Greve afeta novelas da TVI! Trabalhadores exigem aumento após incumprimento de acordo

Trabalhadores da Plural, responsável pela produção da ficção da TVI, entraram numa greve diária à oitava hora de trabalho. A paralisação estende-se até segunda-feira.

08 Jan 2020 | 20:50
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Um ano depois, a entrada das instalações da Plural, em Bucelas, volta a ser palco de uma greve. Trabalhadores da empresa que produz as novelas da TVI, através do Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE), anunciaram uma greve diária à oitava hora de trabalho. A paralisação teve início esta terça-feira, 7 de janeiro, e, com exceção ao fim de semana, prolonga-se até à próxima segunda-feira, 13 de janeiro.

Em comunicado, o sindicato afeto à CGTP refere que «a paralisação total do trabalho a realizar após completadas as sete horas de trabalho/dia […] é consequência direta e inevitável do incumprimento, pela Plural Entertainment Portugal, S.A., do acordo firmado com o CENA-STE em 2018.»

A greve «abrange todos os trabalhadores, independentemente das funções que desempenhem, da produção de conteúdos audiovisuais e do seu apoio, em todos os turnos, nas instalações ou em exterior».

 

A TV 7 Dias presenciou o segundo dia de greve. Veja as imagens na galeria!

 

Frisando que os trabalhadores «não auferem de aumentos significativos há 15 anos», o CENA-STE exige, entre outros pontos, «aumentos significativos para todos os trabalhadores, com especial atenção aos que auferem menos de 1.250,00€ [euros] brutos por mês».

«Apesar de o CENA-STE, até ao final da manhã de dia 6 de janeiro de 2020, aspirar por um acordo satisfatório a ambas as partes, a administração do grupo mostrou-se indisponível para considerar as propostas emanadas do plenário de trabalhadores, mantendo-se irredutível na desvinculação dos termos por ela própria subscritos e firmados em 2018», acrescenta o sindicato.

 

O que ficou acordado há um ano?

 

Nesse acordo entre a produtora que pertence à Media Capital, o mesmo grupo que detém a TVI, e os seus trabalhadores ficaram previstos «aumentos salariais escalonados beneficiando os trabalhadores com salários mais baixos» e «a redução gradual do horário máximo de trabalho», um assunto que volta a merecer discussão na paralisação atual. A resolução surgiu na sequência de uma greve parcial dos trabalhadores entre 3 e 10 de dezembro de 2018.

Além das instalações da Plural, em Bucelas, a presente paralisação decorre, segundo o CENA-STE, à porta da sede do grupo Media Capital, em Queluz de Baixo, onde estão localizados os estúdios da TVI.

De salientar ainda o facto de a greve parcial estar a decorrer numa altura em que estará por dias a concretização da aquisição do mesmo grupo de media pela Cofina, que detém meios como o Correio da Manhã e a CMTV.

No final de 2019, a Autoridade da Concorrência informou, em comunicado, que não coloca objeções ao negócio de 205 milhões de euros. A nota, que veio ratificar um projeto de decisão emitido, a 10 de dezembro, pelo Conselho de Administração do mesmo organismo, surgiu após uma «análise exaustiva» e nela «a Autoridade da Concorrência considera que a operação de concentração não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência em qualquer um dos mercados relevantes considerados, entre os quais o dos canais de acesso não condicionado para televisão por subscrição, da imprensa e outros conteúdos digitais ou ainda no da publicidade».

 

Dona da TVI a saldos

 

Se, em 2017, a Altice propunha adquirir a Media Capital por 440 milhões de euros, a Cofina acordou, em setembro passado, pagar 255 milhões de euros para concretizar a operação – 181 milhões de euros mais o valor correspondente à dívida da empresa.

Só que, há uma semana, a Cofina anunciou um novo acordo com a Prisa, a espanhola que ainda tutela a Media Capital, que culmina com a ainda mais acentuada desvalorização da dona da TVI.

Numa missiva enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foi comunicado um aditamento ao contrato de compra que refere que «as partes acordaram na redução do preço de aquisição previsto no Contrato de Compra e Venda, que é agora de 123.289.580 euros, assumindo um ‘enterprise value’ de 205.000.000 euros». Ou seja, houve uma depreciação de 50 milhões de euros.

 

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Texto: Dúlio Silva; Fotografias: Helena Morais, arquivo Impala e reprodução redes sociais

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