Sofia Alves: “Quero sair de cena com grande dignidade, não irei arrastar a carreira”

Em A Promessa, a nova novela da SIC, a atriz dá vida a Maria, uma mulher lutadora e de fé, com a qual a atriz se identifica bastante. Com 50 anos, a atriz faz um balanço positivo da sua carreira.

30 Jun 2024 | 15:00
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O nome dispensa apresentações. Em A Promessa, a nova novela da SIC, Sofia Alves é a grande protagonista e dá vida a Maria, a matriarca da família Rocha. Rendida a mais este desafio, a atriz conta em declarações exclusivas à TV 7 Dias que:“A Maria é uma mulher incrível, é uma mulher cheia de fé, cheia de bons valores, é uma transmontana. É uma personagem linda. Estou muito contente por fazer este trabalho. Ela é uma mulher que fica viúva muito cedo, teve um casamento com um homem que era extremamente ciumento, foi vítima de violência doméstica. Ele tinha tantos ciúmes dela que acabou por ser isso que o levou à morte, porque envolveu-se numa rixa com um vizinho e caíram os dois ao rio e o corpo dele nunca apareceu”, desvendando ainda: “Ela faz tudo pelo bem dos filhos. Eles vão ter na história muitos conflitos, mas esta mulher é, de facto, a grande matriarca e é ela que é o pilar da família, agarra-se à sua fé, o seu lado positivo para os ajudar, e acaba por ser esse lado que ela tem tão positivo, apesar de tanta desgraça e de tanta confusão, que acaba por sustentar a família nos valores e que acaba por ter sempre a visão e a solução quando ela é realmente precisa.”

As gravações já arrancaram em Abril e a protagonista mostra-se muito satisfeita com o desenrolar do novo desafio. “Estou muito satisfeita com os primeiros dois meses de gravações, temos uma história brilhante que tem tudo para agradar o público e um elenco fabuloso. Estou muito apaixonada pela minha Maria. Uma mulher fantástica esta Maria.” E identifica-se em alguns aspetos com a sua personagem. “A Maria é uma mulher de fé devota da Nossa Senhora de Fátima como eu sou, eu também sou uma mulher de trabalho não deixo nada para amanha se posso fazer hoje…”

“É especial ser uma Maria transmontana”

O arranque da novela foi em Trás-os-Montes e os decores são reais, uma mais valia para a história, de acordo com a protagonista. “A casinha da Maria é um decor real, as imagens, tudo, onde vamos ter as alheiras, o fumeiro, é muito bonito.” Uma realidade que a atriz conhece bem. “Montalegre é a terra da minha sogra e tenho imenso amigos e familiares por afinidade, sim é um sitio que iremos em breve voltar com o espetáculo e espero que as gravações voltem a Montalegre. É muito especial para mim ser uma Maria transmonstana…como tantas que felizmente conheço”, partilha, adiantando ainda: “ E é muito bom quando começamos uma novela fora e temos a possibilidade de trazer imagens magníficas.”

Paralelamente com a novela, a atriz está em digressão com a peça Amigos Com Benefícios e assume que não tem sido fácil conciliar com as gravações da novela. “Sim, tem sido uma luta conciliar a minha peça de teatro que está a ser um verdadeiro êxito com o Diogo Lopes e o Filipe Matos, e com a novela Promessa, e eles que curiosamente também estão ambos a trabalhar em televisão ao mesmo tempo, o que ainda aperta mais tudo. Com muito esforço estamos a conseguir fazer tudo.”

“Uma extraordinária surpresa”

Sofia Alves foi recentemente homenageada em Samora Correia e tem agora uma estrela com o seu nome no passeio da fama, o que a enche de orgulho. “Foi realmente uma extraordinária surpresa ter uma estrela na avenida em Samora Correia com o meu nome. Foi um gesto que nunca esquecerei, estou muito agradecida. Foi um dia internacional de teatro que nunca mais irei esquecer, uma casa abarrotar e uma estrela no passeio… são momentos que ficaram para sempre no meu coração”, afirma, adiantando ainda: “Quero ainda continuar a trabalhar mais uns anos, mas digo sempre que quero sair de cena com grande dignidade, não irei arrastar a carreira… quando achar que chegou o dia, saio. Sou muito feliz no campo”, revela.

Aos 50 anos a atriz já fez um pouco de tudo na representação e é uma referência para a ficção nacional. “O balanço dos meus 50 anos é difícil assim em poucas palavras, talvez a minha capacidade de trabalho seja o motivo da sorte dos papeis de grande responsabilidade serem entregues desde muito jovem. E com essa possibilidade de fazer grandes papeis foi desenvolvido as minhas capacidades técnicas na representação. E o teatro tem sido fundamental, acho que todos os atores deveriam fazer muito teatro”, conclui.

Texto: Neuza Silva (neuza.silva@impala.pt)
Fotos: Arquivo Impala e D.R.
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