“Tem uma mulher que não me quer conhecer”: Jessica Athayde não sabe onde o pai mora

Jessica Athayde revelou que não é aceite pela mulher do pai por ter nascido de uma relação extra conjugal. Até hoje não sabe onde mora.

10 Abr 2021 | 22:20
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Jessica Athayde esteve à conversa com Daniel Oliveira, no Alta Definição, este sábado (10) e abriu o coração. A atriz falou da separação dos pais, de crescer sem conhecer a casa do pai por ser filha de uma relação extra conjugal, dos traumas e frustrações que tal lhe causaram, da separação de Diogo Amaral, da depressão pré parto e de como conseguiu ficar em paz depois do filho Oliver nascer. Jessica recorda ainda o momento em que aos cinco anos encontrou uma vizinha morta em casa.

“A primeira memória que me vem de quando era criança, deveria ter uns cinco anos, em Inglaterra. Fui a casa de um vizinha e ela não me abria a porta. Eu abri o correio na porta principal e ela estava morta. Nunca vou esquecer. Ela estava deitada no chão e tinha uma poça de sangue”, recorda.

Jessica Athayde nasceu de uma relação extra conjugal do pai e por tal nunca conseguiu ter uma vida normal de pai e filha. “Os meus pais nunca estiveram juntos e eu nunca tive uma relação presente com o meu pai. Eu via o meu pai uma vez por semana. Em miúda não percebia muito bem, mas mais tarde é que fui questionando. Eu nunca sofri um divórcio porque nunca tive os meus pais juntos. Foi-me explicado, mas não foi por isso que foi mais fácil”, começa por recordar, para assumir que hoje em dia tem uma relaçao “espetacular” com o pai.

Mas admite que teve de “fazer as pazes com a situação” aceitando o pai como ele é. “Na minha adoelescência revolou-me, questionava porque não ia a casa do meu pai e porque não sabia onde ele vivia. Via-o quando ele me ia buscar à escola e jantávamos, mas eu não sabia onde ele vivia, não passava um Natal com ele, nem uma Páscoa. Isso criou-me frustração e insegurança”, partilha a atriz.

Jessica explica que o pai sempre a assumiu como filha, mas nunca foi aceite na família que o pai tinha com a mulher. “O meu pai sempre me assumiu, e sempre esteve presente. Eu tenho 35 anos e ainda hoje não sei onde o meu pai vive, não sei a morada dele. sei que vive perto mas não sei onde. Eu sofri muito com isto. Foi mesmo muito difícil para mim conseguir aceitar que o meu pai tinha uma família e que eu não fazia parte dela. Fazia parte da vida dele, mas não da família. Vivi muito tempo focada nisto sem aproveitar a família do lado da minha mãe. É quase como um abandono. O meu pai tem uma mulher que não me quer conhecer e até hoje não a conheço e isso criou-me problemas. Tive de fazer muita terapia para conseguir perdoar o meu pai e ter uma boa relaçao com ele”, assume Jessica Athayde, revelando que achava que tinha resolvido tal frustração.

Jessica Athayde deixa recado à companheira do pai

“Pensei que tinha resolvido este assunto, mas quando estava grávida percebi que não e questionava porque é que o meu filho não podia ir a casa do avô quando os outros netos vão. E estive meses a bater nisso. O meu filho nasceu, o meu pai todos os dias telefona, todos os fins-de-semena manda os panados que o meu filho gosta, está sempre a mandar presentes, é afetivo de uma maneira  como nunca foi comigo. O meu filho nunca entrou na casa do meu pai, provavelmente nunca irá a casa do avô. Mas é a vida. Não vale a pena martelar e tentar fazer do meu pai uma pessoa que ele não ele”, afirma para depois deixar umas palavras à mulher do pai.

“Quanto à senhora que é casada com o meu pai, de que tem outros filhos, vive na consciência dela ter culpado uma criança pelos erros do meu dele. Eu nasci de uma relação extra conjugal do meu pai. Hoje posso dizer com toda a certeza que a minha mãe é uma grande mulher. Só me apercebi disto depois de ter sido mãe”, assegura, explicando que os longos anos em que faz terapia a têm apaziguado.

“Já não culpo ninguém. As motivações do meu pai não são muito válidas, mas para ele são. Eu é que tenho de viver com isso. Tive com os meus pais juntos pela primeira vez na maternidade. Os meus pais hoje em dia dão-se bem. Sei que fui fruto de amor, se fui desejada ou não… A minha mãe tomou a decisão de me levar até ao fim, o meu pai acho que fez o certo, que foi permitir que a minha fizesse o que ela sentisse que era confortável fazer”, assume.

Esta história dos pais influenciou a vida de Jessica Athayde até hoje. A atriz admite que talvez até tenha influenciado na sua vida amorosa por ter medo de ser deixada.

Texto: Ana Lúcia Sousa: Fotos: Divulgação SIC
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