“Tirou-me anos de vida”: João Mota enterrou “melhor amigo com as próprias mãos”

João Mota recordou, no programa da SIC “Alta Definição”, o Natal em que teve de enterrar o seu cão, diagnosticado com um tumor maligno. “Foi duríssimo”, disse o ator da novela “A Serra”.

08 Mai 2021 | 17:10
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João Mota foi o convidado da emissão deste sábado do programa da SIC “Alta Definição”. O ator, que ficou conhecido pela sua participação na “Casa dos Segredos 2”, abriu o coração a Daniel Oliveira para falar sobre o amor, a passagem pelo reality show da TVI e o pior dia da sua vida.

No Natal de 2020, João Mota ultrapassou um período muito doloroso. O jovem viu-se obrigado a abater Boston, o seu cão, que foi diagnosticado com um tumor maligno.

“Tive de colocá-lo a dormir, levá-lo até ao céu. O Boston foi o meu cão mais velho, descobrimos que ele tinha um tumor. Deram-lhe dois anos de vida e fomos lá [ao veterinário] no Natal. Já tinha passado um ano e meio e aquilo estava horrível, tinha uma massa muito estranha com sangue, muito feio. Soube desde o momento que olhei para ele que isso ia acontecer, que tinha de tomar uma decisão”, começou por dizer, emocionado.

“Foram dias muito duros porque eu ia passear com ele e sabia que seriam os últimos passeios. Foi o meu companheiro, cresceu comigo, eu tinha 19 anos quando ele chegou. O que mais me custa é que podia ter sido muito mais para ele. Mas a vida deu voltas e não consegui estar lá para ele como devia”, acrescentou.

João Mota tomou a decisão de enterrar o companheiro “com as próprias mãos”, para “enterrar com o seu melhor amigo o egoísta que tinha sido”. O processo até tomar a decisão de dar a injeção a Boston foi complicado e o ator afirma que “parte dele partiu” com o cão.

“Ir comprar a pá, ele ainda estar vivo, ter de o levar, ter de o carregar às costas, levá-lo para o sítio onde o ia colocar, tirou-me anos de vida. Foi duríssimo. Todas as vezes que lá vou, peço-lhe desculpa. Tenho de me tornar melhor. Senti-o a ir quando lhe deram a injeção, pedi às pessoas que estavam ali para sair. Chorei tudo, gritei tudo. Parte de mim partiu com ele”, confessou.

 

João Mota: “Não há relações para sempre, mas há pessoas para sempre”

 

João Mota, que dá vida a Nicolau na novela “A Serra”, da SIC, admitiu ser um homem “muito inseguro” e, por isso, só teve duas namoradas na vida, uma delas a também atriz Mariana Monteiro.

O namoro entre os dois chegou ao fim em agosto de 2019, depois de sete anos de relação. Apesar de não falar diretamente da ex-companheira, o ator não se inibiu de fazer um sentido desabafo sobre o amor.

“Aprendi que não há relações para sempre, mas há pessoas para sempre. As memórias, aquilo que imprimes no outro e isso vai de como tu te deixas ser amado e como tu amas o outro. O mais difícil é construir o amor. Não há amor à primeira vista, para mim. Há paixão à primeira vista, o amor depois é uma construção e essa construção muitas vezes é desconstruíres-te para construíres algo com alguém, isso é amor. Claro que não é mudar a tua essência, mas tem de haver ajustes”, disse.

“Enquanto há amor, devemos persistir. Às vezes, há amor, mas a gente vai… e está tudo bem. Vai porque às vezes põe-se um nevoeiro muito grande e não sabemos onde estamos, nós fugimos. Porque nos disseram que o sol brilha lá ao fundo e vamos à procura disso e está tudo bem”, concluiu.

 

O estigma por ter concorrido à “Casa dos Segredos”

 

Sobre a sua passagem pela “Casa dos Segredos 2”, João Mota garantiu que não se sente arrependido, mas que hoje, com 30 anos, faria as coisas de forma diferente, porque foi muito difícil “vencer o estigma de concorrente de reality show.”

“Não estava preparado. Entrei num ato de impulso. Estava infeliz com a minha vida na altura e, em brincadeira com a minha irmã, inscrevi-me e acabei por ir parar lá dentro. Quando saio, aí é que foi a verdadeira experiência. Fiquei duas semanas sem saber o que fazer da minha vida”, afirmou.

“Todo esse percurso deu-me força. Tornou-me num homem mais forte, com as qualidades ou características necessárias para ser aquilo que queria. Deu-me muita consciência daquilo que sou como ser humano, daquilo que sou capaz, daquilo que preciso para me tornar um homem e cumprir os meus objetivos”, findou.

 

Texto: Mafalda Mourão; Fotos: reprodução SIC e redes sociais

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