Surma: «Queremos mostrar o que se faz de diferente em Portugal»

Surma, nome artístico de Débora Umbelino, foi a favorita do júri na segunda semifinal do Festival da Canção. A intérprete afirma-se orgulhosa por fazer parte da geração que veio inovar o certame.

02 Mar 2019 | 11:15
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Débora Umbelino, ou melhor, Surma, surpreendeu o país na segunda semifinal do Festival da Canção com uma atuação experimental e alternativa. A intérprete de Pugna confessa-se surpreendida com os 12 pontos que o júri lhe atribuiu e admite que, se não vencer esta noite, gostaria que fosse Conan Osíris a representar Portugal na Eurovisão, em Telavive.

Como tem sido a sua semana após a semifinal?

Tem sido um caos, mas um caos bom. Tenho tido muita adesão da malta. Nunca pensei! Pelo que me tem chegado, tem sido uma surpresa boa ver a actuação ao vivo e tenho recebido comentários mesmo bons.

 

O Festival da Canção era visto como algo conservador. De repente, passamos do oito ano oitenta, com atuações inovadoras como a sua e a do Conan Osíris. Como é fazer parte dessa mudança?

Eu falo por mim e por ele. Sentimo-nos muito bem por fazer parte dessa geração e, hoje em dia, acho que nos faz falta isto em Portugal. Dar uma reviravolta a tudo isto e acho que eu e o Conan temos um statement para mostrar. E porque não fazer a nossa cena no Festival da Canção? É mostrar o nosso universo e não fazer uma coisa obrigatória só porque é o Festival da Canção. Pode custar e vai custar a entrar para a malta portuguesa mas acho que, com calma, acho que vamos chegar a uma mentalidade mais aberta.

 

Tem visto vídeos de reações?

Vi um da Polónia, um onde eu e o Conan estávamos no top. Tinha um comentário que dizia que a performance era uma surpresa muito grande. Esses comentários da malta lá de fora têm sido muto gratificantes para mim.

 

Quando recebeu os 12 pontos do júri como é que reagiu?

Acho que a malta que estava comigo é que fez mais a festa. Eu não estava a acreditar naquilo! Nada, zero. Mesmo quando saí não estava a perceber o que se tinha passado. Só me apetecia chorar quando cheguei a casa.

 

«Até hoje me pergunto o porquê de me terem feito o convite»

 

A sua carreira é construída num circuito mais alternativo. Porquê aceitar o convite para participar no Festival da Canção?

Até hoje me pergunto o porquê de me terem feito o convite. Eu disse ‘têm a certeza que querem Surma no Festival da Canção?’. E eles disseram, ‘sim, temos mesmo a certeza!’. Acho que foi uma vitória para eles terem-me a mim, ao Conan e malta mais alternativa este ano. Aceitar o convite foi um desafio muito grande para mim. Mostrar o meu universo ao público, cantar em português foi um desafio.

Na Eurovisão não são permitidos efeitos de distorção de voz, que existem na sua música.

Acho que as regras estão a mudar, tanto cá como lá fora. O que eu uso não é auto-tune, é uma equalização mais fechada. Não é um efeito. Estou mesmo a cantar em direto.

 

Quando era miúda, via o Festival da Canção?

Os meus pais viam (risos)! Mas só comecei a ver há dois anos, sou muito sincera. Acho que é a reviravolta que isto está a levar, do 8 ao 80. Acho que estamos a precisar disto em Portugal.

 

Vocês dão-se todos bem, parece que não há rivalidade.

Nada! Até nos esquecemos que há votações. A malta tem um sentido de amizade muito grande. Estamos todos no mesmo barco, de querer mostrar o que se faz de diferente em Portugal.

 

Se não for a Surma, quem é que quer que ganhe?

Eu gosto de todos mas sou suspeita. Sou muito amiga do Conan e amo-o. Acho que ele tem o pacote completo para ir lá para fora..

 

Veja também: Finalistas do Festival da Canção dão concerto improvisado!

 

Texto: Raquel Costa | Fotos: Zito Colaço e RTP

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