Paixão, sonhos e desilusões: Série da RTP tem pouco de FRÁGIL e mostra a vida como ela é!

Frágil é a nova aposta da RTP Lab, que retrata a entrada na vida adulta, as crises existenciais e o refúgio nas drogas. A realização e argumentação é de Filipa Mendonça Amaro.

22 Mai 2019 | 12:30
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Três raparigas, na casa dos 20, que vivem juntas e enfrentam problemas de adição, falta de trabalho e a entrada na vida adulta. Eis a premissa de Frágil, a nova aposta da RTP Lab, que incentiva a produção de novos conteúdos audiovisuais.

O primeiro episódio, lançado no dia 7 de maio, conta com mais de 48 mil visualizações. O segundo, lançado no dia 14 de maio, reúne mais de 25 mil acessos. Números aparentemente baixos para o mundo do YouTube, mas que surgem de forma orgânica, uma vez que não existe qualquer promoção do conteúdo nem é protagonizado por figuras conhecidas, contando apenas com participações especiais de Nuno Markl e Frederico Barata.

Uma série sem filtros, que aborda livremente temáticas como sexo, droga e crises existenciais. «Três amigas vivem num mini apartamento desarrumado, onde têm de partilhar o espaço, a comida e todo o tipo de situações ‘awkward’ [‘estranhas’, em português] e íntimas», assim apresenta a RTP, na sua página oficial.

 

Veja o trailer aqui:

 

 

Com três episódios, o terceiro lançado esta terça-feira, 21 de maio, às 12h00, Frágil, produzida pelo Comicalate, suscitou o interesse de centenas de telespectadores devido à história que retrata a vida de muitos jovens. Uma série maioritariamente feita por mulheres, mas cujo objetivo nunca foi ser meramente «feminista» ou «sexista».

Filipa Mendonça Amaro, a realizadora e argumentista da série, confessa que ficou «impressionada» com o feedback que tem recebido. «A verdade é que, no primeiro dia, recebi mais de 200 mensagens de raparigas de todo o país a dizer: ‘Isto sou eu e as minhas amigas’», explica, em exclusivo, à TV 7 Dias.

Os bons resultados têm surpreendido a realizadora, que acredita não ser um conteúdo que vence pela polémica. «Não vejo nada polémico nesta série, ou seja, tu ou tens visualizações porque tens uma boa comunicação ou porque é polémico. Sem ser polémico, a probabilidade de as pessoas verem é menor».

Questionada sobre se este tipo de conteúdos produzidos por mulheres e mais «reais» fazem falta na televisão generalista, Filipa Mendonça Amaro mostra-se confiante que é «o mercado» quem responde a isso. «Se há necessidade… Acho que não interessa estarmos aqui a dizer que sim. A verdade é que, se houver necessidade, o mercado fala mais alto e eles vão sempre apostar nisto. Até mesmo entidades privadas», termina.

 

«Frágil é uma chave de mudança no panorama social»

Rita Rocha, Catarina Secca e Cruz e Matilde Jalles são as protagonistas da série e dão vida, respetivamente, a Francisca, Maria Miguel e Sofia.

Francisca «é uma jovem artista num país com pouco interesse nas artes e que, por isso, tem de recorrer a outras profissões para conseguir pagar a renda, e, mesmo assim, levar uma vida precária, em que trabalha para sobreviver». Isso é algo com que a atriz que lhe dá vida, Rita Rocha, se consegue identificar.

 

Para a Francisca de Frágil, estes conteúdos têm de ser retratados e a equipa por detrás desta produção é uma «geração priceless [preciosa, em tradução livre]».

Catarina Secca e Cruz, que dá vida a Maria Miguel, considera que esta «é uma série que apanha muitas faixas etárias, seja pelos jovens que passam por isto ou pelos mais velhos que nunca conseguiram alcançar os seus sonhos».

A própria personagem acaba por representar um pouco da vida da atriz. «Castings falhados, um amor gigante pelas pessoas que me rodeiam e, principalmente, a coragem de dizer ‘já chega’ (sem spoilers)», brinca.

Já Matilde Jalles, que encarna Sofia, garante que a sua personagem tem uma personalidade com a qual os telespectadores conseguem facilmente identificar-se. «A relação que ela tem com as redes sociais e o impacto desse envolvimento na vida dela, representa muito bem os jovens de hoje em dia».

Questionada sobre o que distingue Frágil dos restantes conteúdos, a atriz afirma: «Esta é mesmo uma série sobre pessoas. Não há a preocupação de imitar o que está a ser feito ou é esperado de uma série em Portugal. Acho que Frágil é mais uma chave de mudança no panorama social, cultural e político que vivemos.»

 

Texto: Sílvia Abreu| Fotos: Divulgação RTP e Redes Sociais

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