada pelo ballet, dança que praticou durante cerca de quatro anos às escondidas da família, que nunca apoiou o sonho do ator de ser bailarino. «Ser bailarino na altura era associado a coisas menos boas para eles. Não era uma profissão de futuro boa para mim», começou por dizer.

Depois de descoberto pelos pais o sonho que escondia e praticava, Sérgio acabou por sair da dança e foi trabalhar para as obras, no Furadouro, acompanhando o progenitor. «Aos 13,14 anos eu já ajudava o meu pai nas obras. Era uma coisa que eu não gostava, que eu odiava, mas hoje em dia agradeço porque aquilo ajudou-me a construir o alicerce cá dentro. Eu só queria ir para a praia e poder dançar e estar com os meus amigos», contou.

 

Fugiu para o Porto para realizar sonho

O ator confidenciou ao apresentador não ter sido «um jovem muito feliz», que «só era feliz na praia» e que «estava completamente perdido» quando decidiu fugir para o Porto em busca de um sonho maior: o teatro.

«Eu vou para o Porto aos 16 anos, quando decidi abandonar tudo o que me prendia ao lado familiar para me pôr à prova. Para perceber se aquilo que eu realmente tinha cá dentro valia de alguma coisa, se chegava aos outros», afirmou.

 

«Eu dormi em sítios que acho que se pode imaginar»

Ao fugir de Ovar, Sérgio viu-se sem qualquer apoio familiar e sem grandes bases financeiras para começar uma nova vida no Porto, vendo-se obrigado a dormir na rua.

«Eu dormi em sítios que acho que se pode imaginar. Eu não tinha onde dormir na altura. A sorte é que eu tinha muita experiência nas obras, portanto eu conseguia entrar nas obras à noite sem ninguém me ver e ir lá dormir», confessou, dizendo que o pouco dinheiro que tinha foi roubado: «Na altura roubei dinheiro ao meu pai, levei uns 40 contos [200 euros], na altura que era muito dinheiro.»

 

«Estava com umas dificuldades monetárias, estava a ser difícil comer»

Foi a dançar em frente ao Teatro Nacional, a fazer sequências de bailado – para chamar a atenção de quem o pudesse convidar a trabalhar no teatro -, que tentou a sua sorte no mundo do espetáculo, mas sem sucesso. Aí percebeu que tinha de arranjar uma solução e pensou em ser ator em França, mas, novamente, sem sucesso.

«Fui até Valongo e depois voltei para o Porto e aí fui tentar trabalhar nas obras durante um tempo. Depois tive de voltar à terra para acabar o 9º ano para poder entrar na Escola de Teatro. Estava sempre entre Ovar e o Porto, só ia mesmo dormir [a Ovar] porque estava ali com umas dificuldades monetárias, estava a ser difícil comer, mas depois conheci logo pessoas no Porto que me ajudaram. Tive muita gente que me ajudou. Tenho de agradecer a muita gente que me ajudou se não não estava aqui», revelou.

Uma das pessoas que lhe deu a mão e acreditou no seu potencial enquanto artista foi o também ator António Capelo, que o acolheu na sua Escola de Teatro e apostou em si. «Agradeço ao Capelo. Deu-me de comer muitas vezes e deu-me sítio para dormir e acreditou em mim», agradeceu.

 

Afastamento da família

Quanto à relação que hoje em dia mantém com a família que deixou para trás aos 16 anos, Sérgio Praia referiu, com alguma mágoa, os caminhos diferentes que se foram percorrendo.

«Eu acho que seguimos caminhos diferentes, com todo o respeito. Eu tenho a minha família mas digamos que eu tenho várias pessoas que amo e que gostam de mim e vou fazendo o meu caminho assim. Às vezes dói, não vamos cá pôr panos quentes, mas eu acho que os caminhos também são assim . Não é tudo um mar de rosas e eu acho que é isso que faz também com que as pessoas sejam interessantes», terminou.

PUB
Top