“Sinto que estou a viver numa ditadura”: Anna Westerlund luta contra Governo português

Anna Westerlund é uma das proprietárias do Zmar e contesta a decisão do Governo de fazer uma requisição civil para alojar doentes com covid-19 nas casas do eco resort.

04 Mai 2021 | 10:30
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Anna Westerlund, viúva de Pedro Lima, foi confrontada com uma decisão do Governo que está a gerar uma onda de indignação. O Executivo de António Costa decretou uma requisição civil temporária dos alojamentos do eco resort Zmar, onde a ceramista tem uma casa, para alojar doentes com covid-19. Os proprietários dos imóveis estão a tentar travar esta intenção e contam agora com o apoio do bastonário da Ordem dos Advogados, que fala mesmo em “lesão dos direitos humanos”.

A requisição civil foi justificada com “motivos de urgência e de interesse público e nacional” e engloba a “totalidade dos imóveis e dos direitos a eles inerentes que compõem o empreendimento Zmar Eco Experience, localizado na freguesia de Longueira-Almograve”. No entanto, o bastonário da Ordem dos Advogados, Luís Menezes Leitão, considera que o facto de os proprietários serem obrigados a desocupar as casas, ainda que temporariamente, pode “constituir uma lesão dos direitos humanos” e pede a intervenção da comissão de direitos humanos da própria Ordem.

“Não são os empresários que os contratam que são responsáveis por eles?”

Através de um comunicado, a Ordem dos Advogados escreve que “a partir do momento em que é levantado o estado de emergência, e por isso deixaram de estar suspensos os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos”, os proprietários de alojamentos no Zmar, grupo do qual Anna Westerlund faz parte, “têm os mesmos direitos a ser protegidos contra intervenções arbitrárias do Estado na sua propriedade e no seu domicílio familiar”.

A viúva de Pedro Lima tem contestado esta medida do Governo e já afirmou nas redes sociais que se sente “a viver numa ditadura”. Anna Westerlund disse ainda que se vê obrigada a disponibilizar a sua casa “para receber doentes Covid de Odemira, a maior parte deles trabalhadores nas estufas locais”. “Diz o primeiro-ministro que eles têm direito a viver em condições dignas (obviamente, mas esse direito não começou ontem!)”, escreveu, questionando se “não são os empresários que os contratam que são responsáveis por eles?”.

Texto: Patrícia Correia Branco; Fotos: Reprodução redes sociais
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