A viver em Portugal, mas com a família na Venezuela, Angélica Del Mar, ex-concorrente do Big Brother 2020, tem acompanhado com preocupação as notícias que chegam do seu país natal, na sequência dos sismos que atingiram várias zonas do país. “A minha família felizmente está bem. Temos estado a trabalhar na recolha de produtos porque muitas pessoas ficaram desprotegidas e a Venezuela não tem recursos para poder sair desta situação”, começa por revelar, em exclusivo, à TV 7 Dias.
Angélica, 33 anos, recorda ainda o momento em que percebeu que algo de grave tinha acontecido. “Acordei de madrugada com uma sensação estranha. Vi o telefone, tinha quatro ou cinco mensagens a perguntar pela minha família e não percebi nada porque estava meio adormecida. Fiz scroll nas redes sociais e vejo vídeos e fotografias do que aconteceu. O meu coração parou. Entrei em contacto com minha família, felizmente eles atenderam, disseram que tudo estava bem, para parar de chorar, que o epicentro tinha sido longe da minha cidade, Maracaibo, e que iam tentar estar contactáveis”, conta. Apesar do epicentro ter ficado longe de Maracaibo, cidade de onde é natural, a família sentiu as réplicas do sismo. “Eles estão a viver momentos de angústia porque se fala de um possível tsunami, de réplicas que podem acontecer em qualquer parte do país, inclusive naquelas que até agora não têm sido afetadas, como no caso da minha cidade.”
Nascida na Venezuela, Angélica chegou a Portugal em 2019. Além dos pais e dos tios, a ex-concorrente do Big Brother continua também preocupada com os amigos que permanecem na Venezuela. “Não tenho conseguido falar com todos, outros estão incontactáveis. Fisicamente estão bem, mas emocionalmente não porque estão na cidade de Caracas. Tem sido difícil. Muitos dos artistas com os quais trabalhei, há pessoas delas que estão desaparecidas. Conheço pessoas que ficaram sem casa e que ainda não sabem absolutamente nada dos seus familiares”, partilha e acrescenta: “Sinto-me impotente, sinto-me triste. Estou a falar da minha terra, do país que me viu crescer, das minhas origens. A Venezuela estava a passar por um processo muito mau a nível político, a nível financeiro. Estávamos num processo de transição, onde estávamos a ver uma luz ao fundo do túnel, porque estávamos a dizer: ‘Finalmente, depois de tantos anos de ditadura, vamos mudar de governo. Existe grande probabilidade de que o país evolua’, mas agora, com esta catástrofe, vai demorar muito a evoluir. A Venezuela não tem condições para enfrentar uma situação destas, não estava preparada para isto”.
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Texto: Sofia Pinto ([email protected]); Fotos: Divulgação TVI, Reprodução Instagram